quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Quase em cima da passagem...

Não quero acabar este 2009 de má memória sem desejar a todos os portugueses, em especial aos professores e alunos, e ainda mais em particular aos nossos visitantes e às outras flores deste jardim um

Celente 2010!
será? será? será?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O palhaço

Ou nós, ou o palhaço.

O palhaço é inimputável.


De: Mário Crespo

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço.
Mário Crespo

Nota: Mário Crespo!! Que coragem! O jornalista sem medo!!
É com homens e mulheres assim que um País consegue salvar a sua honra!!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Parabéns, Reverendo Bonifácio!

Reverendíssimo,
Na impossibilidade de falar a língua dos da sua espécie, encontrei no "Tube" um seu igual a cantar em língua humana, ainda que inglês.

Que tenha um dia feliz, muito feliz, na companhia de quem mais desejar. E que se repita por muitos e melhores anos do que este que vivemos.

Um afago carinhoso nesse pêlo lustroso e fugidio.
.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal

A todos os que vêm sentir o perfume intermitente destes Lírios da Campos desejo um Feliz Natal.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Está em marcha mais uma aberração

Vem aí um novo programa de Português para o 3º Ciclo (7º/8º9º), a entrar em vigor já no próximo ano lectivo.
Uma série de questões se me coloca. Por economia de tempo, vou às que reputo de mais importantes. Avanço também as respostas que a prática de anos me dita. Oxalá estivesse enganada.

1-Que é da avaliação do programa em vigor?
Que eu saiba não existe, como nunca existiu por parte das várias tutelas da Educação uma avaliação das sucessivas reformas que foram implementando.
2- Então por que é que se muda de programa se não se provou a ineficácia do que está ainda em vigor?
Ah, porque sim! Ok, estamos conversados!
3- E desta vez, vai manter-se o reformismo curto e manco, que apenas mexe no programa e não vê tudo o resto?
Pois parece que sim. E lá teremos nós, alunos e professores, de nos esgadanhar para cumprir o impossível.

Mas ainda vamos a tempo de reagir.

Este abaixo-assinado sobre o "Trabalho Laboratorial (Português EB)" reivindica a melhoria das condições de trabalho para a concretização do programa de Língua Portuguesa do Ensino Básico, nomeadamente o desdobramento das turmas, à semelhança do que se faz nas outras disciplinas de laboratório.

Leia e, se concordar (quem não concordará?), assine e divulgue.

Eu já o fiz.

Aqui fica o link à disposição:

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5294

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Desafio... natalício ou não

A Anabela Magalhães, princesa do Tâmega, bateu à nossa porta e entregou nas nossas mãos este desafio que vou deixar - oh, perdoem-me a quebra do ciclo! - às flores deste jardim.

Está mais alguém em casa?

Assim às pressas, eis as minhas respostas... mas só sobre o Natal.

1. Eu já... vivi muitos Natais sem Dezembro e alguns Dezembros sem Natal.

2. Eu nunca... esquecerei o rosto inocente do meu filho a olhar para o céu falando com um menino.

3. Eu sei... que a magia do Natal não é tão mágica assim.

4. Eu quero... guardar a réstia de esperança de que o homem há-de transformar em Natais todos os dias do ano.

5. Eu sonho... com um mundo mais fraterno, doce, justo e, vá lá um pouquinho de egoísmo, com tempo para sermos fraternos, doces e justos.

6. Eu prometo... nada para este Natal, para não falhar tudo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

GASTOS DE INVERNO

(NATAL PORTUGUÊS)

Neste Inverno, dá vontade de trocar o v pelo f. Não porque sejamos pessimistas, pelo contrário, procuramos antes levar a vida pela positiva, encarar as contrariedades com naturalidade, resolver o que é resolúvel e aceitar com bonomia o inevitável.

No entanto, quando aos rigores próprios da Natureza, se juntam os desmandos impróprios das pessoas – citando Shakspeare – “algo está podre no reino da Dinamarca”.

Atravessamos a quadra natalícia e, embora as autarquias deste País tivessem iluminado as ruas das respectivas urbes, o facto é que não conseguiram iluminar também os corações dos cidadãos. Estes continuam às escuras, meio desorientados, e não se vislumbra no horizonte candeia que os aqueça e alumie.

Vive-se na ilusão das coisas, no adiamento permanente de possíveis soluções na expectativa que “isto melhore”.

Recusamo-nos repetidamente a assumir e enfrentar a realidade, porque nos habituámos a viver segundo os nossos desejos e não segundo as nossas posses. Agarrámos na vida leve do crédito como num elástico que fomos esticando e, à força de repetir o gesto, automatizámos o movimento sem a consciência dos custos acrescidos.

Deste modo, o endividamento foi (e vai) crescendo na razão inversa dos nossos recursos (cada vez mais escassos), correndo o risco de um dia destes o elástico nos rebentar nas mãos.

Neste momento somos, perante toda uma Europa de que nos reclamamos parceiros, o exemplo acabado de como não se deve ser.

Como nos deixámos chegar a este estado? A (s) resposta (s) não é (são) simples. Resulta (m) de um conjunto de circunstâncias históricas que, entrosadas na lusa mentalidade, formaram a teia que nos enredou.

O regime democrático a que (finalmente) acedemos trouxe-nos a ilusão do milagre das rosas. Ansioso que estava, o País entrou na euforia da liberdade, abusou das suas virtudes e distraidamente ficou prisioneiro dos seus vícios.

Desgraçadamente, impingiram-lhe a liberdade como sendo a árvore das patacas e acreditou. Desgraçadamente, confundiu a árvore com a floresta, e tomou a ilusão com a crença de ingerir a realidade.

Os sucessivos governos ajudaram a cimentar a ilusão. Também são co-responsáveis por omissão.

Voluntariamente ou não, demitiram-se da função prioritária de estudar, regulamentar e esclarecer o uso responsável da liberdade, deixando que o laxismo se fosse paulatinamente instalando, antes apostando na modernização a qualquer preço sem a contrapartida da construção estrutural para o exercício capaz da cidadania.

O resultado tem sido a cavalgada da fuga para frente… em direcção não se sabe bem a quê. Talvez a um mar de imensos sacrifícios que só uma (por enquanto inexistente) política de autenticidade possa atenuar.

A prenda de Natal para os portugueses não constituiu surpresa. Com a voracidade de quem parte para a última refeição, consumimos a montanha do crédito até ao arroto final.

No nosso frágil sapatinho, e sem pezinhos de lã, instalou-se a crise… que vai ter um próspero 2010.

Neste Inverno, dá mesmo vontade de trocar o v pelo f.

Luís Silva Rosa

Nota: A lucidez, a sensibilidade e o poder de crítica do nosso amigo e colaborador Luís Silva Rosa…não estão, com toda a certeza, em crise!
Obrigada Luís! Excelente "Retrato do Natal Português".

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Trafulhice segundo MEDINA CARREIRA

NOTA: nada como espreitar o "umbigo" do Paulo

Programa Novas Oportunidades é “trafulhice”, diz Medina Carreira
09h26m


Antigo ministro das Finanças critica o programa Novas Oportunidades. "Enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução", acusou.

Convidado da tertúlia "125 minutos com...", que decorreu no Casino da Figueira da Foz, ontem, terça-feira, Medina Carreira disse ainda que a educação em Portugal "é uma miséria" e que as escolas produzem "analfabetos".

"[O programa] Novas Oportunidades é uma trafulhice de A a Z, é uma aldrabice. Eles [os alunos] não sabem nada, nada", argumentou Medina Carreira.

Para o antigo titular da pasta das Finanças a iniciativa dos Ministérios da Educação e do Trabalho e da Solidariedade Social, que visa alargar até ao 12.º ano a formação de jovens e adultos, é "uma mentira" promovida pelo Governo.

"[Os alunos] fazem um papel, entregam ao professor e vão-se embora. E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano [de escolaridade]. Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução", acusou.

As críticas de Medina Carreira estenderam-se aos estudantes que saem das escolas "e não sabem coisa nenhuma".

"O que é que vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga", frisou.

Defendeu um regime educativo "exigente, onde se aprenda, porque os empresários querem gente que saiba".

Questionado pela jornalista Fátima Campos Ferreira, anfitriã da tertúlia, sobre a avaliação de professores, Medina Carreira classificou-a de "burrice".

"Se você não avalia os alunos, como vai avaliar os professores?", inquiriu.

Admitiu, no entanto, que os professores terão de ser avaliados, desde que exista "disciplina nas aulas, o professor tiver autoridade, programas feitos por gente inteligente e manuais capazes", argumentou, arrancando aplausos da assistência.

COMENTÁRIO: As Novas Oportunidades podiam ser válidas, caso não houvesse metas irrealistas, caso os Centros Novas Op. não surgissem como cogumelos, caso a última palavra sobre o perfil dos candidatos fosse da responsabilidade do Técnico de Diagnóstico e caso muitos candidatos não estivessem convencidos que copiar coisas da internet é um direito, um dever, um princípio, um fim e um tudo. CLARO QUE RESPEITAR A ESCOLA, OS PROFESSORES E O CONHECIMENTO também ajudava.

Quanto à avaliação dos professores, concordo com Medina Carreira.

NOTA: Ah! Há que dizê-lo, os candidatos das Novas Op. que têm verdadeiramente perfil e dão o seu melhor têm de ser defendidos por quem com eles trabalha. E há pessoas verdadeiramente merecedoras desta nova oportunidade!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Caquexia e Desplante!!

Cito da Revista Sábado da semana Passada. Autoria do artigo: MARIA JOÃO AVILLEZ!

«À atenção de José Sócrates: o que é que o primeiro-ministro quer que a gente pense? Que no seu anterior governo errou no critério e na escolha das políticas em várias pastas ministeriais ou que se está a enganar neste? É que, face às ribombantes marchas-atrás e aos recuos fundamentais nas Finanças, no Ambiente, na Educação e consta que na Cultura - e ainda a procissão vai no adro... - , não se sabe o que pensar: bom era o que estava ou bom é o que está? (Em todo o caso, Maria de Lurdes Rodrigues deveria pedir uma indemnização, era o mínimo por tanta pancada apanhada em nome de bandeiras afinal tão descartáveis.)»

Indemnização, hein??? E não pensem que a D. Mª. João está a ironizar, que ela não é capaz disso. Ela é demasiado senhora de si e leva-se demasiado a sério para perder tempo com ironias. Ela está, como boa portuguesa (!), com saudade do passado, por ventura estará até assobiando a canção: Ó tempo, volta para trás lá lá lá lá traz-me tudo o que eu perdi lá lá lá lá lá.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

VIDEO PARA MEDITAR



Nota: Vejam até ao fim. Vale a pena.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Poste descaradamente copiado

O Paulo Guinote, apesar de algum abrandamento prometido, continua na crista da informação. Por isso de lá importamos tanta matéria importante. Cá vai mais uma, descaradamente copiada.

Propostas Em Cima Da Mesa

A FNE anunciou que também apresentará proposta.

A minha recomendação é que todos leiam e se informem, recolham as opiniões sobre o assunto e formem a vossa. Depois é importante debater argumentos. E não esperar que os outros façam um trabalho que é de todos.

Desta vez são duas folhas A4, de cada um dos lados.


Pois a minha opinião é igualinha à do Paulo.
Para que depois não se diga que se andou distraído... e outras coisas!


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Parabéns TVStar

Para ti, querida amiga,
uns parabéns swingados, a convidar a um pezinho de dança,
mais o desejo de coisas muuuuuuuuuuuuuuuito boas!





Um abração e muitas beijocas

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Só mesmo para dizer que ainda (sobre)vivo...

Atrasada, sim!
Ausente, também!
Mas não distraída, nem em desistência!

Voto útil no PSD?
Pois não!


Eu bem que avisei! Aqui!

Uma questão de honra

16-Nov-2009

MÁRIO CRESPO - «Eu confio no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara com quem quer que fosse. Fê-lo porque achou que nelas haveria matéria de importância nacional. E há. Confio no Juiz que autorizou as escutas quando detectou indícios de que entre os contactos de Vara havia faces até aqui ocultas com comportamentos intoleráveis. E, infelizmente o digo, confio, sobretudo, em quem com toda a dignidade democrática e grande risco pessoal, tem tomado a difícil decisão de trazer ao conhecimento público indícios de infâmias que, de outro modo, ficariam impunes. A luta que empreenderam, pela rectificação de um sistema que a corrupção e o medo incapacitaram, é muito perigosa. Desejo-lhes boa sorte. Nesta fase, travam a batalha fundamental para a sobrevivência da democracia em Portugal. Têm que continuar a lutar»

Mark Felt foi um daqueles príncipes que o sólido ensino superior norte-americano produz com saudável regularidade. Tinha uma licenciatura em Direito de Georgetown e chegou a ser uma alta patente da marinha dos Estados Unidos. Com este formidável equipamento académico desempenhou missões complexas no Pentágono e na CIA.
Durante a guerra do Vietname serviu no Conselho Nacional de Segurança de Henry Kissinger. Acabou como Director Adjunto do equivalente americano à nossa Polícia Judiciária. Durante vários anos foi Director Geral interino do FBI. Foi nesse período que Mark Felt se tornou no Garganta Funda. Muito se tem escrito sobre as motivações de um alto funcionário do aparelho judiciário americano na quebra do segredo de justiça no Watergate. Todo o curriculum de Felt impunha-lhe, instintivamente, a orientação clássica de manter reserva total sobre assuntos do Estado. Hoje é consensual que Mark Felt só pode ter denunciado a traição presidencial de Nixon por uma razão. Para ele, militar e jurista, acabar com o saque da democracia americana era uma questão de honra. Pôr fim a uma presidência corrupta e totalitária era um imperativo constitucional. Felt começou a orientar em segredo os repórteres do Washington Post quando constatou que todo o aparelho de estado americano tinha sido capturado na teia tecida pela Casa Branca de Nixon e que, com as provas a serem destruídas, os assaltos ao multipartidarismo ficariam impunes. A única saída era delegar poder na opinião pública para forçar os vários ramos executivos a cumprir as suas obrigações constitucionais.
Estamos a viver em Portugal momentos equiparáveis. Em tudo. Se os mecanismos judiciais ficarem entregues a si próprios, entre pulsões absurdamente garantisticas, infinitas possibilidades dilatórias que se acomodam nos seus meandros e as patéticas lutas de galos, os elementos de prova desaparecem ou são esquecidos. Os delitos ficam impunes e uma classe de prevaricadores calculistas perpetua-se no poder. Face a isto, há quem no sistema judicial esteja consciente destas falhas do Estado e, por uma questão de honra e dever, esteja a fazer chegar à opinião pública elementos concretos e sólidos sobre aquilo que, até aqui, só se sussurrava em surdinas cúmplices. E assim sabe-se o que dizem as escutas e o que dizem as gravações feitas com câmaras ocultas que registam pedidos de subornos colossais. Ficámos a conhecer as estratégias para amordaçar liberdades de informação com dinheiro do Estado. E sabemos tudo isto porque, felizmente, há gente de honra que o dá a conhecer.
Por isso, eu confio no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara com quem quer que fosse. Fê-lo porque achou que nelas haveria matéria de importância nacional. E há. Confio no Juiz que autorizou as escutas quando detectou indícios de que entre os contactos de Vara havia faces até aqui ocultas com comportamentos intoleráveis. E, infelizmente o digo, confio, sobretudo, em quem com toda a dignidade democrática e grande risco pessoal, tem tomado a difícil decisão de trazer ao conhecimento público indícios de infâmias que, de outro modo, ficariam impunes. A luta que empreenderam, pela rectificação de um sistema que a corrupção e o medo incapacitaram, é muito perigosa. Desejo-lhes boa sorte. Nesta fase, travam a batalha fundamental para a sobrevivência da democracia em Portugal. Têm que continuar a lutar. Até que a oposição cumpra o seu dever e faça cair este governo.
MÁRIO CRESPO JORNAL DE NOTÍCIAS 16.11.2009
.
Nota: Eu confio....no Mário Crespo!

domingo, 15 de novembro de 2009

Mais uma Sondagem

Desta vez é aqui, na coluna da esquerda.

Votei há pouco e os resultados eram os seguintes:

O modelo de avaliação dos professores deve...

Ser suspenso: 33% (2782 votos)

Ser reformulado: 42% (3538 votos)

Ser mantido: 26% (2183 votos)

Toca a votar e a divulgar por mail, como fez a Anabela.
Gracias, Guapa!


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Poesia em dia de aniversário

Liberto

Voo, a palmos do chão,
ziguezagueando, em acrobacias.
De cima, posso moldar-me
ao vento,à chuva, ao frio.
Se me permite o voo,
os elementos desafio.
Sigo-os como igual,
desabrido, ao natural.

maria eduarda


Este texto da Dudú estava em rascunho há dias, à espera do clique que o trouxesse à superfície.
Exprime o que sinto nestes tempos de tormentas.
É que a poesia tem esta vantagem, permitir tantas leituras quantos os leitores.

Aniversário

Faz hoje anos a amiga blogosférica, a poeta de alma africana-alentejana que em mim evoca o Cesário.
Parabéns Dudú.
Que cumpras muitos mais, com saúde, amor e tranquilidade.

O meu desejo era enviar-te flores, cheirosas, carnudas, vivazes.
Deixo-te estas flores virtuais e muitos beijinhos.


terça-feira, 10 de novembro de 2009

Para já, calendário!

Proposta de calendário negocial nos próximos dias

Na próxima semana penso que já teremos uma proposta de calendário negocial, com a revisão do Estatuto da Carreira Docente em primeiro plano. Aí será possível uma abordagem mais específica das matérias que neste momento mais preocupam os educadores e professores, sublinhou Mário Nogueira, à saída da primeira reunião com a nova Ministra da Educação, Isabel Alçada, nesta terça-feira, 10 de Novembro.

Dirigida pelo Secretário Geral, a delegação da FENPROF integrou António Avelãs (SPGL), Manuela Mendonça (SPN), Anabela Sotaia (SPRC), Joaquim Páscoa (SPZS), Paulo Cafofo (SPM) e Clara Torres (SPRA).

"Nesta primeira reunião foi possível uma abordagem larga de um dossier de temas que neste momento preocupam as escolas e os professores, na perspectiva, naturalmente, da alteração de quadros legais", observou Mário Nogueira, no final da reunião. O dirigente sindical sublinhou a urgência das medidas a tomar pelo ME, afirmando, a propósito da avaliação, que "não tem sentido continuar (com o actual modelo), para daqui a três meses termos uma avaliação diferente".

No diálogo com os jornalistas - em peso na 5 de Outubro -, Mário Nogueira lembrou que avaliação é um dos aspectos centrais, mas está intimamente ligado com outras matérias também essenciais. O Secretário Geral da FENPROF apontou questões como os concursos e a necessidade de realização, já no próximo ano, de um novo concurso para colocação de professores; a aposentação; e os horários de trabalho ("é urgente corrigir o que está mal"). / JPO

Fonte SPRC

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Carta aberta à nova Ministra da Educação

Carta aberta à nova Ministra da Educação da iniciativa da Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP).

Pode ser lida e assinada em:
http://www.petitiononline.com/CA031109/petition.html

Pela revogação do ECD

Abaixo-assinado on line pela revogação do ECD, aqui:
http://www.fenprof.pt/AbaixoAssinado/RevogaECD/

Embora não seja recente, continuamos a tempo de o assinar.

Obrigada pelo link, José P

ME: uma aventura para sempre?!?

Vamos lá começar o dia em beleza com a descoberta da investigadora Anabela Magalhães.

O mistério, a haver: como é que ainda conseguimos manter o bom-humor!


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Esmiuçando o Diálogo

Vai ficando cada vez mais claro o TIPO DE DIÁLOGO que nos espera nos próximos tempos.
Sem mais comentários, veja e oiça:
.

.
E, já agora, se viu, reveja.
Se não viu, aproveite esta Nova Oportunidade.

Talvez seja melhor começarmos a pensar se vamos ficar-nos pelos sorrisos.


.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

CAMPANHA FNE - TEMPO DE TRABALHO

Exigimos respeito pelo horário de trabalho! Vamos denunciar os excessos.

Preenche o teu horário de trabalho aqui.

video

Copiadíssimo daqui.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sondagem

Estás de acordo com a suspensão deste Modelo de Avaliação De Doidos?

Então segue o link até à página da Direcção Regional de Educação do Centro - (DREC), no PROF 200, e vota na sondagem (lado direito da página) sobre o actual Modelo de Avaliação.

Ah! E passa a mensagem!

VOTAR NA SUSPENSÃO DO MODELO DE AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO: http://www.prof2000.pt/

A LUTA CONTINUA!

Votei agora. 98% quererá dizer alguma coisa?

Obrigada pelo aviso, Anabela.

"A incompetência levada ao limite do inimaginável"

Tal como acontece frequentemente, encontrei este texto via A Educação do Meu Umbigo, do Paulo Guinote.
Li-o com atenção e de imediato me pareceu necessário ampliá-lo. Pode ser um texto comprido. É, sobretudo, uma análise muito bem feita sobre um assunto importante que não recebi por mail, logo passaria despercebido.


O Diário da República publicou, há nove dias (21 de Outubro), uma portaria que é mais um exemplo da inimaginável incompetência do Governo cessante (e, por extensão, do actual, pois o primeiro-ministro é o mesmo e os principais ministros também). Essa portaria, n.º 1317/2009, vem assinada pelo ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, e pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos. O primeiro tem a injustificada auréola de muito competente, o segundo tem a justificada auréola de muito incompetente. Ao assinarem o que assinaram, ambos fizeram jus, respectivamente, à injustificação e à justificação das suas auréolas.
Esta portaria veio estabelecer o regime (transitório) de avaliação de desempenho dos professores que, no ano lectivo 2008-2009, exerceram funções nos conselhos executivos, ou nas comissões executivas, ou nas novas direcções das escolas, assim como dos professores que exerceram as funções de director de centro de formação.
O conteúdo desta portaria raia o absurdo. O conteúdo desta portaria revela, pela enésima vez, como somos governados por pessoas que não estão minimamente qualificadas para as funções que exercem.

Vamos por partes.

1. Esta portaria dita as regras para a avaliação do desempenho daqueles professores num ano lectivo específico: 2008-2009. É o desempenho desse ano lectivo que é objecto de avaliação e nada mais. Convém não esquecer isto, na análise que se segue.

2. O sistema de avaliação estabelecido na portaria assenta, exclusivamente, na classificação do que a portaria apelida de elementos curriculares. São eles: habilitações académicas (10%), habilitações profissionais (25%), formação profissional (25%) e experiência profissional (40%).

3. Nas habilitações académicas atribui-se 5 pontos a quem é doutor ou mestre, 4 pontos a quem é licenciado e 3 pontos a quem é bacharel.
a. Primeira aberração: se o que vai ser avaliado é o desempenho de alguém no ano lectivo 2008-2009, que tem isso que ver com a habilitação académica que esse alguém possui? Está a ser avaliado o seu desempenho ou o seu currículo?
b. E mesmo que fosse o currículo a ser avaliado, com que fundamento se pontua do mesmo modo um doutoramento e um mestrado? Têm o mesmo valor académico? Desde quando e para quem? Mais: que fundamento, que seriedade tem diferenciar com um ponto o doutoramento da licenciatura? Para o ministro Teixeira dos Santos e para o ex-secretário de Estado Valter Lemos, doutoramento, mestrado e licenciatura é o tudo o mesmo ou quase o mesmo?

4. Segunda aberração. A segunda aberração é sequência da primeira. Repete o mesmo inconcebível critério de, nas habilitações profissionais, atribuir a mesma pontuação ao doutoramento e ao mestrado em administração escolar ou administração educacional. E continua a diferenciar com um ponto o doutoramento de uma pós-graduação, naquelas áreas. E a diferenciar com dois pontos um doutoramento de qualquer outra formação em administração e gestão.

5. Terceira aberração: para avaliar o desempenho do ano lectivo 2008-2009, o ministro Teixeira dos Santos e o ex-secretário de Estado Valter Lemos consideram justo, adequado e pertinente atribuir 5 pontos a quem tenha mais de seis anos de exercício de funções como membro do órgão de gestão e administração, seguidos ou interpolados; 4 pontos a quem tenha mais de três e até seis anos; e por aí fora. O conceito que o Governo tem de avaliação é isto, é esta aberração: avalia-se o desempenho de um ano lectivo pelo número de anos em que alguém já exerceu essas funções!!! E até pode ter desempenhado essas funções há vinte anos, que não interessa, desde que atinja o número mágico de seis anos, tem a pontuação máxima. Como não interessa igualmente se nesses seis anos desempenhou bem ou mal essas funções, tem na mesma a pontuação máxima.
Estamos a ser governados por pessoas que não só não têm qualificação para o que estão a fazer como não tem pudor em legislar enormidades destas.

6. Quarta aberração. Um outro critério para a atribuição de 5 pontos (pontuação máxima em tudo) é a escola ter tido uma classificação igual ou superior a Bom, no domínio da liderança, na avaliação externa a que tenha sido sujeita. Ora, como, em alguns casos, a avaliação externa recaiu sobre o ano lectivo anterior ao que estava a ser realizada, e no ano lectivo anterior era outro o conselho executivo, quem vai apanhar com os bons ou os maus resultados é quem pode não ter nada que ver com o objecto dessa avaliação, porque, simplesmente, não exercia funções no tempo sobre o qual recaiu a avaliação. Este é o rigor, é a objectividade e a fiabilidade da avaliação que o Governo pratica.

7. Aberração final. Para não ser demasiado longo, há uma última pergunta que é anterior a tudo o que acima foi exposto: é aceitável, é possível, ou é sequer imaginável realizar-se um jogo e depois do jogo concluído serem elaboradas as regras desse jogo?
Isto é possível, isto é imaginável? Esta portaria saiu em 21 de Outubro e estabelece as regras para avaliar o desempenho de um mandato que, na maioria dos casos, terminou no mês de Junho do ano lectivo anterior, isto é, há quatro meses.
Por exemplo, estipula-se, agora, depois do jogo finalizado e depois dos jogadores terem recolhido ao balneário, de terem tomado banho e de terem regressado a suas casas, que se dá 5 pontos a quem frequentou acções de formação com mais de 25 horas, e 4 pontos a quem frequentou acções de formação entre 10 e 25 horas, e por aí fora. Estipula-se, agora, depois do jogo finalizado, que se dá 5 pontos a quem criou cursos profissionais ou CEF e cursos EFA, e 4 pontos a quem criou apenas cursos profissionais ou CEF, e por aí fora. A posteriori informa-se que são estes os itens avaliativos.

Como é possível que nem nas coisas mais elementares haja uma réstia de seriedade? Onde chegámos nós, como país?
Mesmo no Terceiro Mundo, não deve ser fácil encontrar situações destas.

Por Mário Carneiro in O estado da educação e do resto
30/10/2009

Quem deve receber prendas hoje, quem é ?

Há já dias que a Anabela Magalhães, do blogue homónimo, nos brindou com o prémio " Em Defesa Do Nosso Rio" por termos ampliado, aqui no jardim, a desgraceira do seu/nosso Tâmega.
Este é o selinho que nos endereçou:


Mais faríamos se não andássemos tão atolados noutra sorte de lodos pestilentos, os da educação, que nos sugam tempo e energia.
Mais e Melhor é nosso dever fazer pelos nossos rios, serras, cidades, pela nossa Terra que tão maltratamos.

Porque estávamos atrasados no agradecimento e, principalmente, porque quem merece prendas hoje é quem nos premiou, aqui fica o brinde à saúde do escorpião azul:

Por muitos e bons!

domingo, 1 de novembro de 2009

Desabafo Excelente

Oh! como gostava de subscrever na íntegra este texto da Teresa !

Para o poder fazer, faltam-me duas coisas: não ter entregue a FAA (Ficha de Auto-Avaliação), consequentemente, não ter sido avaliada pelo modelo MLR; e ter a capacidade da Teresa para, no meio de tanta adversidade, crescer profissionalmente com esta qualidade (ver partilha a 23 de Outubro ou na coluna lateral ).

Na vertigem dos dias, não julguem que ando alheada.
Passeio-me silenciosa e solitariamente algures entre a expectativa e a esperança de que os sacrifícios feitos em nome da coerência, da protecção do bem maior que são os alunos, do desenvolvimento de projectos (educativos) com sentido, do meu crescimento profissional e melhor desempenho junto dos alunos, não tenham sido em vão. Ainda possuo uma réstia de crença de que não me será oferecido apenas mais desencanto para além do já vivido, a que se juntaram coisas tristes como uma certa notificação, a não avaliação (por conta da não entrega de ois e não entrega da FAA formal, mas sim de um documento alternativo acompanhado do meu currículo), a estagnação ("financeira") na carreira por não ter alinhado com o concurso (injusto e arbitrário) para titular (com lugar garantido nas vagas disponíveis).

Às vezes dou comigo a pensar que esses títulos (apesar de mais bem remunerados e valorizados hierarquicamente na escola) não contam em lado nenhum do planeta como válidos... Ser titular será critério para aceder a mestrados e doutoramentos neste ou noutro país? Garante convites de instituições de ensino superior? É fundamentação para solicitar acreditação como formador? Será garantia de qualidade e de competência profissional aceite com confiança pela sociedade, sem qualquer sombra de dúvida?
Pois...
Fica clara a farsa de um sistema que apenas tem serventia neste medíocre e empobrecido sistema escolar, potenciando e sustentando míseros e promíscuos poderes, hierarquias estranhas... que têm colocado frequentemente o menos competente a avaliar, a controlar e a mandar no mais competente.
Absurdo mas real.

Por tudo isso... já só consigo aguardar.
É uma espécie de silêncio ferido.
Por enquanto vou fazendo tudo o que precisa de ser feito, porque os alunos não têm culpa e precisam de ser protegidos de tão estranhas e arbitrárias (economicistas?) leis e mantidos o mais a salvo possível de tão bizarras, desinteligentes, e perigosas governações.

Depois?
Veremos...

Da ministra... nem sinal!

No passado fim-de-semana, anunciava-se: Terça-feira tratamos dos professores.

Sem muita esperança, lá ficámos à espera da terça, e nada.
Continuámos à espera ao longo de toda a semana, e nada!
O prazo de 30 de Outubro expirou (data limite para a fixação dos calendários da Avaliação De Doidos para o ano em curso), e nada!

Continuamos a aguardar, agora já com Secretários de Estado empossados, cada vez mais, por mim falo, a desconfiar que a coisa vai ser como a pinta o Antero:



Uma só certeza: teremos o que soubermos merecer!

sábado, 31 de outubro de 2009

Saudades!!

Sinto saudades do tempo em que eu gostava de ir para a escola. Do tempo em que tirava as minhas dúvidas com as minhas colegas de grupo. Do tempo em que fazíamos materiais e os partilhávamos como se fosse uma fatia de um bolo que nos tinha saído bem. Do tempo do coração aberto e da mão estendida, pronta a receber de todos o que de todos viesse.
E, nesse tempo, era feliz.As conversas na sala de professores em cada intervalo, sobre o sério e o não sério, sobre os alunos e outras vezes não...
A nossa familia estava ali.

E quando se vai e se está feliz no trabalho, não há trabalho. Há prazer!

Hoje, subo as escadas daquela escola e sinto-me arrastada. Entro na sala de professores e vejo grupos - por idades, por titularidade ou por falta dela, por terem pedido avaliação, por não terem pedido avaliação, por estarem descontentes com a avaliação, por estarem a cochichar contra os avaliadores e toda a gente a perceber,ou, tristes grupos à espera do toque, para mais uma aula que não se sabe se vai ser dada ou não, dada a insolência e má-educação de alguma turmas. (Só devia ser pai/mãe quem soubesse dar educação!)

Depois das aulas são as actas ainda em atraso e, depois, as reuniões e depois mais actas e, logo a seguir o relatório das actividades.

Hoje, li num jornal(DN) a seguinte frase : "Dá-se mais importância ao parecer que se tem mérito do que aos que têm verdadeiro mérito".

Apeteceu-me encaixilhá-la de tão verdadeira.
Tiro umas fotocópias dum qualquer livro,emolduro-as numa folha A4 com linha dupla, a seguir faço um "powerpoint" com o sumário para os alunos copiarem e ligo e desligo o projector de video.
A minha aula foi o máximo!
Ah, esqueci-me de dizer que também levei um leitor de CDs e dancei para eles a Billy Jean do MJ.
Sou tão boa! Eles aprenderam tanto!

E os professores com mérito(?) chegam a casa felizes.

Vem-me então à memória canção do Sérgio Godinho, que eu acho ser do António Gedeão "

"Sobe, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada
.................."

Carrascos e vítimas de si próprios!
E depois outra, do Miguel Torga:
" Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com a lucidez, te reconheças.

TORGA, Miguel

Trevo sem folhas

Nota: Este texto estava num comentário e achei bem "destapá-lo". É, com certeza, o que sente muita gente por essas escolas fora...eu incluída!!

E agora???

É a pergunta que fazemos em coro.
Maria do Rosário Gama avança uma resposta, hoje no Público.



quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Dia da Saia

Protagonizado por Isabelle Adjani, O Dia da Saia é um drama sobre uma professora, Sonia Bergerac, vítima de descontrolo emocional causado pelo stress incutido pela indisciplina dos seus alunos. Um dia descobre na sala de aula uma arma a sair de uma mochila, toma-a e, à falta de melhor solução, usa-a para controlar os alunos e poder tentar dar a matéria.

Um drama intenso que nos apresenta um rol de problemas habituais nas escolas francesas, mas também nas portuguesas, como indisciplina, abusos sexuais, racismo e até violência para com os docentes.

Um filme que aborda de uma forma provocativa, de tão realista, os problemas que os professores enfrentam no seu dia-a-dia na formação das nossas gerações futuras.



Bem-hajas pela dica, Janita

Mais informação em: http://www.festadocinemafrances.com/

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Aguardando desenvolvimentos

Vamos sorrindo com o Antero Valério... mas sem grandes entusiasmos.
A semana promete. Há que estar atento não nos traga ela...


Mais aparvalhanço


Qualquer dia chegamos lá, mais rápido que o TGV



video

Com os agradecimentos à Maria Azert, que nos fez chegar este vídeo.

domingo, 25 de outubro de 2009

Poesia no jardim

Não é só com as pandemias gripais que há que ter cuidados.
Neste tempo armadilhado de loucura e perversidade é necessário buscar alguns momentos profilácticos.
Hoje apeteceu-me poesia, daquela que ilumina o caminho. Encontrei-a no blogue Ler é Viver da Dudú.


Caminho

Afasto as areias
que encontro no caminho,
devagar, de mansinho.
Vou precisar delas
na minha vinda,
onde enfileiradas
me indicam
onde colocar o passo,
e convictas,
me marcam o lugar,
onde o meu ser tem espaço.
Maria Eduarda

sábado, 24 de outubro de 2009

Golpadas...

Mas que pressa é esta que lhes deu? Com que novo farrapito nos quererão enfarpelar?
A trapalhada continua ... (convites apressados poucas horas antes do encontro secreto com o PR?) ...
O desassossego também.

E a escola que aguente!




José Sócrates continua determinado em seguir em frente com este processo com a nova ministra da Educação, Isabel Alçada.
Para ouvir aqui.

Vamos lá levar a coisa a rir...

... que a chorar de pouco serve.
Agora digam lá se o Antero não apanhou bem esta do convite rapidinho para a "evolução na continuidade"?!?

Ah Antero excelente!


Fumo branco

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

IGE esmiuça melhoramento

Burocratas da IGE querem planos e relatórios de "melhoramento".
Sugiro que os mandem dar uma volta ao bilhar grande


Esta não lembra nem ao Diabo mas lembrou aos burocratas da Inspecção Geral da Educação. Depois da publicação dos rankings, que deixaram no fundo da tabela uma parte significativa das escolas mais adesivadas, os burocratas da IGE desceram às escolas e começaram a lançar novas exigências.

E aquelas mentes criativas inventaram mais uma pérola do eduquês. Para estas luminárias, não chegam os planos de recuperação, os planos de acompanhamento, os relatórios de recuperação e os relatórios de acompanhamento.

Agora inventaram os planos e os relatórios de "melhoramento". Linda palavra do léxico eduquês. Sugiro que acrescentem "dos aprendizes no decurso do processo de ensinagem". Fica mais lindo! E se os mandassem dar uma volta ao bilhar grande? Vão trabalhar!




E não é que já me foi pedido, o dito.

Como me tenho por bem educada, cá por mim, olhem: Vão aos papéis!

Não gosto deste começo!


22 de Outubro, 18:14


Governo: Isabel Alçada aventura-se na Educação

22 de Outubro, 9:55

Isabel Alçada desmente convite para assumir Educação

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Isabel Alçada aventura-se na Educação

A escolha de Isabel Alçada para a pasta da Educação é só uma meia surpresa. O nome da “bestseller” da Caminho vinha sendo apontado nos corredores do Governo desde que a escritora fez a apresentação da política educativa do PS na última campanha eleitoral.
Com 59 anos, Isabel Alçada deixa o cargo de coordenadora do Plano Nacional de Leitura, que ocupava desde 2006, para substituir Maria de Lurdes Rodrigues.

É conhecida nas escolas, sobretudo por causa da série infanto-juvenil Uma Aventura, que assina desde 1982 com Ana Maria Magalhães – juntas já publicaram para cima de 50 títulos.

E também conhece bem as escolas, por onde andou vários anos: em iniciativas relacionadas com os livros, mas também a dar aulas.

Licenciada em Filosofia, na Faculdade de Letras de Lisboa, começou a trabalhar no Centro de Formação e Orientação Profissional Psicoforma. Dali, ingressou nos quadros do Ministério da Educação, tendo participado na reforma do ensino secundário em 1975/76.

Neste último ano, decidiu seguir carreira como professora de Português e História. É casada com Emílio Rui Vilar, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian
http://publico.pt/1406443



Isto foi o que foi dito em campanha eleitoral....!!!
Vamos aguardar e ver o que será feito agora, noutro contexto...o da governação.

domingo, 18 de outubro de 2009

"ALGO HICIMOS MAL"

Palavras do Presidente Oscar Arias da Costa Rica na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, 18 de abril de 2009
.
"Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros. Não creio que isso seja de todo justo.Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país. Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres. Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta. Certamente perdemos a oportunidade. Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos, compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos. Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul. Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é um país com $40.000 de renda anual por habitante. Bem, algo nós fizemos mal, os latinoamericanos. Que fizemos errado? Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal. Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos. Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus. De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário. Há países que têm uma mortalidade infantilde 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10. Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países. Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos. Em 1950, cada cidadão norteamericano era quatro vezes mais rico que um cidadão latinoamericano. Hoje em dia, um cidadão norteamericano é 10 15 ou 20 vezes mais rico que um latinoamericano. Isso não é culpa dos EstadosUnidos, é culpa nossa. No meu pronunciamento desta manhã, me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado. Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo "num planeta que tem 2.500 milhões de seres humanos com uma renda de$2 por dia" e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000.000.000) em armas e soldados.*Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000*milhões em armas e soldados. Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo? Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infraestrutura necessária, os caminhos, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, certamente, de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas.Vá alguém a uma universidade latinoamericana e parece, no entanto que estamos nos sessenta, setenta ou oitenta. Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não dos latinoamericanos. E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobretodos os "ismos" (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo,liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo...) os asiáticos encontraram um "ismo" muito realista para o século XXI e o final do séculoXX, que é o *pragmatismo*. Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha: "Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos". E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que "a verdade é que enriquecer é glorioso". E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás. A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos. Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja pertodos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer. Muchas gracias."
.
Nota: Este texto devia ser LIDO E ASSIMILADO pelos nossos políticos.
O Luís Silva Rosa enviou com a respectiva recomendação...!!
De facto Luís, eu diria mesmo: de leitura obrigatória no Parlamento e em Conselho de Ministros.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A Teoria Da Adesivagem

Teoria Da Adesivagem
Imbuído de um forte espírito científico, continuo a tentar confirmar um postulado que acabei agora mesmo de formular: A adesivagem é inversamente proporcional à qualidade do ensino.
Para testar este postulado e numa ténue aproximação ao popperiano princípio da refutação crítica, procuro saber se se confirma ou infirma a seguinte tese:
Os alunos das escolas cujos PCEs andaram ao lado e à frente do M.E. na defesa e aplicação do modelo de avaliação do desempenho, num exercício de pura adesivagem, deveriam ter obtido PIORES resultados.

A escola do adesivo-mor, confirma a tese…
Procuremos então observar os resultados dos exames na escola de um gestor qualificado e empenhado na adesivagem às políticas do ME.
Procuremos um gestor com créditos. De preferência premiado.
E quem mais qualificado e mais premiado que o “líder que aceita as dificuldades como desafios“? Quem mais qualificado que o gestor escolar que ganhou o Prémio Liderança do ME?
Folheia-se uma, duas, trêsOlha, olha aqui está a Escola Secundária Quinta das Palmeiras. Este ano ficou em 362º lugar do ranking com uma classificação média de 10,38 valores.
No ano passado, antes do líder ter aplicado o modelo de ADD – o tal que, entre outras ilusões, ia melhorar os resultados escolares – e, naturalmente, ter ganho o prémio do M.E. a mesma escola ficou num honroso 204º lugar com uma média de 11,09 valores. Muito melhor que em 2009!!!
Mais uma unidade de gestão, neste caso gerida por um gestor premiado, que viu os resultados escolares piorarem depois de tanto empenho em aplicar o modelo de ADD.

Começo a temer que não seja possível refutar a minha tese…

Posted by Paulo Guinote in A Educação do meu Umbigo

Nota:......."Ganda Noia"!!

Parabéns!

Ontem recebemos, na caixa de comentários, a visita da Fátima André, editora do Revisitar a Educação, para nos deixar este mimo comemorativo do segundo aniversário do seu blogue:


A Fátima é uma doce professora que conhecemos ao vivo e a cores no Dia Feliz da Manifestação de 31 de Maio. O seu blogue espelha essa doçura, sempre cheio de boas dicas e sugestões de leitura, com um tom muito positivo sem fechar os olhos ao que está menos bem.

(É esta diversidade do mundo e da blogosfera que nos enriquece...)

Muitos parabéns, Fátima! Que continues o bom trabalho de partilha por muitos e bons anos!
Bem-hajas pelo selinho.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

EM NOME DE...

Pois é! Fazem-se sempre montes de coisas em nome de qualquer coisa. Porque a coisa mais importante é o nome. Tudo tem nome, o nome põe-se em tudo. Pousa e alapa, deixa uma marca indelével, pode até causar um estigma.

O nome por si só, enquanto substantivo, não é bom nem mau, identifica apenas. A partir daí, quando passa a adjectivo, cumpre uma porção de tarefas – classifica, caracteriza, julga, modela e desfaz.

Quando se fala e/ou se age em nome de... alguém, deve estar-se devidamente habilitado para o efeito, pressupõe-se uma responsabilidade assumida.

Se é em nome de... conceitos, é passível de se instalar a dúvida. Para a dissipar, é necessária a convicção do emissor e/ou a credulidade do receptor.

No nosso País usa-se e abusa-se da expressão, o que nos leva a concluir que como tudo o que é demais é moléstia, nem os propósitos nem os resultados são, por isso mesmo, os melhores.

Age-se libertinamente em nome da democracia, fala-se em nome do colectivo para alcançar o objectivo próprio, promove-se a greve em nome do trabalho, atenta-se contra a vida alheia em nome da justiça, e mais uma série de dislates em nome de... por aí fora.

Enfim, há um acentuado desnorte nos conceitos da nossa gente em nome dos quais se pretende encontrar um Norte.

Afinal, quando se fala ou age em nome de... não é em nome próprio. Ou porque já se o perdeu, ou porque ainda se não o encontrou.

De qualquer modo, estamos perante um problema de identidade. De nada nos serve estarmos a tapar os olhos ou assobiar e olhar para o lado. Habituámo-nos a que os vizinhos, os amigos e/ou o Estado resolvam os nossos problemas e quando a coisa falha, vivemos de expedientes em nome da sobrevivência.

O Norte raramente surge por acaso. Para o encontrarmos temos que nos munir dos conhecimentos e instrumentos adequados, acima de tudo temos que ter a vontade de o procurar e de o querer encontrar.

E o Norte é o que nós quisermos, é o nosso País, a nossa cidade, a nossa casa, a nossa vida. Porque é da nossa vida que se trata. Não leva ninguém a lado nenhum falar e/ou agir em nome disto ou daquilo quando, na verdade, o que conta são os interesses de cada um.

O que precisamos urgentemente de perceber é que esses interesses só poderão estar instalados com solidez nas nossas vidas, se houver um mínimo de convergência de vontades que permitam a criação de raízes que vinguem, que sejam convenientemente regadas e adubadas, e que a planta daí resultante, após as necessárias podas cresça forte, ordenada e sadia. Só então poderemos colher os desejados frutos.

Se os nossos interesses próprios não tiverem um (pelo menos) interesse comum, não tarda que se percam por entre outros, que nos aparecem vindos de todo o lado, maiores e já bem enraizados; ou que se percam ainda por os atirarmos uns contra os outros.

Os Partidos Políticos são o esteio do nosso sistema e a população vota em seu nome.

Há muito que deixámos de os ouvir falar nos seus programas porque estão desfasados da realidade actual, e ainda que não se questionem as suas intenções não podem dessa forma cumprir o seu nobre dever.

Cumpre-nos assumir a nossa quota-parte de responsabilidade por, integrados neles ou como cidadãos votantes, não termos ainda levado a cabo as reformas programáticas e o reposicionamento político para podermos votar na realidade e não em nome dela.

Ou queremos um País com vida própria em que Governo, Oposição e Cidadãos assumam a responsabilidade de o serem e conviverem sadiamente, ou não, mas depois apenas falaremos no seu nome.

Tudo o resto faz parte (ainda que com custos próprios) da crise existencial da nossa juventude democrática.

Luís Silva Rosa
.
Nota: Aos autarcas eleitos, que EM NOME DE PORTUGAL...se candidataram, o desejo de que governem honrando o seu próprio nome e o do seu País.
Nós cidadãos prometemos uma atitude crítica, cooperante e muito atenta.
Ao Luís um bem-haja por mais um contributo.

sábado, 10 de outubro de 2009

Notícia da Semana

BE, CDS/PP e CDU reafirmaram, ao longo desta semana, a promessa eleitoral de iniciar os trabalhos da nova Assembleia da República por mexidas no actual Estatuto da Carreira Docente, referindo, especificamente, a suspensão da divisão da carreira e do modelito de avaliação dos professores do duo Sócrates/Milú.
O PSD continua calado. Por que será?
O PS quer engonhar sob a desculpa do Orçamento de Estado.

Clicar para ampliar

Hoje o Expresso noticia a questão como a "Vingança dos Professores".
Parece-me um sentimento demasiado. Cá pela minha parte o que quero é Justiça.

A fonte deste poste foi uma vez mais o Paulo Guinote que, como sempre, faz uma análise sensata e lúcida, com um sorriso nos lábios.

É tempo de estar atento e pronto para a acção. Mais do que nunca!

Eleição dos poderes ou eleição dos valores?

Hoje é dia de reflexão porque amanhã vamos a votos.

Topei aqui com um excerto que me levou aqui à leitura integral do texto, que seguidamente transcrevo. Porque, afinal, somos nós e o nosso sistema de valores que vamos a sufrágio.

Não ilustro com rotundas, que as havia e muitas. Mas quem diz rotundas, diz...


Rotundas ou escolas, a escolha é sua

Os nossos valores, prioridades e preferências. De todas as eleições em que participamos, é nas autárquicas que mais nos damos a conhecer como povo. Porque olhamos mais para a pessoa que para o partido, quando escolhemos a equipa autárquica revelamos, por exemplo, o lugar que ocupa a seriedade ou a obra feita, e o tipo de obras, na nossa hierarquia de valores.

O poder local, que o lugar comum diz que foi a "maior conquista da democracia", é, sem dúvida, a democracia no seu estado mais puro. Eleitor e eleito, mesmo nas grandes cidades, conhecem-se e interagem mais do que na relação com o poder central. O princípio de aproximação máxima de eleitor e eleito, numa tentativa de limitar a impureza da democracia representativa aproximando-a mais da directa, é indiscutivelmente aceite. A própria União Europeia o consagra nos seus tratados através do princípio da subsidiariedade.

É exactamente essa a eleição que vamos ter no domingo. Através dela, temos instrumentos para impor os nossos valores e preferências.

O que nos tem dito o País sobre esses valores?

O país do caos urbanístico, de autarcas corruptos, de rotundas ajardinadas num país mais seco que húmido, de escolas sem jardins e mal equipadas, de edifícios megalómanos, supostos centros culturais... Tudo isto é o reflexo daquilo de que gostamos mais.

Não vale a pena culparmos os políticos. Se em cada aproximação de um acto eleitoral autárquico nos oferecem mais uma rotunda com uma espécie de escultura, a razão está em nós. Se o autarca não olha a meios para mudar a face da autarquia, e com isso ainda aproveita para arrecadar um bom dinheiro para si e para a sua família, sem qualquer disfarce e à vista de todos, a razão está em nós. Se um autarca condenado pelos tribunais e conhecido pelos seus eleitores se mantém nas corridas eleitorais e sabe que poderá ganhar, a razão está apenas e unicamente na nossa hierarquia de valores.

Sim, é verdade que o quadro legal de financiamento das autarquias consagra incentivos perversos. É verdade que promove a construção desordenada e em quantidade, sem qualquer qualidade para quem lá vive. Mas também é verdade que não revelámos no passado qualquer preocupação com isso na altura em que vamos votar.

Os autarcas sabem que uma grande obra - de cimento ou betão - que encha bastante o olho, dá votos. Sabem que dizer que têm na sua autarquia a maior qualquer coisa da Europa ou do mundo - em geral, um centro comercial - lhes pode garantir a reeleição.

Os autarcas também sabem que melhorar a escola onde andam as nossas crianças, investir no tratamento dos lixos, manter pequenas estradas, até em terra batida, em vez de querer as violentas auto-estradas, dificilmente lhes trará a reeleição.

Há algum tempo que alguns protagonistas políticos nos dizem para olharmos para o que podemos fazer para melhorar o País em vez de passarmos a vida a dizer mal dos políticos.

É nas eleições autárquicas, muito mais do que nas legislativas, que temos mais poder para fazer de Portugal um país moderno. E não o Portugal das rotundas ajardinadas com escolas degradadas.

Helena Garrido, Jornal de Negócios, 9 de Outubro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Glosa Impressionista


Pois a autora desta foto de um rio moribundo, legalmente cedida, tem razão: que bela pintura impressionista!
Pena que depois de ampliada a dita cause impressão contrária.

Mas o que me faz mesmo mesmo muita impressão é que alguns se obstinem em ver nela isto:

«[O Tâmega] Hoje seduz-nos mais pelo bucolismo das suas margens bordejadas a salgueiros e amieiros, de uma ou outra lavadeira, dos seus acidentes - golas, penedos, canais, ínsuas, areais - que mantêm nos seus nomes a referência às actividades humanas a que deram azo. A sua frescura comunica-se à cidade e convida aos passeios nas suas margens e aos desportos de água.»

Mas que líricos da treta!
Não são poetas. São petas.

É o Tâmega. Bem podia ser o Zêzere! Um e outro são de todos nós e gritam por socorro!

Quero ser espanhola, já!

Não é que me tenha esquecido do Dia do Professor.
Aliás, como podia, se este foi bastante atormentado por uma Avaliação De Doidos que, embora comatosa, ainda ataca.

Confesso-me pouco adepta das efemérides, apesar de lhes reconhecer a serventia de, ao menos em determinados dias, trazerem para a ribalta questões importantes.
Sou muito mais por aquela do «Natal é quando um homem quiser». E quem diz Natal...

Passada a data e perdida a esperança de produzir algo de original, tenho andado à espera de uma aberta para trazer aqui para o jardim os testemunhos excelentes de duas fantásticas professoras e bloggers que admiro (não o escondo e até o apregoo) por me parecerem uma das melhores formas de comemorar a data dedicada à nossa profissão.

Mas não é que hoje, no meu jogging de final de dia pela blogosfera, me deparo com uma carta de um primeiro-ministro aos professores do seu país.
Pronto, a Anabela e a Teresa ficam só enlaçadas a este postal. A leitura dos seus textos é, como de costume, comovente e imperdível.

Agora, tem a palavra José Luis Zapatero.

Carta abierta a los maestros

"Hoy celebramos el Día Mundial de los Docentes, instituido por Unesco hace 15 años para rendir homenaje al profesorado y al papel esencial que desempeña para una educación de calidad. Es un día para compartir logros y, también, para aceptar la responsabilidad de solventar, entre todos, carencias.

Ha llegado el momento para un Pacto Educativo que mire al futuro con ambición.

Maestros y maestras, profesoras y profesores españoles:

Nuestro país ha cambiado tanto en las últimas décadas que quizás algunos hayan olvidado que en los años 70 del siglo XX, España tenía, aún, personas analfabetas, que el acceso a la Educación no era universal, y que el nacimiento en uno u otro lugar podía ser tan determinante como la familia a la hora de planificar una existencia. Porque los sueños solían ser, para tristeza de muchos, del tamaño de sus precarias posibilidades.


Hemos avanzado mucho. Hoy nuestro sistema educativo se abre a toda la población y, fruto de este progreso, de este gran éxito colectivo, contamos con las generaciones mejor preparadas de la historia de España. Me habréis oído repetirlo, porque creo que es necesario valorar y reconocer el camino realizado para ser plenamente conscientes del que todavía queda por recorrer.

Pero nuestros logros educativos tendrán la dimensión que seamos capaces de trazar juntos y, por ello, creo firmemente que ha llegado el momento para un Pacto Educativo. Mi propósito es impulsar un acuerdo social y político que mire el futuro con ambición, con la ambición de un país que aspira a la excelencia y sabe que tiene en la educación la palanca principal para alcanzarla, un país que quiere que cada persona pueda llegar tan lejos en su formación como le lleven en su voluntad y su esfuerzo, sin otras limitaciones.

Para alcanzar ese nuevo horizonte educativo, cada Administración tendrá que asumir plenamente la responsabilidad que constitucionalmente le corresponde, cumplir con eficacia su papel. Desde 2004 el Gobierno de España ha doblado el presupuesto educativo, pero soy muy consciente de que para llegar más lejos, como es nuestro propósito, Comunidades Autónomas y Administración General del Estado debemos aumentar la inversión. Y no sólo la financiación es importante, también será necesario que toda la sociedad propicie el mejor de los entornos, para que vuestra tarea docente y el aprendizaje de los alumnos se desarrollen en las mejores condiciones y con la mayor calidad

Nunca España había tenido tanto potencial de futuro y nunca antes nuestro porvenir había dependido tanto de la educación, del conocimiento, de nuestra capacidad creadora e innovadora, que son la base del bienestar y de un nuevo modelo de crecimiento económico.

Sin vosotros, maestros y maestras, profesoras y profesores, sin el esfuerzo que día a día entregáis y enseñáis a la sociedad española, no habríamos podido llegar hasta aquí. Y no podemos construir un mejor futuro sin vosotros.

Por eso seguiré poniendo todo mi empeño en demostrar que la grandeza de un país debe medirse por el prestigio que se concede a sus maestros.

Sólo me queda daros las gracias."

José Luis Rodríguez Zapatero es presidente del Gobierno español.
El País, 05/10/2009

Imagem do Kaos acompanhada de comentário bem a propósito.