domingo, 31 de maio de 2009

Dia Feliz

Já fomos muitos mais, é certo.

Mas certo é também que hoje voltámos a encher a Avenida, aquela que tem o nome de Liberdade, ao qual hoje fizemos jus pela terceira vez.

O Sol intenso, aparentemente do lado daqueles que nestes quatro anos têm feito na educação uma política de terra-queimada, quase fazia desfalecer.
Pois podem estar seguros, o Sol e os outros, que a nossa razão não desfalece e a nossa voz não se cala. E ainda que doa continuaremos a defender a qualidade da educação.

Tivemos a brisa do nosso lado ensinando-nos que um qualquer ventinho varrerá para longe estas indignidades a que todos, professores, alunos e pais, fomos sujeitos.

Com persistência, o sol também há-de alumiar esta noite escura e triste que agora ensombra a escola. Confiemos... que ele há-de estiolar quem tentou virá-lo contra nós.

Dia feliz, pois. Duplamente feliz. Triplamente feliz.

Perto do túnel do Marquês construímos uma ponte viva de amizades blogosféricas. Mesmo sem ponto de encontro achámo-nos. Outra lição a tirar do dia: quando queremos muito os milagres acontecem.

Foi tão bom abraçar a Anabela, única e inconfundível. Quase todos os dias o fazemos virtualmente, entrelaçando as mãos através das palavras, das ideias, dos afectos. Desta vez conseguimos fazê-lo ao vivo e a cores, no meio da multidão semeada de muitos outros professores-bloggers, tenho a certeza. Oh que saudades dos ausentes: a Dudú, o Clap, a Elsa...

Toca o telefone. É a Fátima - seguida mais de longe mas com muita admiração - que vem aí. Não falta ao compromisso, a Fátima André, outro coração grande de partilhas e afectos. Nova sessão de beijos e abraços de contentamento genuíno, por estarmos juntas e por estarmos ali, de certo modo no nosso posto, como diria o Alegre.

Supremo prazer do dia: poder partilhá-las com os lírios desta casa. Ah que belo ramalhete!

De serviço à efeméride estiveram vários fotógrafos, de entre eles o amarantino Eugénio, já conhecido pelas respostas aprumadas que deu a certos deputados da "naçon". Mais uma coincidência feliz.

Aqui fica o registo, da minha máquina nas mãos já nem sei de quem, para termos a certeza que foi real.
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E foi assim ...

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De novo os lírios desceram a Avenida no meio de muiiiiiiiiitos milhares de professores vindos de todos os pontos do país.
E de novo um lírio foi captado pela TV (vídeo da SIC). Bem respondido Janeca!
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Gostaram da animaçãozita das fotos? Pois agradeçam à Teresa a inspiração.
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Manifestação de Professores - 30 de Maio



Nota: Prestem atenção ao nosso cartaz amarelo: QUALIDADE SIM.....FARSA NÃO.
Aparece ao minuto 1:11.

E...neste também, logo ao início.

Nós estamos detrás do cartaz a descansar...um pouco "estafaditas"!!

sábado, 30 de maio de 2009

É por estas e muiiiiiiiitas outras

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Que descemos a avenida!



Recebi esta mensagem. Fidedigna e verdadeiramente inacreditável.

Toca o telefone.
- Fui convidada pela DGIDC para ir receber formação sobre o novo programa de LP – ensino básico. Depois vou dar formação nas escolas. Dão uma redução de horário de 50%. Que achas?

- !!!- Que achas?

Lá lhe disse o que achava. Que isto era Portugal e o ME no seu melhor. Com franqueza disse-lhe que achava inacreditável que uma pessoa não licenciada em Português, incapaz de enviar um e-mail – parte da formação será através de uma plataforma tipo moodle -, que nunca foi formadora, que nunca leu um livro de didáctica, que dificilmente será capaz de ler o programa na totalidade, quando mais estudá-lo, quanto mais percebê-lo, tivesse sido convidada pela DGIDC.

Esta é a DGIDC que temos e se calhar, merecemos. De certeza que há mais «formadores» deste jaez convidados. A colega está espantada: como a terão descoberto? (Concordou com tudo o que eu disse). Eu também, e muito preocupado: quem irá aparecer em Lisboa para receber formação de 2 dias? E estas pessoas vão dar formação? É fado nosso.

Faz-me tudo isto lembrar um Ministro da Educação dos anos 80 que declarou numa das suas primeiras aparições:

- Eu até já dei umas aulas de Português. E disse aonde, etc…

Regressa, Eça. Ou melhor, permanece.

Estamos aqui

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Em defesa de escola pública com futuro.


Agora sim!

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Pela segunda vez neste blogue mas sem vozes de paniiiisga!
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AGORA SIM!!



Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar,
Agora sim, eu sinto optimismo,
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!!

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer,
Agora sim, só vejo gente boa,
Vamos em frente e havemos de vencer !!

Agora sim, cantamos com vontade!!
Agora sim, eu sinto a união,
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!!

Como é que se pode desistir?

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Afinal não estava tudo contra nós!

Afinal, as vozes de pais, alunos e de outros, que nada têm a ver com a escola, que nos diziam: continuem, estão a dar uma lição de cidadania a este país! não eram tão poucos quanto alguns queriam fazer crer!


Dados globais sobre a má influência dos diversos intervenientes no processo educativo:

Professores: 23,2%
Pais e Associações de Pais: 24,4%
Sindicatos: 30,3%
Alunos: 48,4%
Governantes e ME: 56,6%


Dados relativos às chamadas classes A e B (camadas teoricamente mais abastadas e culturalmente aptas):

Professores: 23,6%
Pais e Associações de Pais: 26,1%
Sindicatos: 36,9%
Alunos: 47,1%
Governantes e ME: 61,8%


O que está pior ou melhor do que há 20 ou 30 anos atrás:

Pior:

Disciplina dos Alunos: 63,7%
Intensidade do Estudo: 40%
Métodos de Ensino: 23,5%
Formação de Professores: 20,4%
Matérias e Programas: 19,4%
Equipamentos Escolares: 14,8%

Melhor:

Equipamentos Escolares: 60%
Métodos de Ensino: 40,7%
Formação de Professores: 39,9%
Matérias/Programas: 39,4%

Intensidade do Estudo: 27%
Disciplina dos Alunos: 13,9%


Dados da Sondagem publicada na Visão de 28 de Maio de 2009

esquematizados na Educação do meu Umbigo

Vozes que dão razão à nossa voz

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IMPERDÍVEL leitura.


Só é pena fazer mal aos olhos ler em andamento
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Filósofo José Gil diz que o Ministério da Educação “virou todos contra todos”
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De novo, um sábado em Lisboa

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.... por causa dos erros, das difamações, da incompetência...

Quem pode esquecer estas más recordações?

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Voa, voa! Para Lisboa

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Da mão do Antero Valério

Não vais????

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Roubo de post em cadeia: de http://clapclapcalppp.blogspot.com/ para http://anabelapmatias.blogspot.com/ e de lá para aqui.

Bendita partilha blogosférica!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vamos lá à Planificação

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Manifestação de 30 de Maio - Locais de concentração e percursos

Já somos muitos milhares.
Do Norte, do Centro, do Sul, de toda a área da Grande Lisboa crescem as inscrições nos autocarros e a organização dos professores e educadores nas escolas para virem todos juntos para a grande manifestação.
Porque vamos ser muitos milhares convém ter em conta os locais de concentração na zona do Marquês de Pombal:

Locais de concentração:
a) Os docentes provenientes do Norte e Centro concentram-se no Parque Eduardo VII.

b) Os docentes provenientes da área da Grande Lisboa e do Sul concentram-se na Rua Joaquim António de Aguiar (sentido descendente, é a rua que liga o Marquês às Amoreiras).

O percurso da manifestação terá a seguinte orientação:
Ordem de entrada na Manifestação: 1º Sul; 2º Grande Lisboa; 3º Centro; 4º Norte. (Madeira e Açores a ver no local)

A cabeça da manifestação sairá do final da Rua Joaquim António Aguiar / Praça Marquês de Pombal. Quando todos estiverem já na Avenida da Liberdade, deslocar-se-ão os docentes do Centro e do Norte, desde o final do Parque Eduardo VII, para a Avenida da Liberdade.
O desfile termina com uma concentração na Praça dos Restauradores.

Indicações para os autocarros:
Autocarros provenientes do Sul e da Grande Lisboa (via A2 - Ponte 25 de Abril) deverão dirigir-se em direcção a Marquês de Pombal - Avenida Duarte Pacheco - Rua Joaquim António de Aguiar, onde descarregam os docentes e seguem, pela Rua Artilharia 1, para a Alameda Cardeal Cerejeira, onde estacionam. No regresso os professores procuram os autocarros na Cardeal Cerejeira. (Nota - A Alameda Cardeal Cerejeira é a rua do Alto do Parque Eduardo VII, onde está a bandeira gigante).

Autocarros provenientes do distrito de Santarém dirigem-se, via Eixo Norte / Sul, para a Praça de Espanha, sobem a Avenida António Augusto de Aguiar e logo a seguir à lateral do Corte Inglês cortam à direita para a Alameda Cardeal Cerejeira. Os docentes dirigem-se depois a pé para a Rua Joaquim António de Aguiar, descendo o Parque Eduardo VII.

Autocarros provenientes do Norte e Centro deverão descarregar os docentes junto ao Marquês de Pombal e dirigirem-se para a Avenida da Liberdade, Restauradores, Rossio, Rua do Ouro, Rua do Arsenal (aberta nesta altura excepcionalmente) e daí para a Avenida 24 de Julho para estacionamento.
No regresso os professores vão ter com os autocarros, pelo mesmo percurso. O regresso destes autocarros far-se-á obrigatoriamente pela Avenida de Ceuta, que dá ligação ao Eixo Norte - Sul e à 2ª Circular (saídas para a A1 e A8).

Notas: Não esquecer que a Avenida da Ribeira das Naus está encerrada ao trânsito (é a avenida/rua junto ao rio no Terreiro do Paço) pelo que a aproximação a Lisboa não deverá ser feita pelo IC2 e eixo junto ao Tejo.

Convém que quem vem do norte e centro utilize a A1 ou a A8 e faça a aproximação ao Marquês de Pombal pelo eixo central (Campo Grande, Entrecampos, Saldanha, Marquês de Pombal). Em alternativa poderão dirigir-se ao Eixo Norte / Sul e sair para a Praça de Espanha e depois seguir pela Avenida António Augusto de Aguiar e descer para o Marquês.

Todos os passageiros devem ficar com o número de telemóvel do responsável do autocarro e do motorista.A Manifestação começa às 15h. Convém chegar antes.

Encontramo-nos todos AMANHÃ!

MANIFESTO CONJUNTO



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Encontramo-nos Sábado

1) Este governo desfigurou a escola pública. O modelo de avaliação docente que tentou implementar é uma fraude que só prejudica alunos, pais e professores. Partir a carreira docente em duas, de uma forma arbitrária e injusta, só teve uma motivação economicista, e promove o individualismo em vez do trabalho em equipa. A imposição dos directores burocratiza o ensino e diminui a democracia. Em nome da pacificação das escolas e de um ensino de qualidade, é urgente revogar estas medidas.

2) Os professores e as professoras já mostraram que recusam estas políticas. 8 de Março, 8 de Novembro, 15 de Novembro, duas greves massivas, são momentos que não se esquecem e que despertaram o país. Os professores e as professoras deixaram bem claro que não se deixam intimidar e que não sacrificam a qualidade da escola pública.

3) Num momento de eleições, em que se debatem as escolhas para o país e para a Europa, em que todos devem assumir os seus compromissos, os professores têm uma palavra a dizer. O governo quis cantar vitória mas é a educação que está a perder. Os professores e as professoras não aceitam a arrogância e não desistem desta luta: sair à rua em força é arriscar um futuro diferente. Saír à rua, todos juntos outra vez, é o que teme o governo e é do que a escola pública precisa. Por isso, encontramo-nos no próximo sábado.

Subscrevem:


Os blogues: A Educação do Meu Umbigo (Paulo Guinote), ProfAvaliação (Ramiro Marques), Correntes (Paulo Prudêncio), (Re)Flexões (Francisco Santos), Educação SA (Reitor), O Estado da Educação (Mário Carneiro), Professores Lusos (Ricardo M.), Outròólhar (Miguel Pinto), O Cartel (Brit.com, Advogado do Diabo) ...

E ainda:

Pérola de Cultura (Helena Feliciano), Escola do Presente (Safira), Anabela Magalhães, Bilros & Berloques, Sinistra Ministra, Revisitar a Educação (Fátima André), Sexo Grátis, Tempo de Teia, O Vento que Passa, Bioterra, Catarse, Mais3KD , Fénix Vermelha , Terras Altas, pé-ante-pé , Olhares, Olhai os lírios da Campos,

Os movimentos: APEDE (Associação de Professores em Defesa do Ensino), MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores), PROmova (Movimento de Valorização dos Professores), MEP (Movimento Escola Pública), CDEP (Comissão em Defesa da Escola Pública)


Adenda: lista actualizada de blogues subscritores no Movimento Escola Pública

e destaque no Público


" Mais uma razão para nos encontrarmos no sábado"

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Esta semana ocorreu uma morte trágica que trará consequências nefastas no futuro próximo.

No final desta semana será o enterro do sistema democrático escolar.
Com a nomeação dos directores pelas escolas do país, estão ditadas as exéquias do sistema democrático de eleição do órgão executivo da escola.

Tremendamente enlutado e angustiado, assisti à concretização das profecias que sempre fiz acerca do actual modelo de escolha do órgão executivo: manipulação, pressão, coacção, manobras nos bastidores, sobre os membros do conselho geral, numa escola secundária da região norte, para influenciar o seu voto. Como são poucos comparados com o universo de eleitores no sistema antigo, são muito mais permeáveis à pressão e manipulação. A maioria dos membros (mais de metade) são externos à instituição escolar, desconhecendo em absoluto o seu funcionamento pedagógico e burocrático; votam em função de critérios de carácter pessoal e/ou politico-partidário.

A direcção regional promulga os resultados em 24h…!
Apenas 21 pessoas determinam o modelo de gestão de uma escola; todos os outros membros da comunidade educativa são desprezáveis, tornando-se meros funcionários.

Fica definitivamente confirmado que a história repete-se: regressou-se a um modelo que existiu há mais de 35 anos… O túnel está escuro e pressinto que vai demorar muito tempo até ver luz no seu fundo…

Not only TV but also... RadioStar!!!

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Primeiro estreou-se na TV.
Com uma atitude calma e segura usou da palavra com clareza, incisão, correcção e desenvoltura, revelando muita fotogenia e presença de espírito.

Logo depois passou à bloguice.
Aprendeu as técnicas básicas num ápice, e o que não lhe ensinam experimenta e aprende por si própria, pois não é isso que faz um verdadeiro professor: aprender toda a vida?
Aventurou-se pela blogosfera e é vê-la por aí, neste jardim e nos alheios, colhendo informação, trocando ideias, ampliando e partilhando opiniões, recebendo com gentileza as visitas, dando conta dos aspectos positivos que ainda vamos tendo nesta vida de loucos, como um passeio pela nossa Estrela, sua homónima, ou trocando mimos com os seus meninos.

Agora podemos ouvi-la também na rádio, num animado diálogo com os políticos de carreira em campanha lá na mansão escolar, tratando um tema de vital importância: as relações dos jovens com a política.

Ora clique e oiça: http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=26&t=Candidato-do-CDS-PP-visitou-escola-secundaria-na-Covilha-e-percebeu-que-alunos-pouco-ligam-a-politica.rtp&article=222862

Está visto, temos comunicadora para as curvas e cabeça bem feita (quem foi que disse: antes uma cabeça bem feita, que uma cabeça bem cheia? Ai esta minha memória!) para escalpelizar problemas e buscar soluções.

Já adivinharam de quem falo, não é verdade?

Evidentemente, da STAR que alumia o nosso jardim.

Parabéns à entrevistada, pela qualidade das prestações. Parabéns à professora pelas evidências de excelência. Parabéns à companheira de luta pela coragem e coerência. E, the last but not the least, PARABÉNS À QUERIDA AMIGA, pela pessoa humana e solidária que é.

Não te deixo lírios, deixo-te uma rosa que está mais de acordo contigo.



quinta-feira, 28 de maio de 2009

"Das razões e da consciência tranquila"

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Um texto admirável. A Teresa tem este dom do manejo das palavras pontuadas de sentimentos e seriedade.


Não é porque tem de ser, porque 'bora lá todos juntos para provar que..., porque isto, porque esta cor... porque este grupo..., porque parece mal se não formos todos, porque unanimidades, porque mostrar aos outros que, porque...

Uma manifestação parece um gesto no colectivo mas, para alguns (muitos? espero...) é apenas a continuação de um somatório de gestos individuais coerentes (não apenas mais um grito isolado, frequentemente inconsequente para a pessoa que o dá, apenas para aliviar o sufoco que causa acatar, entre manifestações, tudo o que é imposto).
Não quero falar de estratégias de luta, comentar os gestos dos outros, porque o meu contexto de vida é o meu, as minhas razões são minhas e cada um é como cada qual. Escutei discursos como: tu tens jeito para fazer outras coisas, portanto se ficares sem emprego sempre podes fazer outra coisa (a propósito de não querer ser titular, ou de não entregar os ois.)... Tu não tens de concorrer, mas eu tenho e não quero ser prejudicado/a... Medos reais que invadem as salas de professores nestes tempos. Sei que muitos destes professores estarão presentes na manifestação... ajudarão a compor o número... mas... terão ajudado/ajudarão à causa?

Ainda tentei explicar a um ou outro colega que decidiram de voz bem alta não ir (os motivos variam de uns para outros... soberba diversidade!) as razões pelas quais vou. Mas já percebi que não (co)movo ninguém previamente decidido.
Partilho aqui hoje algumas reflexões dispersas sem a pretensão de convencer alguém. Estava prometido.

Nunca fui pessoa de ajuntamentos, de grandes grupos. Não tenho sequer um grande grupo de amigos, saio pouco e passo muitas das minhas horas sozinha. Gosto. Escolhi-me assim.
Vivi neste ano as minhas primeiras manifestações de rua. Não consigo preferir um clube, seleccionar um sindicato, tenho dificuldade em escolher porque gosto de escutar e de provar primeiro antes de decidir quais são em cada momento os meus divergentes caminhos. Já não considero isso um defeito: é mesmo uma questão de feitio que me molda desde que disse olá à vida.

Como não moro longe, se não tiver boleia, embora existam autocarros para nos levar, não farei o caminho em grupo. Aproveitarei a viagem solitária de combóio (gosto muito) para reflectir no próximo passo que se aproxima e é bem mais significativo do que este tão simples de escolher ir... e ir.

Quando decidi não entregar os ois não foi nem por birra, nem para aproveitar os buraquinhos das mal feitas leis. Como consequência fui notificada (?) e informada de que o 37 do ECD não se vai aplicar.
A decisão prendeu-se com outras causas. Sou convicta e visceralmente contra a divisão absurda e arbitrária da carreira, contra este modelo de ECD, desde a raíz das coisas, que transformou em avaliador qualquer um com ou sem competência para tal, por acaso ou sorte contextual e que funciona com indicadores, métodos e considerações que nada dizem sobre o nosso trabalho, consumindo em burocracias o tempo que agora já não há (também por conta dos seus desgovernos) nem sequer para o que interessa.
Essa foi a razão para não me candidatar a titular, para não entregar os ois, para não me calar nunca em todos os espaços à minha volta. Não pretendo ser avaliada por um modelo que nada me acrescenta e que tudo me retira, não me deixando crescer nem aprender mais, impedindo-me de ser melhor para os meus alunos.
Agora sim, a caminho do final do ano lectivo, quando não for buscar a folhinha que completa o ciclo infernal, passarei definitivamente para o outro lado e assumo até ao final uma posição que já teve consequências na minha carreira e poderá ainda vir a ter mais. E esse gesto será o último de um ciclo de luta com esperança, que continua a ser a minha, e que tem guiado cada gesto meu no contributo modesto para salvar um pouco do que ainda resta dos destroços à nossa volta.
Os meus alunos e os pais deles estão sempre do meu lado porque sabem bem o quanto desta luta tem sido em seu nome. É a eles que devo a minha lealdade. São eles as sementes do futuro que urge proteger. Não me negam apoio, mesmo quando a escola se esquece de quem vive lá dentro e do que é importante.

Continuo a acreditar que é possível uma luz no próximo ano lectivo. Disse e fiz o possível nestes anos para estar do lado da solução. Durmo tranquila.
Agora aproxima-se também a oportunidade de ainda dizer/fazer mais coisas em cada uma das eleições que se aproximam. O meu voto está decidido e não passará nunca mais pelo partido que agiu sem inteligência, sem rigor e de forma hostil contra o bem mais precioso da Nação (a não ser que se perceba um dia uma convincente mudança de rumo e de gentes). Mas também não voltará a ser (cheques) em branco como os das últimas duas eleições, onde o meu desencanto com a política, depois de uma vida a votar PS, atingiu o pico máximo e na hora H não me permitiu escolher coisa alguma.

Mas, tal como já disse. É o meu voto, a minha decisão.
Não vou tentar sequer convencer ninguém.
A inteligência de cada um é como cada qual.
Tenho as minhas razões.

Dia 30 estou lá, porque assim decidi e por mais coisa nenhuma.

Da mão da Teresa

Últimas e IMPORTANTES

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Outra razão para não deixarmos de ir...
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Visão, 28 de Maio de 2009

A edição de hoje – para comprar e guardar, depois de colocar umas páginas nas salas de professores e demais lugares públicos do país - traz uma matéria bastante extensa, com variados testemunhos, sobre o estado da Educação em Portugal.

Mais importante: traz os resultados de uma sondagem feita especificamente sobre este tema que é exaltante para os professores e demolidora para políticos, eduqueses e albinos.

Ao contrário de tudo aquilo que por vezes nos querem fazer crer – a começar pelos carpideiros do «o povo não quer saber de vocês» – a opinião pública continua a ter os professores na mais elevada consideração, considerando-os os menos responsáveis pelo estado negativo em que se considera estar a Educação.

A sondagem não foi encomendada por nenhum sindicato ou blogue. Não é desinformação, nem nenhuma manobra esconsa de conspiradores. Deveria ser lida com atenção pela equipa da 5 de Outubro, pelo pai da Nação e pelos presidentes de Conselhos e Observatórios da treta (caso se prove que sabem ler sondagens desagradáveis e que colocam os professores como os menos responsáveis pelo estado de coisas).

A seguir na Educação do meu Umbigo


10 milhões de euros em meio ano de trabalho?!

Na casa da Anabela


Sócrates, em comício em Castelo Branco, faz demagogia com a educação e reafirma bondade das políticas educativas

Tarde demais?

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Nestes últimos anos, o trabalho nas escolas tem crescido, como todos (?) sabemos, de forma exponencial. No entanto não é propriamente da quantidade que nos queixamos, desengane-se quem dá ouvidos às más línguas.

Queixamo-nos sim da natureza, da (falta de) qualidade do mesmo. Ele é papelinho para isto e papelinho para aquilo, emails para cá, emails para lá, formulários electrónicos para concursos, para planos, para projectos, pedidos de pareceres, relatórios para tudo, legislação torrencial, desarticulada e incoerente que é preciso ler, decifrar, aplicar e reaplicar, grelhas, matrizes, páginas do ME, do Gave, da ANQ (do raio que os parta, como se não houvesse melhor literatura!) para vigiar todos os dias...

Ah, já para não falar das fichas e quejandas evidências da celebérrima farsa que é a Avaliação De Doidos, vulgo ADD, a que alguns teimam chamar Avaliação de Desempenho Docente. Que dessas me excluí!

Claro está, assim resta pouco tempo para o que realmente importa: preparar aulas, corrigir trabalhos, imaginar, inovar, colher informação, fazer (auto)formação... e LER, minha gente, simplesmente LER, porque apesar dos PNLs (Planos Nacionais de Leitura) cada vez tenho menos tempo e olhos para tal, infelizmente.

Ora aconteceu que, por entre as pingolas grossas deste dilúvio, as primeiras investidas da equipa que ainda nos tutela passaram bastante despercebidas. Foi o Estatuto, depois o Concurso para Titular , as quotas, e só quando chegou o infausto modelito da ADD, o absurdo dos absurdos, é que o "people" estremeceu e acordou.

Tarde demais?

Os professores protestaram ordeiramente nas ruas, fora das horas de trabalho. Manifestaram a sua indignação em moções, petições, abaixo-assinados. Mostraram o seu repúdio perdendo dias de salário em greves a aulas que, de um modo ou de outro, tiveram que compensar.

Pelo caminho muitos cederam, por inércia, desconhecimento, oportunismo, medo, falta de convicção, de coerência, de dignidade. Alguns até porque sim. 70 000 de 140 000, segundo as contas que por aí circulam.

E agora José? diria o Drummond. Tarde demais?

Agora aí está Lisboa à nossa espera, de novo, no próximo sábado. E a primeira das três eleições deste ano uma semana depois.

A crer no ditado popular: não há mal que nunca acabe.

Está nas nossas mãos pôr-lhe o ponto final.
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"10 razões para ir à manifestação"

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Longe de mim querer entrar na Guerra dos Números, mas serão só mesmo 10?



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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Continuando numa de recordações...

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... para quem já esqueceu.

Burros, chantagistas, preguiçosos foram só alguns dos mimos com MRL e companhia nos brindaram.

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Ah triste povo que amocha, quão merecerdor é de canga!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Para quem tem memória curta...

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... vamos lá então relembrar certos factos.

Ou como diria uma celebridade daquelas de que este país tanto gosta, vamos lá fazer um "rewind para trás"...
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Não me agarrem que eu vou à manifestação!

Manifestação do Adeus

. Agora sim? ou Agora não? ou vão sem mim que eu vou lá ter?

Para mim não há que ver, é: Agora SIM!
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E no dia das eleições também lá estarei, a votar!

Adivinhem, será: agora sim ou agora não?

AGORA SIM!!

( com força e garra)
Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar,
Agora sim, eu sinto optimismo,
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!!

(“voz de paniiiisga”)
Agora não, que é hora do almoço,
Agora não, que é hora do jantar,
Agora não, que eu acho que não posso,
Aaaamanhã vou trabalhar!!

( com força e garra)
Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer,
Agora sim, só vejo gente boa,
Vamos em frente e havemos de vencer !!

(“voz de paniiiisga”)
Agora não, que me dói a barriga!!
Agora não, dizem que vai chover,
Agora não, que joga o Benfica!!
E eeeeu tenho maaaais que fazer!!

( com força e garra)
Agora sim, cantamos com vontade!!
Agora sim, eu sinto a união,
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!!

(“voz de paniiiisga”)
Agora não, que falta um impresso
Agora não, que o meu Pai não quer!
Agora não, que há engarrafamentos,
Vããão sem mim que eu vou lá ter…
“ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “…..
“ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “ “…..

Nota: Desculpa a intromissão Bugs...mas aqui está a letra para irem treinando...!!
Beijinhos da vossa Star!!

via Anabela Magalhães

Hoje, Novas Oportunidades

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Hoje, 26 de Maio: Paralisação nos dois primeiros tempos da manhã (até às 10.30 horas).

Nova oportunidade para mostrar a nossa indignação agindo em conformidade.

Será que vamos ouvir as mesmas desculpas: "eu tenho CEFs", "eu, Profissionais", "eu por isto", "eu por aquilo"...

São apenas 2 tempos. Alguém morre à fome?

Claro que só se pode indignar quem tem dignidade.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

TURBULÊNCIAS

O Inverno terminou em beleza e a Primavera apresentou-se com pujança.

Valha-nos isso para podermos ter pelo menos a ilusão de desanuviar, de aligeirar a carga, dada a pressão que ultimamente tem vindo a acentuar-se sobre as nossas bombardeadas cabeças.

Na realidade, e ao contrário da recente metereologia, neste mês de Março temos sido confrontados com uma chuva de notícias que desde a borrasca miudinha, passando por águas torrenciais até ao granizo do tamanho de ovos de avestruz, não faltou nada.

O cidadão comum, mal abre as televisões, as rádios e os jornais, tem sido (e continua a ser) confrontado em simultâneo com notícias nada animadoras relativas à malfadada crise e à (falta de) segurança. Se lhes juntarmos pedófilos e afins, desgraças passionais, incêndios a destempo e a famigerada (des) educação, o painel de notícias fica completo, ou talvez não, porque as lusas gentes têm a inusitada capacidade de aguentar sempre mais umas pinceladas extra, por mais negras que sejam.

Um País que se dá ao luxo de em plena crise ter um Estado que faz uma fuga para a frente em vez de enveredar por uma gestão cuidada das despesas públicas, por não aumentar impostos, por incentivar a economia privada e mobilizar os portugueses para uma luta conjunta, é um País sem rumo, por mais loas que apregoem os homens do leme.

Se não houver a capacidade de inverter rapidamente esta viagem para o abismo, se formos vivos teremos de enfrentar dentro de alguns (poucos) anos os dedos em riste dos nossos filhos e netos, acusadores reais da nossa inércia e do nosso afundanço.

No meio desta profusão noticiosa de descalabros em catadupa, distinguimos vozes de economistas e sociólogos avisados e avisadores, falando a contra ciclo na espinhosa esperança do milagre de serem levados em conta… num País de faz de conta.

Não vêm com boas notícias, mas dão um grito de alerta que, em nossa opinião, deverá ser levado muito a sério, um grito de angústia pelo seu País hipotecado e a caminho da falência a curto prazo (4 ou 5 anos), pronto a ser engolido por uma solução ibérica ou outra qualquer encontrada pelos mandantes detentores do crédito que nos negam.

Entretanto, olhando à nossa volta, apesar das notícias e avisos, da frenética política de seguidores e contras, Lisboa permanece fluindo, aparentemente alheia às tempestades que não venham da Mãe Natureza.

As pessoas parecem preocupadas apenas com as suas próprias vidas, e mesmo uma ambulância a forçar passagem pelos carros da avenida, tem o mesmo efeito que um bêbedo a tentar acertar com a chave na fechadura.

O cidadão foi anestesiado pela vida moderna. Busca na rotina do seu dia a dia o equilíbrio perdido pela caterva de (más) notícias que a todo o momento lhe despejam e o despojam.

Aqui, faz-se de conta que o braço da potência é igual ao braço da resistência porque na física é um equilíbrio. Mas se for na negociação é um impasse e se for na guerra… morrem muitos.

Já que possivelmente deixámos de acreditar que a união faz a força e mesmo acreditando, era preciso uma força “do caraças” para nos unirmos e cansados já nós estamos, resta-nos dizer em jeito de oração:

Senhores governantes, perdoem-nos pelo mal que nunca vos fizemos, sabemos que era nosso dever faze-lo, mas somos pecadores sem remissão, pela nossa ignorância, pelo nosso silêncio, pela nossa permissiva conivência.

Não foi certamente por acaso que as andorinhas se habituaram a procurar a nossa Primavera.

Luís Silva Rosa
(Março 2009)


Nota: O Luís é um amigo nosso e da nossa família. É uma pessoa com uma sensibilidade e uma perspicácia invejáveis. Tem uma forma de escrever lúcida, transparente, linear, pertinente e extremamente crítica.
NÃO É PROFESSOR, mas compreende a nossa luta como se o fosse.
Por tudo isto e por muito mais que ficará por dizer, publico aqui um dos seus textos.
Ele é o primeiro de muitos outros com que o autor nos presenteará.
Para o Luís e em nome dos Lírios um MUITO OBRIGADA e um abraço amigo!!

O MANUAL DO APLICADOR

Eu achei por um momento que esta tivesse sido a gota de água que faz transbordar o copo, mas não. "No passa nada"! Os professores já entraram, parece-me, na apatia. Muito teria eu para dizer sobre o dito manual, mas vou apenas transcrever passagens da crónica de ALBERTO GONÇALVES, na revista SÁBADO de 21 a 27 de Maio:

«Cada um é livre de escolher o Lobo Antunes que lhe apetece. A mim, ninguém me tira das mãos o (...) Manual do Aplicador, opúsculo publicado pelo Ministério da Educação(...). É, porém, uma obra difícil , cuja acção decorre em simultâneo num cenário fragmentado e repetitivo (as salas das provas) em que o narrador, embora não participante, impõe o comportamento dos protagonistas (os "aplicadores") e o comportamento que estes impõem às figuras secundárias (os "alunos"). (...)
No Manual..., todos os "aplicadores" seguem com escrúpulos o comando do narrador, que rudemente os impede de "decorar" ou "interpretar": as falas têm de ser ditas com rigorosa exactidão. (...) Note-se o humor típico de Kafka: "Escrevam o vosso nome no espaço destinado ao nome." (...)
Um pouco à semelhança do debatidíssimo "O Príncipe", o "Manual do Aplicador" desafia as classificações: não sei defini-lo enquanto ficção ou não-ficção, ensaio ou novela, sátira ou alegoria. Sei que a sua intrigante densidade contrasta com as provas de aferição que visa regulamentar, as quais estão ao nível de um orangotango de inteligência mediana. E sei que nenhum outro livro expõe tão crua e adequadamente o sistema educativo que temos e o país que somos. (...)
A autoria permanece anónima, numa demonstração de modéstia própria de tantos génios, mas que dificulta a subida ao lugar que merecem: o panteão. O panteão ou o manicómio, onde muitos génios igualmente entram e de onde alguns nunca deveriam ter saído.»

Acrescento, se dúvidas houvesse acerca do que a tutela pensa dos professores, este manual dissipa-as totalmente. Nem é preciso acrescentar mais nada!

domingo, 24 de maio de 2009

A LUTA CONTINUA


Linnnnndo!!Parabéns e esta colega!
Todos na Manifestação de dia 30!!

Reforma ganha?!...

60 mil professores recusaram entregar os objectivos individuais
A ministra da educação acaba de anunciar que a reforma da avaliação dos professores foi ganha. E justifica: entregaram os objectivos individuais 70 mil professores. E dos que entregaram os objectivos individuais, 30% pediram aulas assistidas, candidatando-se, dessa forma, às menções de Excelente e Muito Bom. Vamos lá fazer contas! Há 140 mil professores. Se descontarmos os que estão prestes a reformar-se e, por esse motivo, estão isentos do processo de avaliação de desempenho, houve mais de 60 mil resistentes. É obra! Um pouco mais do que eu julgava. Apesar das ameaças, dos telefonemas, dos emails e das perseguições, ainda houve 60 mil que disseram que não. Continuo a não perceber por que razão a Plataforma Sindical optou por formas de luta tão tímidas. E sobretudo não entendo por que razão andou quase todo o 2º trimestre a dormir. Será que a unidade da Plataforma Sindical justifica a timidez das formas de luta? Apesar disso, considero que uma grande manifestação nacional, no dia 30 de Maio, é uma forma de desgastar um pouco mais o PS. Um PS que está isolado muito por efeito do Compromisso Educação que os movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, estão a construir com todos os partidos da oposição. Só em Outubro se saberá quem vai ganhar: se Sócrates ou os professores. Se o PS sair derrotado em Outubro, tal significará uma enorme vitória dos professores e o fim do pesadelo imposto pela divisão da carreira em duas categorias e um sistema de avaliação de desempenho injusto, burocrático e inútil. E já agora: talvez valha a pena pensar na possibilidade de apelar aos 60 mil resistentes que entreguem apenas um relatório crítico idêntico ao que se faz há muitos anos.
A história

Para saber mais
O decreto regulamentar 1-A/2009 e o decreto regulamentar 2/2008
Ramiro Marques

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ao 12ºG

Umas quadras (perdoem-me a veia poética de "trazer por casa") que eu fiz para a minha Direcção de Turma:
O 12ºG - Curso Profíssional de Serviços Jurídicos.


(Não estão aqui todos, mas quando tiver foto do grupo todo ponho aqui.)

Foram meus alunos desde o 10º ano e este ano acabam o curso.
Partilho aqui com os Lírios, e não só, a alegria de ver que deixei alguma "marca" nestes jovens.
Muito carinhosos, eles também me presentearam com este lindíssimo arranjo de flores.

Para eles o meu mais sincero desejo de um futuro muito feliz!!

POEMA AO 12º G


Calhou-me na “rifa” há 3 anos
O 12º Turma G
Foi assim uma experiência
Algo diferente…já se vê !!

Apenas sete…e nada mais,
O número de alunos da turma.
Serviços Jurídicos Profissional
Até aqui….menos mal !!

Mas que sete me saíram eles!!
Todos tão diferentes
Pareciam escolhidos a dedo !!
E sempre impacientes!!

Bruno Carvalho o primeiro,
De sorriso bem simpático!!
Bom rapaz, sincero e honesto
Mas nos testes fica apático !!

Estudar…não gosta muito,
Assiduidade?! Palavra difícil!!
E então o Inglês!!....
É como se fosse Chinês !!

Bruno Vaz vem a seguir,
Ai!! Este, então, é o maior
O Inglês…faz “na boa”!!
Economia…é que é pior!!

E as faltas, como é?
Nem ele sabe muito bem!!
Às vezes não lhe apetece,
E por isso…não aparece!!

O David, o número três,
Eu nunca vou esquecer!!
Por ter um coração grande
E não o poder esconder !!

David tens muito valor,
Não desperdices essa riqueza!!
Luta pelo que queres
E vencerás, com certeza!!

Diana a loirinha,
Mas que espertinha!!
Ela sabe convencer,
E a sua fazer valer!!

Aprender não é problema,
E estudar também não,
O pior são os transportes,
Da Covilhã ao Fundão !!

Inês, tem sempre pronta
A resposta automática
Ainda está a pensar…
E já está a falar!!

Fazer os Módulos não foi problema
Foi fazendo tudo certinho !!
Até mesmo o Inglês,
Em vez do “Espanholinho”

A Natália é pequenina,
Mas com grande atenção
Fez tudo certinho
E alguma dedicação!!

Às vezes conversadora
Ela e a sua amiga Inês !!
O Inglês…é que as pagava!!
E também o Português!!

Vanessa de sorriso meigo
Muito certinha e organizada !!
Sabe sempre o número da lição,
É a nossa secretária privada !!

Ela gosta de ouvir,
Perguntar e registar !!
É assim mesmo que se aprende,
Para mais tarde recordar!!

Vou dar-vos esta pulseira
Para que vos faça lembrar:
Quando ela se partir
Têm que me telefonar !!

Sejam muito felizes!!
Um xi- coração da vossa
professora, DT e amiga:
Ana Moura

Covilhã,13 de Maio de 2009

Uma palavra de reconhecimento, em nome dos alunos e meu, para o colega GABRIEL ADRIANO que muito contribuiu, com a sua discrição sabedoria e sensatez, para a formação e aprendizagem destes jovens.

Também um muito obrigada aos colegas: Lurdes Farias; Susana Rabaça; Lídia Lourenço; Rui Marques; Rui Esteves; Carlos Neves; João Bessa e João Patrício. Pelo vosso empenho, profissionalismo e capacidade de proporcionar um bom ambiente de trabalho.

Nota: Não há Avaliação, inventada seja por que ministra for..., que avalie ou valorize estas coisas, as que nos fazem acreditar que, apesar de tudo, ainda vale a pena ser professora!!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Dias 22 e 23 de Maio - NOVO LUTO NACIONAL

NOVO LUTO NACIONAL

seremos de início dez, depois..... 29... cem… mil… um milhão.....

vistam algo de cor preta...
pendurem algo desta cor na janela de vossas casas... vamos conseguir!...

nos DIAS 22 e 23 Maio ( 2 dias) TODOS DE LUTO CONTRA A VERGONHA!

Sabemos que sair às ruas é complicado devido aos compromissos diários, então AMANHÃ dia 22 e DEPOIS DE AMANHÃ dia 23 de Maio vistam todos camisas/blusas pretas, e se não têm, amarrem um lenço preto no pescoço ou braço

MELHOR AINDA:Pendurem um pano preto nas janelas em sinal de luto pela morte da dignidade dos políticos.

Isto vai ser um sinal de repúdio à palhaçada que virou a política.

DEMONSTREM a vossa indignação em todas as cidades !

Não tenham vergonha de participar!

Devemos ter vergonha de assistir à bandalheira de boca fechada e mãos atadas como um povo ignorante que não sabe como protestar!

Vejam, analisem e protestem !Mais um roubo aos portugueses!Leiam até ao fim e divulguem.

Isto não pode continuar!!!

Lista de Aposentados no ano de 2005 (Janeiro a Novembro)com pensões de luxo (mas em 2006 a lista continua imparável!): pode ser consultado em: http://www.cga.pt/publicacoes.asp?O=3

Ó prá minha cara de espanto!


A desaparecida reapareceu para quê?
Para nos esfregar na cara aquilo que somos enquanto classe. E para, uma vez mais, nos chamar burros e mentirosos.

Temos o que merecemos!
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A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considera que a avaliação de desempenho dos professores é "uma reforma ganha", afirmando compreender a insatisfação docente, tendo em conta a rotura introduzida num "marasmo" de 30 anos de "total indiferenciação".

"Do meu ponto de vista foi uma reforma ganha. Temos hoje milhares de professores a fazer a avaliação, o que significa que é hoje um adquirido nas escolas. (...) Oitenta mil professores entregaram os objectivos individuais e 30 por cento destes requereram uma componente da avaliação que era facultativa", afirma a ministra. Para Maria de Lurdes Rodrigues, esta reforma introduziu uma rotura "num marasmo de mais de 30 anos de total indiferenciação e pseudo igualitarismo", já que "a ausência total de princípios mínimos de competição" era "muito negativa para as escolas".

Ainda assim a responsável admite que "um ou outro aspecto correu mal", mas que o Governo teve a "humildade" de simplificar e de dar condições às escolas para a concretização do modelo. Questionada sobre as manifestações realizadas no ano passado e a do próximo dia 30, Maria de Lurdes Rodrigues afirma "compreender" o descontentamento dos docentes, mas adianta que a sua preocupação "é garantir que o profissionalismo não é beliscado com a insatisfação, algo que todos temos que exigir".
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A ministra da Educação acentua ainda que muitas vezes a contestação também está relacionada com o desconhecimento dos efeitos das regras que se mudaram: "A carreira não é o que era, mas também não é tão bloqueada como os professores a percebem".

Ler mais no Público



quarta-feira, 20 de maio de 2009

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O que é que isto vos faz lembrar?

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Com uma beijoca de bem-haja à Dudú, remetente do gif, que aqui não funciona.

Ainda assim a mensagem é clara. Ou devo dizer escura?

Navegações e alguns ecos da blogosfera

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Para rir, ou nem tanto, e ouvir Patxi Andion:

Novas Regras para a Aposentação: - Limite de idade (70 anos)

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Não é que a França seja actualmente um bom exemplo, mas nesta matéria até que...


Por cá seria um caso Dramático Individual a Contextualizar

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E aqui em Portugal o que andaremos a pagar?

Políticos Nojentos
em casa da Anabela

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Bom motivo de leitura e discussão:

12 anos de escolaridade obrigatória - Os Equívocos

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Texto longo mas muitíssimo interessante, para ler e reflectir


Do Amigo crítico:
«... as escolas precisam de amigos.»



E quase a acabar:


Caciquismo? Nãaa senhora!


Última hora
(?):

Começar o dia em Beleza:

«...desapareceram papelinhos, papelitos, papeletas e papelões referentes ao processo do célebre caso dos Lixos da Cova da Beira que tem julgamento marcado para Outubro. E tal papelada salsada desapareceu, oportunamente, do nosso mui querido Ministério do Ambiente.»

pela mão da Anabela, sempre combativa, rápida e eficaz

A propósito do Sarau e de Criar Laços…

... e recordando a obra “O Principezinho”
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“Andando, o principezinho encontrou um jardim cheio de rosas.
Contemplou-as...eram todas iguais à sua flor. E deitado na relva, ele chorou...

E foi então que apareceu a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Ainda ninguém me cativou.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa de que toda a gente já se esqueceu. Quer dizer criar laços”.

Criar Laços é o nome do Clube da Escola Campos Melo que tem assumido a responsabilidade da organização do Sarau que todos os anos, há já muitos, leva à comunidade o nome e a imagem da nossa Escola, envolvendo professores, funcionários e alunos num espectáculo a todos os títulos dignos de louvor.

O Clube Criar Laços é coordenado pela Leonor Lobo e Mª José Soares, professoras e seres humanos excepcionais que, pelo seu esforço, empenho, dedicação e tanto ,tanto talento, merecem o nosso aplauso e admiração.

A Escola Campos Melo deve a estas professoras a manifestação de um justo e merecido reconhecimento público.

Precisamos de cativar e de criar laços para sermos felizes.

Às minhas colegas Leonor Lobo e Mª José Soares deixo a minha homenagem.

Parabéns! Continuem a cativar!

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M. Lourdes Faria


Nota: Este texto da nossa Madrinha já nos foi enviado há uns dias para publicação, só que a azáfama dos postes tem sido tal, na entrada da casa, que só agora houve uma brecha. Peço desculpas mas, como soe dizer-se, serviço é serviço e conhaque é conhaque.

domingo, 17 de maio de 2009

Texto de Pedro Abrunhosa

A contínua hostilização aos professores feita por este, e outros governos, vai acabar por levar cada vez mais pais a recorrer ao privado, mais caro e nem sempre tão bem equipado, mas com uma estabilidade garantida ao nível da conflitualidade laboral.

O problema é que esta tendência neo-liberal escamoteada da privatização do bem público, leva a uma abdicação por parte do estado do seu papel moderador entre, precisamente, essa conflitualidade laboral latente, transversal à actividade humana, a desmotivação de uma classe fundamental na construção de princípios e valores, e a formação pura e dura, desafectada de interesses particulares, de gerações articuladas no equilíbrio entre o saber e o ter.

O trabalho dos professores, desde há muito, vem sendo desacreditado pelas sucessivas tutelas, numa incompreensível espiral de má gestão que levará um dia a que os docentes sejam apenas administradores de horários e reprodutores de programas impostos cegamente.(…)

O que eu gostaria de dizer é que o meu avô, pai do meu pai, era um modesto, mas, segundo rezam as estórias que cruzam gerações, muito bom professor e, sobretudo, um ser humano dotado de rara paciência e bonomia. Leccionava na província, nos anos 30 e 40, tarefa que não deveria ser fácil à altura: Salazar nunca considerou a educação uma prioridade e, muito menos, uma mais-valia, fora dos eixo Estoril-Lisboa, pelo que, para pessoas como o meu avô, dar aulas deveria ser algo entre o místico e o militante.

Pois nessa altura, em que os poucos alunos caminhavam uma, duas horas, descalços, chovesse ou nevasse, para assistir às aulas na vila mais próxima, em que o material escolar era uma lousa e uma pedaço de giz eternamente gasto, o meu avô retirava-se com toda a turma para o monte onde, entre o tojo e rosmaninho, lhes ensinava a posição dos astros, o movimento da terra, a forma variada das folhas, flores e árvores, a sagacidade da raposa ou a rapidez do lagarto. Tudo isto entrecortado por Camões, Eça e Aquilino.

Hoje, chamaríamos a isto ‘aula de campo’. E se as houvesse ainda, não sei a que alínea na avaliação docente corresponderia esta inusitada actividade. O meu avô nunca foi avaliado como deveria. Senão deveria pertencer ao escalão 18 da função pública, o máximo, claro, como aquele senhor Armando Vara que se reformou da CGD e não consta que tivesse tido anos de ‘trabalho de campo’. E o problema é que esta falta de seriedade do estado-novo no reconhecimento daqueles que sustentaram Portugal, é uma história que se repete interminavelmente até que alguém ponha cobro nas urnas a tais abusos de autoridade.

Perante José Sócrates somos todos um número: as polícias as multas que passam, os magistrados os processos que aviam, os professores as notas que dão e os alunos que passam. Os critérios de qualidade foram ultrapassados pelas estatísticas que interessa exibir em missas onde o primeiro-ministro debita e o poviléu absorve.(…)

Pedro Abrunhosa

Felizmente ainda há gente lúcida, inteligente e sensível!!

sábado, 16 de maio de 2009

Dois Lírios na Serra da Estrela



Lindas....elas e a beleza natural da Serra!!
Barragem do Viriato ao fundo.


Foi um agradável passeio até à Varanda dos Pastores, onde se avista uma paisagem soberba sobre Unhais, Cortes e Bouça.





quinta-feira, 14 de maio de 2009

Carta aberta à ministra da Educação

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13.05.2009, Santana Castilho

O Ministério da Educação devia passar a chamar-se Ministério da Certificação e das Novas Oportunidades

Senhora ministra: Dentro de poucos meses partirá para um exílio dourado. Obviamente que partirá, seja qual for o resultado das eleições.
É tempo de lhe dizer, com frontalidade, e antes que o ruído da campanha apague o meu grito de revolta, como a considero responsável por quatro anos de Educação queimada. Este qualificativo metafórico ganhará realismo à medida que aqui for invocando os falhanços mais censuráveis, alguns apenas, dos muitos que fazem de si, politicamente, uma predadora do futuro da escola pública. Se se sentir injustiçada, tenha a coragem de marcar o contraditório, cara a cara, onde e quando quiser, perante professores, alunos, pais e demais cidadãos votantes. Por uma vez, sairia do ciclo propagandístico em que sempre se moveu.

A senhora ministra falhou estrondosamente com o sistema de avaliação do desempenho dos professores, a vertente mais mediática da enormidade a que chamou estatuto de carreira. A sua intenção não foi, nunca, como lhe competia, dignificar o exercício de uma profissão estratégica para o desenvolvimento do país. A senhora anda há um ano a confundir classificação do desempenho com avaliação do desempenho e demonstrou ignorar o que de mais sério existe na produção teórica sobre a matéria. Permitiu e alimentou mentiras inomináveis sobre o problema. O saldo é claro e incontestável: da própria aberração técnica que os seus especialistas pariram nada resta. Terá os professores classificados com bom, pelo menos, exactamente o que criticava quando começou a sua cruzada, ridiculamente fundamentalista. A que preço? Coisa difícil de quantificar. Mas os cacos são visíveis e vão demorar anos a reunir: o maior êxodo de todos os tempos de profissionais altamente qualificados; a maior fraude de que há memória quando machadou com critérios de vergonha carreiras de uma vida; o retorno à filosofia de que o trabalho é obrigação de escravos. Não tem vergonha desta coroa? Não tem vergonha de vexar uma classe com a obrigação de entregar objectivos individuais no fim do ano, como se ele estivesse a começar? Acha sério mascarar de rigor a farsa que promoveu?

A senhora ministra falhou quando fez aprovar um modelo de gestão de escolas, castrador e centralizador. Não repito o que então aqui escrevi. Ainda os directores estão a chegar aos postos de obediência e já os factos me dão razão. Invoco o caso do Agrupamento de Santo Onofre, onde gestores competentes e legalmente providos foram vergonhosamente substituídos; lembro-lhe a história canalha de Fafe, prenúncio caricato de onde nos levará a municipalização e a entrega da gestão aos arrivistas partidários; confronto-a com o silêncio cúmplice sobre a suspensão arbitrária de um professor em Tavira, porque o filho do autarca se magoou numa actividade escolar, sem qualquer culpa do docente. Dá-se conta que não tem qualquer autoridade moral para falar de autonomia das escolas?

A senhora ministra falhou quando promoveu a escola que não ensina. Mostre ao país, a senhora que tanto ama as estatísticas, quanto tempo se leva hoje para fazer, de uma só tirada, os 7.º, 8.º e 9.º anos e, depois, os 10.º, 11.º e 12.º. E sustente, perante quem conhece, a pantomina que se desenvolveu à volta do politicamente correcto conceito de escola inclusiva, para lá manter, a qualquer preço, em ridículas formações pseudoprofissionais, os que antes sujavam as estatísticas que a senhora oportunistamente branqueou. Ouse vir discutir publicamente a demagogia de prolongar até aos 18 anos a obrigatoriedade de frequentar a escola, no contexto do país real e quando estamos ainda tão longe de cumprir o actual período compulsivo, duas décadas volvidas sobre o respectivo anúncio. Do mesmo passo, esclareça (ainda que aqui a responsabilidade seja partilhada) que diferenças existem entre o anterior exame ad hoc e o pós-moderno "mais de 23", para entrar na universidade. Compreendo, portanto, que no pastel kafkiano a que chamou estatuto de carreira não se encontre o vocábulo ensinar. Lá nisso, reconheço, foi coerente. Só lhe faltou mudar o nome à casa onde pontifica. Devia chamar-se agora, com propriedade, Ministério da Certificação e das Novas Oportunidades. Não tem remorsos?

A senhora ministra falhou rotundamente quando promoveu um estatuto do aluno que não ajuda a lidar com a indisciplina generalizada; quando deu aos alunos o sinal de que podem passar sem pôr os pés nas aulas e, pasme-se, manifestou a vontade de proibir as reprovações, segundo a senhora, coisa retrógrada.

A senhora ministra falhou quando defendeu uma sociedade onde os pais não têm tempo para estar com os filhos.
A senhora ministra falhou quando permitiu, repetidas vezes, que crianças fossem usadas em actividades de mera propaganda política.
A senhora ministra falhou quando encomendou e pagou a peso de ouro trabalhos que não foram executados, para além de serem de utilidade mais que duvidosa.
Voltou a falhar quando deslocou para os tribunais o local de interlocução com os seus parceiros sociais, consciente de que o Direito nem sempre tem que ver com a Justiça.
Falhou também quando baniu clássicos da nossa literatura e permitiu a redução da Filosofia. Falhou ainda quando manipulou estatisticamente os resultados escolares e exibiu os que não se verificaram.
Falhou igualmente quando votou ao abandono crianças deficientes e professores nas vascas da morte. Falhou, por fim, quando se deixou implicar no logro do falso relatório da OCDE e no deslumbramento saloio do Magalhães.

Por tudo isto e muito mais que aqui não cabe, a senhora é, em minha opinião, uma ministra falhada.
Parte sem que eu por si nutra qualquer espécie de respeito político ou intelectual.

Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

Roubadinho à Anabela