segunda-feira, 21 de setembro de 2009

"O barato sai caro", ou o preço do Paraíso, ou...

... Portugal vs Finlândia (round II)

Segundo o relatório da OCDE «Education at a Glance», divulgado há cerca de 15 dias, «Portugal gasta menos em educação do que a média dos 30 países da OCDE. No nosso país apenas 5,6% do Produto Interno Bruto (PIB) vai para despesas com a educação. Apesar do aumento de 0,6 pontos percentuais face ao ano de 1995, o país continua abaixo da média da OCDE, que chega aos 6,1%.» ( Informação daqui.)

O mesmo relatório mostra que, na Finlândia, a média do tamanho das turmas nos primeiros 6 anos da educação básica é de 19.8 alunos enquanto a média na OCDE é de 21.4 . Nos outros anos da Educação Básica a média finlandesa sobe para 20.1. Ainda assim a Finlândia situa-se entre os países com turmas mais pequenas. (Estas e outras informações colhidas aqui.)

Já agora mais uns dados :

«O orçamento total do governo finlandês para 2008 totalizou 45,5 bilhões de euros, sendo que 15%, cerca de 7 bilhões de euros, foram destinados ao Ministério da Educação. Esse orçamento faz do Ministério da Educação o segundo mais importante no país.
A Constituição de 1919 estabelece a educação básica obrigatória e gratuita para todos, instrução vocacional e instituições educacionais acadêmicas fornecidas por autoridades públicas. São cerca de 3.300 escolas primárias no país.

Segundo relatório do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a taxa de analfabetismo na Finlândia é de 1% entre as pessoas com 15 anos ou mais de idade. Uma das menores do mundo.

As palavras chave na política educacional finlandesa são qualidade, eficiência, igualdade e internacionalização. A educação é tratada como um fator para a competitividade. Em vez de estabelecer uma comparação, o foco do sistema está em dar apoio aos alunos e orientar os com necessidades especiais. São raros os casos de repetência escolar.»(Ler mais aqui.)

Pois é, basta atentar em pormenores como estes para perceber que

a Educação não foi uma prioridade séria deste (des)governo PS.

Santa Maria, Sal - Foto de JJA

O paraíso custa dinheiro mas custa, acima de tudo, uma vontade política determinada em fazer bem, com seriedade e honestidade.
Tudo o que M.L.R. e o duo picareta do ME não fizeram .
Ficaram-se por estratégias mais baratas e menos rectas: diabolizaram os professores, produziram torrentes de legislação absurda e incoerente, incrementaram a facilidade, manipularam os números e fizeram demagogia com Magalhães cheios de erros.

No final destes 4 anos de administração desastrada e desastrosa, só apetece actualizar a frase de Lincoln:

Se a Educação é cara...
em breve veremos quanto custa a Ignorância.

4 comentários:

Luís Silva Rosa disse...

Infelizmente já conhecemos o preço de ambas, tendo tirado pouco proveito dos custos.A relação qualidade preço deixa-nos (também aqui)na cauda da Europa. Esperemos que o preço da ignorância não reconduza os (ir)responsáveis por este desastroso "mercado". Nós, destinatários (e pagantes) da mercadoria, merecemos melhor sorte. Bem haja pela lucidez, bem hajam pelo vosso imprescindível contributo para um País melhor.

Cristina Bernardes disse...

Gostei particularmente da última frase.

Fátima André disse...

Por estas e outras vou no próximo dia 27 e de novo em Outubro, de propósito, fazer 2X viagens com mais de 300Km cada só para depositar nas urnas de voto a minha indignação...

Excelente ano lectivo!
Abraços e sorrisos para todos os lírios da Campos
:))

bugsnaEDucação disse...

Bem-hajam Luís, Cristina e Fátima.
Que pena andarmos nestas lides tão selvagens, feias e desgastantes em vez de nos darmos aos prazeres da arte, à leitura do belo, ao fruir das coisas boas.
Mas, como diz a Sophia: "vemos ouvimos e lemos/ não podemos ignorar".
Que respeito teríamos por nós próprios se virássemos a cabeça para o lado?
Excelente ano também para vós, Cristina e Fátima, companheiras desta missão cada vez mais espinhosa de ensinar.
Que o Outono nos traga um lampejo de esperança num país melhor, Luís, preciosa flor deste jardim.