sábado, 31 de outubro de 2009

Saudades!!

Sinto saudades do tempo em que eu gostava de ir para a escola. Do tempo em que tirava as minhas dúvidas com as minhas colegas de grupo. Do tempo em que fazíamos materiais e os partilhávamos como se fosse uma fatia de um bolo que nos tinha saído bem. Do tempo do coração aberto e da mão estendida, pronta a receber de todos o que de todos viesse.
E, nesse tempo, era feliz.As conversas na sala de professores em cada intervalo, sobre o sério e o não sério, sobre os alunos e outras vezes não...
A nossa familia estava ali.

E quando se vai e se está feliz no trabalho, não há trabalho. Há prazer!

Hoje, subo as escadas daquela escola e sinto-me arrastada. Entro na sala de professores e vejo grupos - por idades, por titularidade ou por falta dela, por terem pedido avaliação, por não terem pedido avaliação, por estarem descontentes com a avaliação, por estarem a cochichar contra os avaliadores e toda a gente a perceber,ou, tristes grupos à espera do toque, para mais uma aula que não se sabe se vai ser dada ou não, dada a insolência e má-educação de alguma turmas. (Só devia ser pai/mãe quem soubesse dar educação!)

Depois das aulas são as actas ainda em atraso e, depois, as reuniões e depois mais actas e, logo a seguir o relatório das actividades.

Hoje, li num jornal(DN) a seguinte frase : "Dá-se mais importância ao parecer que se tem mérito do que aos que têm verdadeiro mérito".

Apeteceu-me encaixilhá-la de tão verdadeira.
Tiro umas fotocópias dum qualquer livro,emolduro-as numa folha A4 com linha dupla, a seguir faço um "powerpoint" com o sumário para os alunos copiarem e ligo e desligo o projector de video.
A minha aula foi o máximo!
Ah, esqueci-me de dizer que também levei um leitor de CDs e dancei para eles a Billy Jean do MJ.
Sou tão boa! Eles aprenderam tanto!

E os professores com mérito(?) chegam a casa felizes.

Vem-me então à memória canção do Sérgio Godinho, que eu acho ser do António Gedeão "

"Sobe, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada
.................."

Carrascos e vítimas de si próprios!
E depois outra, do Miguel Torga:
" Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com a lucidez, te reconheças.

TORGA, Miguel

Trevo sem folhas

Nota: Este texto estava num comentário e achei bem "destapá-lo". É, com certeza, o que sente muita gente por essas escolas fora...eu incluída!!

E agora???

É a pergunta que fazemos em coro.
Maria do Rosário Gama avança uma resposta, hoje no Público.



quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Dia da Saia

Protagonizado por Isabelle Adjani, O Dia da Saia é um drama sobre uma professora, Sonia Bergerac, vítima de descontrolo emocional causado pelo stress incutido pela indisciplina dos seus alunos. Um dia descobre na sala de aula uma arma a sair de uma mochila, toma-a e, à falta de melhor solução, usa-a para controlar os alunos e poder tentar dar a matéria.

Um drama intenso que nos apresenta um rol de problemas habituais nas escolas francesas, mas também nas portuguesas, como indisciplina, abusos sexuais, racismo e até violência para com os docentes.

Um filme que aborda de uma forma provocativa, de tão realista, os problemas que os professores enfrentam no seu dia-a-dia na formação das nossas gerações futuras.



Bem-hajas pela dica, Janita

Mais informação em: http://www.festadocinemafrances.com/

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Aguardando desenvolvimentos

Vamos sorrindo com o Antero Valério... mas sem grandes entusiasmos.
A semana promete. Há que estar atento não nos traga ela...


Mais aparvalhanço


Qualquer dia chegamos lá, mais rápido que o TGV



video

Com os agradecimentos à Maria Azert, que nos fez chegar este vídeo.

domingo, 25 de outubro de 2009

Poesia no jardim

Não é só com as pandemias gripais que há que ter cuidados.
Neste tempo armadilhado de loucura e perversidade é necessário buscar alguns momentos profilácticos.
Hoje apeteceu-me poesia, daquela que ilumina o caminho. Encontrei-a no blogue Ler é Viver da Dudú.


Caminho

Afasto as areias
que encontro no caminho,
devagar, de mansinho.
Vou precisar delas
na minha vinda,
onde enfileiradas
me indicam
onde colocar o passo,
e convictas,
me marcam o lugar,
onde o meu ser tem espaço.
Maria Eduarda

sábado, 24 de outubro de 2009

Golpadas...

Mas que pressa é esta que lhes deu? Com que novo farrapito nos quererão enfarpelar?
A trapalhada continua ... (convites apressados poucas horas antes do encontro secreto com o PR?) ...
O desassossego também.

E a escola que aguente!




José Sócrates continua determinado em seguir em frente com este processo com a nova ministra da Educação, Isabel Alçada.
Para ouvir aqui.

Vamos lá levar a coisa a rir...

... que a chorar de pouco serve.
Agora digam lá se o Antero não apanhou bem esta do convite rapidinho para a "evolução na continuidade"?!?

Ah Antero excelente!


Fumo branco

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

IGE esmiuça melhoramento

Burocratas da IGE querem planos e relatórios de "melhoramento".
Sugiro que os mandem dar uma volta ao bilhar grande


Esta não lembra nem ao Diabo mas lembrou aos burocratas da Inspecção Geral da Educação. Depois da publicação dos rankings, que deixaram no fundo da tabela uma parte significativa das escolas mais adesivadas, os burocratas da IGE desceram às escolas e começaram a lançar novas exigências.

E aquelas mentes criativas inventaram mais uma pérola do eduquês. Para estas luminárias, não chegam os planos de recuperação, os planos de acompanhamento, os relatórios de recuperação e os relatórios de acompanhamento.

Agora inventaram os planos e os relatórios de "melhoramento". Linda palavra do léxico eduquês. Sugiro que acrescentem "dos aprendizes no decurso do processo de ensinagem". Fica mais lindo! E se os mandassem dar uma volta ao bilhar grande? Vão trabalhar!




E não é que já me foi pedido, o dito.

Como me tenho por bem educada, cá por mim, olhem: Vão aos papéis!

Não gosto deste começo!


22 de Outubro, 18:14


Governo: Isabel Alçada aventura-se na Educação

22 de Outubro, 9:55

Isabel Alçada desmente convite para assumir Educação

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Isabel Alçada aventura-se na Educação

A escolha de Isabel Alçada para a pasta da Educação é só uma meia surpresa. O nome da “bestseller” da Caminho vinha sendo apontado nos corredores do Governo desde que a escritora fez a apresentação da política educativa do PS na última campanha eleitoral.
Com 59 anos, Isabel Alçada deixa o cargo de coordenadora do Plano Nacional de Leitura, que ocupava desde 2006, para substituir Maria de Lurdes Rodrigues.

É conhecida nas escolas, sobretudo por causa da série infanto-juvenil Uma Aventura, que assina desde 1982 com Ana Maria Magalhães – juntas já publicaram para cima de 50 títulos.

E também conhece bem as escolas, por onde andou vários anos: em iniciativas relacionadas com os livros, mas também a dar aulas.

Licenciada em Filosofia, na Faculdade de Letras de Lisboa, começou a trabalhar no Centro de Formação e Orientação Profissional Psicoforma. Dali, ingressou nos quadros do Ministério da Educação, tendo participado na reforma do ensino secundário em 1975/76.

Neste último ano, decidiu seguir carreira como professora de Português e História. É casada com Emílio Rui Vilar, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian
http://publico.pt/1406443



Isto foi o que foi dito em campanha eleitoral....!!!
Vamos aguardar e ver o que será feito agora, noutro contexto...o da governação.

domingo, 18 de outubro de 2009

"ALGO HICIMOS MAL"

Palavras do Presidente Oscar Arias da Costa Rica na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, 18 de abril de 2009
.
"Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros. Não creio que isso seja de todo justo.Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país. Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres. Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta. Certamente perdemos a oportunidade. Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos, compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos. Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul. Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é um país com $40.000 de renda anual por habitante. Bem, algo nós fizemos mal, os latinoamericanos. Que fizemos errado? Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal. Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos. Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus. De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário. Há países que têm uma mortalidade infantilde 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10. Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países. Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos. Em 1950, cada cidadão norteamericano era quatro vezes mais rico que um cidadão latinoamericano. Hoje em dia, um cidadão norteamericano é 10 15 ou 20 vezes mais rico que um latinoamericano. Isso não é culpa dos EstadosUnidos, é culpa nossa. No meu pronunciamento desta manhã, me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado. Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo "num planeta que tem 2.500 milhões de seres humanos com uma renda de$2 por dia" e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000.000.000) em armas e soldados.*Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000*milhões em armas e soldados. Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo? Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infraestrutura necessária, os caminhos, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, certamente, de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas.Vá alguém a uma universidade latinoamericana e parece, no entanto que estamos nos sessenta, setenta ou oitenta. Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não dos latinoamericanos. E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobretodos os "ismos" (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo,liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo...) os asiáticos encontraram um "ismo" muito realista para o século XXI e o final do séculoXX, que é o *pragmatismo*. Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha: "Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos". E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que "a verdade é que enriquecer é glorioso". E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás. A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos. Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja pertodos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer. Muchas gracias."
.
Nota: Este texto devia ser LIDO E ASSIMILADO pelos nossos políticos.
O Luís Silva Rosa enviou com a respectiva recomendação...!!
De facto Luís, eu diria mesmo: de leitura obrigatória no Parlamento e em Conselho de Ministros.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A Teoria Da Adesivagem

Teoria Da Adesivagem
Imbuído de um forte espírito científico, continuo a tentar confirmar um postulado que acabei agora mesmo de formular: A adesivagem é inversamente proporcional à qualidade do ensino.
Para testar este postulado e numa ténue aproximação ao popperiano princípio da refutação crítica, procuro saber se se confirma ou infirma a seguinte tese:
Os alunos das escolas cujos PCEs andaram ao lado e à frente do M.E. na defesa e aplicação do modelo de avaliação do desempenho, num exercício de pura adesivagem, deveriam ter obtido PIORES resultados.

A escola do adesivo-mor, confirma a tese…
Procuremos então observar os resultados dos exames na escola de um gestor qualificado e empenhado na adesivagem às políticas do ME.
Procuremos um gestor com créditos. De preferência premiado.
E quem mais qualificado e mais premiado que o “líder que aceita as dificuldades como desafios“? Quem mais qualificado que o gestor escolar que ganhou o Prémio Liderança do ME?
Folheia-se uma, duas, trêsOlha, olha aqui está a Escola Secundária Quinta das Palmeiras. Este ano ficou em 362º lugar do ranking com uma classificação média de 10,38 valores.
No ano passado, antes do líder ter aplicado o modelo de ADD – o tal que, entre outras ilusões, ia melhorar os resultados escolares – e, naturalmente, ter ganho o prémio do M.E. a mesma escola ficou num honroso 204º lugar com uma média de 11,09 valores. Muito melhor que em 2009!!!
Mais uma unidade de gestão, neste caso gerida por um gestor premiado, que viu os resultados escolares piorarem depois de tanto empenho em aplicar o modelo de ADD.

Começo a temer que não seja possível refutar a minha tese…

Posted by Paulo Guinote in A Educação do meu Umbigo

Nota:......."Ganda Noia"!!

Parabéns!

Ontem recebemos, na caixa de comentários, a visita da Fátima André, editora do Revisitar a Educação, para nos deixar este mimo comemorativo do segundo aniversário do seu blogue:


A Fátima é uma doce professora que conhecemos ao vivo e a cores no Dia Feliz da Manifestação de 31 de Maio. O seu blogue espelha essa doçura, sempre cheio de boas dicas e sugestões de leitura, com um tom muito positivo sem fechar os olhos ao que está menos bem.

(É esta diversidade do mundo e da blogosfera que nos enriquece...)

Muitos parabéns, Fátima! Que continues o bom trabalho de partilha por muitos e bons anos!
Bem-hajas pelo selinho.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

EM NOME DE...

Pois é! Fazem-se sempre montes de coisas em nome de qualquer coisa. Porque a coisa mais importante é o nome. Tudo tem nome, o nome põe-se em tudo. Pousa e alapa, deixa uma marca indelével, pode até causar um estigma.

O nome por si só, enquanto substantivo, não é bom nem mau, identifica apenas. A partir daí, quando passa a adjectivo, cumpre uma porção de tarefas – classifica, caracteriza, julga, modela e desfaz.

Quando se fala e/ou se age em nome de... alguém, deve estar-se devidamente habilitado para o efeito, pressupõe-se uma responsabilidade assumida.

Se é em nome de... conceitos, é passível de se instalar a dúvida. Para a dissipar, é necessária a convicção do emissor e/ou a credulidade do receptor.

No nosso País usa-se e abusa-se da expressão, o que nos leva a concluir que como tudo o que é demais é moléstia, nem os propósitos nem os resultados são, por isso mesmo, os melhores.

Age-se libertinamente em nome da democracia, fala-se em nome do colectivo para alcançar o objectivo próprio, promove-se a greve em nome do trabalho, atenta-se contra a vida alheia em nome da justiça, e mais uma série de dislates em nome de... por aí fora.

Enfim, há um acentuado desnorte nos conceitos da nossa gente em nome dos quais se pretende encontrar um Norte.

Afinal, quando se fala ou age em nome de... não é em nome próprio. Ou porque já se o perdeu, ou porque ainda se não o encontrou.

De qualquer modo, estamos perante um problema de identidade. De nada nos serve estarmos a tapar os olhos ou assobiar e olhar para o lado. Habituámo-nos a que os vizinhos, os amigos e/ou o Estado resolvam os nossos problemas e quando a coisa falha, vivemos de expedientes em nome da sobrevivência.

O Norte raramente surge por acaso. Para o encontrarmos temos que nos munir dos conhecimentos e instrumentos adequados, acima de tudo temos que ter a vontade de o procurar e de o querer encontrar.

E o Norte é o que nós quisermos, é o nosso País, a nossa cidade, a nossa casa, a nossa vida. Porque é da nossa vida que se trata. Não leva ninguém a lado nenhum falar e/ou agir em nome disto ou daquilo quando, na verdade, o que conta são os interesses de cada um.

O que precisamos urgentemente de perceber é que esses interesses só poderão estar instalados com solidez nas nossas vidas, se houver um mínimo de convergência de vontades que permitam a criação de raízes que vinguem, que sejam convenientemente regadas e adubadas, e que a planta daí resultante, após as necessárias podas cresça forte, ordenada e sadia. Só então poderemos colher os desejados frutos.

Se os nossos interesses próprios não tiverem um (pelo menos) interesse comum, não tarda que se percam por entre outros, que nos aparecem vindos de todo o lado, maiores e já bem enraizados; ou que se percam ainda por os atirarmos uns contra os outros.

Os Partidos Políticos são o esteio do nosso sistema e a população vota em seu nome.

Há muito que deixámos de os ouvir falar nos seus programas porque estão desfasados da realidade actual, e ainda que não se questionem as suas intenções não podem dessa forma cumprir o seu nobre dever.

Cumpre-nos assumir a nossa quota-parte de responsabilidade por, integrados neles ou como cidadãos votantes, não termos ainda levado a cabo as reformas programáticas e o reposicionamento político para podermos votar na realidade e não em nome dela.

Ou queremos um País com vida própria em que Governo, Oposição e Cidadãos assumam a responsabilidade de o serem e conviverem sadiamente, ou não, mas depois apenas falaremos no seu nome.

Tudo o resto faz parte (ainda que com custos próprios) da crise existencial da nossa juventude democrática.

Luís Silva Rosa
.
Nota: Aos autarcas eleitos, que EM NOME DE PORTUGAL...se candidataram, o desejo de que governem honrando o seu próprio nome e o do seu País.
Nós cidadãos prometemos uma atitude crítica, cooperante e muito atenta.
Ao Luís um bem-haja por mais um contributo.

sábado, 10 de outubro de 2009

Notícia da Semana

BE, CDS/PP e CDU reafirmaram, ao longo desta semana, a promessa eleitoral de iniciar os trabalhos da nova Assembleia da República por mexidas no actual Estatuto da Carreira Docente, referindo, especificamente, a suspensão da divisão da carreira e do modelito de avaliação dos professores do duo Sócrates/Milú.
O PSD continua calado. Por que será?
O PS quer engonhar sob a desculpa do Orçamento de Estado.

Clicar para ampliar

Hoje o Expresso noticia a questão como a "Vingança dos Professores".
Parece-me um sentimento demasiado. Cá pela minha parte o que quero é Justiça.

A fonte deste poste foi uma vez mais o Paulo Guinote que, como sempre, faz uma análise sensata e lúcida, com um sorriso nos lábios.

É tempo de estar atento e pronto para a acção. Mais do que nunca!

Eleição dos poderes ou eleição dos valores?

Hoje é dia de reflexão porque amanhã vamos a votos.

Topei aqui com um excerto que me levou aqui à leitura integral do texto, que seguidamente transcrevo. Porque, afinal, somos nós e o nosso sistema de valores que vamos a sufrágio.

Não ilustro com rotundas, que as havia e muitas. Mas quem diz rotundas, diz...


Rotundas ou escolas, a escolha é sua

Os nossos valores, prioridades e preferências. De todas as eleições em que participamos, é nas autárquicas que mais nos damos a conhecer como povo. Porque olhamos mais para a pessoa que para o partido, quando escolhemos a equipa autárquica revelamos, por exemplo, o lugar que ocupa a seriedade ou a obra feita, e o tipo de obras, na nossa hierarquia de valores.

O poder local, que o lugar comum diz que foi a "maior conquista da democracia", é, sem dúvida, a democracia no seu estado mais puro. Eleitor e eleito, mesmo nas grandes cidades, conhecem-se e interagem mais do que na relação com o poder central. O princípio de aproximação máxima de eleitor e eleito, numa tentativa de limitar a impureza da democracia representativa aproximando-a mais da directa, é indiscutivelmente aceite. A própria União Europeia o consagra nos seus tratados através do princípio da subsidiariedade.

É exactamente essa a eleição que vamos ter no domingo. Através dela, temos instrumentos para impor os nossos valores e preferências.

O que nos tem dito o País sobre esses valores?

O país do caos urbanístico, de autarcas corruptos, de rotundas ajardinadas num país mais seco que húmido, de escolas sem jardins e mal equipadas, de edifícios megalómanos, supostos centros culturais... Tudo isto é o reflexo daquilo de que gostamos mais.

Não vale a pena culparmos os políticos. Se em cada aproximação de um acto eleitoral autárquico nos oferecem mais uma rotunda com uma espécie de escultura, a razão está em nós. Se o autarca não olha a meios para mudar a face da autarquia, e com isso ainda aproveita para arrecadar um bom dinheiro para si e para a sua família, sem qualquer disfarce e à vista de todos, a razão está em nós. Se um autarca condenado pelos tribunais e conhecido pelos seus eleitores se mantém nas corridas eleitorais e sabe que poderá ganhar, a razão está apenas e unicamente na nossa hierarquia de valores.

Sim, é verdade que o quadro legal de financiamento das autarquias consagra incentivos perversos. É verdade que promove a construção desordenada e em quantidade, sem qualquer qualidade para quem lá vive. Mas também é verdade que não revelámos no passado qualquer preocupação com isso na altura em que vamos votar.

Os autarcas sabem que uma grande obra - de cimento ou betão - que encha bastante o olho, dá votos. Sabem que dizer que têm na sua autarquia a maior qualquer coisa da Europa ou do mundo - em geral, um centro comercial - lhes pode garantir a reeleição.

Os autarcas também sabem que melhorar a escola onde andam as nossas crianças, investir no tratamento dos lixos, manter pequenas estradas, até em terra batida, em vez de querer as violentas auto-estradas, dificilmente lhes trará a reeleição.

Há algum tempo que alguns protagonistas políticos nos dizem para olharmos para o que podemos fazer para melhorar o País em vez de passarmos a vida a dizer mal dos políticos.

É nas eleições autárquicas, muito mais do que nas legislativas, que temos mais poder para fazer de Portugal um país moderno. E não o Portugal das rotundas ajardinadas com escolas degradadas.

Helena Garrido, Jornal de Negócios, 9 de Outubro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Glosa Impressionista


Pois a autora desta foto de um rio moribundo, legalmente cedida, tem razão: que bela pintura impressionista!
Pena que depois de ampliada a dita cause impressão contrária.

Mas o que me faz mesmo mesmo muita impressão é que alguns se obstinem em ver nela isto:

«[O Tâmega] Hoje seduz-nos mais pelo bucolismo das suas margens bordejadas a salgueiros e amieiros, de uma ou outra lavadeira, dos seus acidentes - golas, penedos, canais, ínsuas, areais - que mantêm nos seus nomes a referência às actividades humanas a que deram azo. A sua frescura comunica-se à cidade e convida aos passeios nas suas margens e aos desportos de água.»

Mas que líricos da treta!
Não são poetas. São petas.

É o Tâmega. Bem podia ser o Zêzere! Um e outro são de todos nós e gritam por socorro!

Quero ser espanhola, já!

Não é que me tenha esquecido do Dia do Professor.
Aliás, como podia, se este foi bastante atormentado por uma Avaliação De Doidos que, embora comatosa, ainda ataca.

Confesso-me pouco adepta das efemérides, apesar de lhes reconhecer a serventia de, ao menos em determinados dias, trazerem para a ribalta questões importantes.
Sou muito mais por aquela do «Natal é quando um homem quiser». E quem diz Natal...

Passada a data e perdida a esperança de produzir algo de original, tenho andado à espera de uma aberta para trazer aqui para o jardim os testemunhos excelentes de duas fantásticas professoras e bloggers que admiro (não o escondo e até o apregoo) por me parecerem uma das melhores formas de comemorar a data dedicada à nossa profissão.

Mas não é que hoje, no meu jogging de final de dia pela blogosfera, me deparo com uma carta de um primeiro-ministro aos professores do seu país.
Pronto, a Anabela e a Teresa ficam só enlaçadas a este postal. A leitura dos seus textos é, como de costume, comovente e imperdível.

Agora, tem a palavra José Luis Zapatero.

Carta abierta a los maestros

"Hoy celebramos el Día Mundial de los Docentes, instituido por Unesco hace 15 años para rendir homenaje al profesorado y al papel esencial que desempeña para una educación de calidad. Es un día para compartir logros y, también, para aceptar la responsabilidad de solventar, entre todos, carencias.

Ha llegado el momento para un Pacto Educativo que mire al futuro con ambición.

Maestros y maestras, profesoras y profesores españoles:

Nuestro país ha cambiado tanto en las últimas décadas que quizás algunos hayan olvidado que en los años 70 del siglo XX, España tenía, aún, personas analfabetas, que el acceso a la Educación no era universal, y que el nacimiento en uno u otro lugar podía ser tan determinante como la familia a la hora de planificar una existencia. Porque los sueños solían ser, para tristeza de muchos, del tamaño de sus precarias posibilidades.


Hemos avanzado mucho. Hoy nuestro sistema educativo se abre a toda la población y, fruto de este progreso, de este gran éxito colectivo, contamos con las generaciones mejor preparadas de la historia de España. Me habréis oído repetirlo, porque creo que es necesario valorar y reconocer el camino realizado para ser plenamente conscientes del que todavía queda por recorrer.

Pero nuestros logros educativos tendrán la dimensión que seamos capaces de trazar juntos y, por ello, creo firmemente que ha llegado el momento para un Pacto Educativo. Mi propósito es impulsar un acuerdo social y político que mire el futuro con ambición, con la ambición de un país que aspira a la excelencia y sabe que tiene en la educación la palanca principal para alcanzarla, un país que quiere que cada persona pueda llegar tan lejos en su formación como le lleven en su voluntad y su esfuerzo, sin otras limitaciones.

Para alcanzar ese nuevo horizonte educativo, cada Administración tendrá que asumir plenamente la responsabilidad que constitucionalmente le corresponde, cumplir con eficacia su papel. Desde 2004 el Gobierno de España ha doblado el presupuesto educativo, pero soy muy consciente de que para llegar más lejos, como es nuestro propósito, Comunidades Autónomas y Administración General del Estado debemos aumentar la inversión. Y no sólo la financiación es importante, también será necesario que toda la sociedad propicie el mejor de los entornos, para que vuestra tarea docente y el aprendizaje de los alumnos se desarrollen en las mejores condiciones y con la mayor calidad

Nunca España había tenido tanto potencial de futuro y nunca antes nuestro porvenir había dependido tanto de la educación, del conocimiento, de nuestra capacidad creadora e innovadora, que son la base del bienestar y de un nuevo modelo de crecimiento económico.

Sin vosotros, maestros y maestras, profesoras y profesores, sin el esfuerzo que día a día entregáis y enseñáis a la sociedad española, no habríamos podido llegar hasta aquí. Y no podemos construir un mejor futuro sin vosotros.

Por eso seguiré poniendo todo mi empeño en demostrar que la grandeza de un país debe medirse por el prestigio que se concede a sus maestros.

Sólo me queda daros las gracias."

José Luis Rodríguez Zapatero es presidente del Gobierno español.
El País, 05/10/2009

Imagem do Kaos acompanhada de comentário bem a propósito.

sábado, 3 de outubro de 2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Adivinha e rifão


Um certo candidato autárquico, de um certo partido, fez as seguintes declarações durante a inauguração da sua sede de campanha:

“a Covilhã não pode continuar manietada pelo poder absoluto, autocrata e asfixiante do..., que há ... anos, vem matando paulatinamente a vida cívica da Covilhã. A teia de interesses, de influências e de arranjos ao longo destes... anos ofusca a outrora pujante cidadania covilhanense".

Olha quem fala!
É caso para dizer: há quem veja o argueiro no olho alheio e não veja a trave no seu olho.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pobre Educação!

Com tanto lodaçal político, se a Educação já estava frágil...

Por Jack, pedido emprestado à Fátima André