sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Mega aqui, Mega acolá
Imagem daqui quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Trafulhice segundo MEDINA CARREIRA
Programa Novas Oportunidades é “trafulhice”, diz Medina Carreira
09h26m
Antigo ministro das Finanças critica o programa Novas Oportunidades. "Enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução", acusou.
Convidado da tertúlia "125 minutos com...", que decorreu no Casino da Figueira da Foz, ontem, terça-feira, Medina Carreira disse ainda que a educação em Portugal "é uma miséria" e que as escolas produzem "analfabetos".
"[O programa] Novas Oportunidades é uma trafulhice de A a Z, é uma aldrabice. Eles [os alunos] não sabem nada, nada", argumentou Medina Carreira.
Para o antigo titular da pasta das Finanças a iniciativa dos Ministérios da Educação e do Trabalho e da Solidariedade Social, que visa alargar até ao 12.º ano a formação de jovens e adultos, é "uma mentira" promovida pelo Governo.
"[Os alunos] fazem um papel, entregam ao professor e vão-se embora. E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano [de escolaridade]. Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução", acusou.
As críticas de Medina Carreira estenderam-se aos estudantes que saem das escolas "e não sabem coisa nenhuma".
"O que é que vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga", frisou.
Defendeu um regime educativo "exigente, onde se aprenda, porque os empresários querem gente que saiba".
Questionado pela jornalista Fátima Campos Ferreira, anfitriã da tertúlia, sobre a avaliação de professores, Medina Carreira classificou-a de "burrice".
"Se você não avalia os alunos, como vai avaliar os professores?", inquiriu.
Admitiu, no entanto, que os professores terão de ser avaliados, desde que exista "disciplina nas aulas, o professor tiver autoridade, programas feitos por gente inteligente e manuais capazes", argumentou, arrancando aplausos da assistência.
COMENTÁRIO: As Novas Oportunidades podiam ser válidas, caso não houvesse metas irrealistas, caso os Centros Novas Op. não surgissem como cogumelos, caso a última palavra sobre o perfil dos candidatos fosse da responsabilidade do Técnico de Diagnóstico e caso muitos candidatos não estivessem convencidos que copiar coisas da internet é um direito, um dever, um princípio, um fim e um tudo. CLARO QUE RESPEITAR A ESCOLA, OS PROFESSORES E O CONHECIMENTO também ajudava.
Quanto à avaliação dos professores, concordo com Medina Carreira.
NOTA: Ah! Há que dizê-lo, os candidatos das Novas Op. que têm verdadeiramente perfil e dão o seu melhor têm de ser defendidos por quem com eles trabalha. E há pessoas verdadeiramente merecedoras desta nova oportunidade!
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Parabéns!
(É esta diversidade do mundo e da blogosfera que nos enriquece...)
Muitos parabéns, Fátima! Que continues o bom trabalho de partilha por muitos e bons anos!
Bem-hajas pelo selinho.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Por vezes o caro... também sai caro, e...
Paga, Zé! Aguenta, Zé! Cala, Zé!
Hoje empresto a voz a quem vive este pesadelo.
Para ficar a par dos pormenores desta catástrofe siga até aqui e aqui.
E apesar das obras de alindamento do Largo de S. Gonçalo, com recurso a projecto do arquitecto Távora, galeria técnica xpto e da enormesca fatia de dinheiro do erário público enterrada naquela obra granítica, não sei como foi possível não precaver situações como a que hoje pudemos assistir e que foi apenas mais uma das muitas que ocorrem em pleno coração da cidade de Amarante.
Ao que parece, e segundo o técnico da empresa Águas do Ave que vinha "resolver" o caso, a tubagem foi mal dimensionada e, de quando em vez, a pressão exercida pelo detritos é de tal ordem que rebenta com umas tampas que por lá existem na galeria técnica criando uma cascata imunda, nojenta e pestilenta que cai cá bem de cima, em pleno muro que sustenta o Largo de S, Gonçalo...
Desde há muitos anos, em toda a extensão da albufeira criada pela Barragem do Torrão (Alpendorada - Marco de Canaveses), a prolífica cultura de algas azuis dá um colorido endémico muito verde, intensamente pastoso e pestilento às águas, imediatamente a jusante da cidade de Amarante. As suas margens, classificadas de «domínio público hídrico», outrora debruadas de areias douradas são agora pântanos de lodos negros, fétidos e nojentos onde se acumulam pastas verdes, sobras marginais de todo o tipo, lixos e latas, testemunhos de uma deplorável morbidez planetária que a civilização insustentável alcançou em terras amarantinas e o Estado consente.O rio é vital para o concelho e a região, onde a cidade alivia os efluentes que poderiam afogar a obsoleta ETAR de Amarante, pronta a ser desmantelada e substituída há vários anos – concluída e inaugurada apenas há 10 (Fev.1999) com «equipamentos de última geração vindos expressamente de Inglaterra». (Ler mais aqui.)
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Um país que se espelha num rio
Era minha intenção aproveitar algumas paisagens das férias para fazer uns postes sobre o estado da nação. Era e é.
Enquanto as palavras não encontram o caminho certo no cruzamento com as fotos, trago hoje aqui para o jardim dos lírios um caso de águas verdes fluorescentes que são bem a imagem da podridão a que chegámos.
A nossa amiga Anabela Magalhães, amarantina dos quatro costados, que ama o rio-moldura da sua cidade - o Tâmega onde aprendeu a esbracejar e a espernear contra a adversidade - de há muito que vem denunciando o crime ambiental que o vídeo abaixo tão bem documenta.
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Comparar este rio com o este outro da publicidade, enganosa, ...
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é a mesma coisa que sabermos como este Portugal vai de mal a pior e ouvir os discursos de auto-elogio, de desavergonhado orgulho, dos nossos governantes pelas bacoradas que têm feito.
nós bem sabemos até onde vai o faz-de-conta!
Já agora, como estará o nosso Zêzere?
A última vez que ouvi alguém falar deste problema foi aqui.
sábado, 4 de julho de 2009
Dialogozinho interessante
Para além do texto, merecem leitura os hipertextos e os comentários.
"Traímos várias gerações de crianças"
Na revista Standpoint deste mês de Junho saiu um artigo duma senhora chamada Susan Hill, que, num determinado passo, me parece poder reportar-se à realidade portuguesa:
"We have betrayed several generations of children in many ways — by giving the teaching of skills priority over that of knowledge, by making exams easier out of a false egalitarianism, by letting them choose their own morality from a soup of political correctness, by over-emphasising the importance of the computer as if it were anything more than a useful tool, and of the internet as if it were more content-rich than books."
(“Em muitos aspectos, traímos várias gerações de crianças - demos prioridade ao ensino por competências, em detrimento dos conhecimentos, fizemos exames mais fáceis em nome de uma falsa igualdade social, permitimos que elas fizessem as suas escolhas morais no contexto confuso do politicamente correcto, enfatizámos a importância do computador, como se ele fosse mais do que uma ferramenta útil, e supusemos que a internet era mais rica do que os livros em conteúdos.”)
Esta apreciação faz-me lembrar uma outra, da autoria de Marçal Grilo, acerca da nossa própria realidade que, pela minha lógica, não se aplica só a ela:
"Preocupa-me (…) a atitude que muitos compatriotas têm em relação à escola. Eles não olham para a escola como algo que possa ser relevante para o futuro dos seus filhos, como um instrumento de aprendizagem, mas mais no sentido de a ultrapassar. Preocupam-se sobretudo que os miúdos passem e não tanto com o que eles sabem. É preciso também perceber o que se pretende com o sucesso nas escolas. Para mim, o sucesso traduz-se nos alunos saberem mais, terem maior consciência das suas capacidades e uma atitude diferente perante o mundo e a sociedade (…). A minha geração vai ficar aqui com um peso na consciência por não ter sido capaz de motivar os jovens para a educação."
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Para não dizerem que falamos só de Educação
Este texto publicado em diversos blogues veio directo do bilros & berloques da Inês Pedrosa Pires e é da autoria daquele comentador-jornalista-escritor que diz muuuuuuuuiiiiiiiiiito bem dos professores.
Tranquilos! Não é do hooligan da picareta!
Esqueçamos, momentaneamente, o ódio de estimação do dito comentador-jornalista-escritor porque este texto vale a pena, apesar de um pouco longo.
Fica-me, no entanto, pelo menos uma dúvida: como é que este comentador-jornalista escritor é capaz de desmontar a enfiada de ilusões sobre auto-estradas, tgvs, aeroportos e barragens e não consegue enxergar a mistificação que é a reforma "tão séria e tão exigente" da escola pública portuguesa.
Um PORTUGAL Rico e Europeu!
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa. - Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP. - Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível? Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor. Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, eram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez. Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!
quarta-feira, 1 de julho de 2009
"Progressos e Carências"
“Dois Anos do XVII Governo no Desenvolvimento da Sociedade da Informação”
Ordem dos Engenheiros
“Os minutos 14 a 21 deste vídeo com António Figueiredo, APDSI, sobre o Plano Tecnológico da Educação, são de antologia” (in: Twitter)
E são mesmo!
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Adenda:
Minuto 14 – “O Ministério da Educação tem um modelo de gestão profundamente ultrapassado e tacanho. É um modelo de comando e controlo. Para o ME, os professores são uma cambada de preguiçosos, sem iniciativa. E isso é um erro completo.(…) Nós temos professores espantosos, com uma paixão pela sua missão comovente.”
Minuto 15 – “Há da parte do ministério uma inadequação completa quanto à mobilização dos professores para um projecto de mudança. Enquanto o ministério não conseguir apaixonar de novo os professores para um projecto de mudança pode meter quantos magalhães ou quadros interactivos quiser que não vai mudar o sistema [reforma pedagógica]. Os eventuais resultados positivos não se deverão ao ministério mas apesar dele.”
Minuto 17 – “O Plano Tecnológico da Educação tem uma visão tecnocrática primária, muito semelhante a alguns projectos do início dos anos 80.”
Minuto 36 – “A educação tem que ser profundamente remodelada. Há que recuperar, reconquistar e vai ser difícil reconquistar os professores, recuperar a paixão que os professores tinham pela sua missão. Eu tenho feito o exercício desde que fizemos este relatório, tenho feito o exercício de tentar ver qual é o sonho na cabeça dos professores, em várias partes do país. O sonho que neste momento está na cabeça dos professores é reformarem-se antecipadamente. É absolutamente deprimente, quando havia tantos sonhos, pelo menos em grupos muito representativos das escolas, havia paixões, havia pessoas que de manhã iam para a escola apaixonados por aquilo que faziam, apesar de saberem que aquilo era desgastante. Agora, o sonho dos professores é aposentarem-se antes do tempo”.
Vídeo datado de 24 de Setembro de 2008
O Império do Absurdo
A DRELVT solicita a todas as escolas sob a sua alçada, por intermédio dos directores de turma, ao abrigo da monitorização do Despacho Normativo n.º 50/2005, de 09 de Novembro os “dados respeitantes a todos os alunos que foram alvo de planos de recuperação, desenvolvimento ou acompanhamento”.
terça-feira, 23 de junho de 2009
A Sociedade Domesticada
Sei que o texto é grande, mas leiam o último parágrafo! E atentem na palavra DOMESTICAÇÃO!!
«No seu mais recente livro, Em Busca da Identidade: O Desnorte, acabado de editar pela Relógio d'Água, José Gil procede de novo a uma análise das actuais condições de existência em Portugal. O ponto de partida é conhecido e já tinha sido diagnosticado por Eduardo Lourenço: trata‑se da hiperidentidade, que se poderia definir como a doença que consiste em sermos «portugueses antes de sermos homens» (p. 10). Para o autor, o grande problema que daqui decorre é o da construção de subjectividades marcadas por este desequilíbrio. Procedendo a uma transferência de conceitos e mecanismos psicanalíticos para o plano colectivo (em perfeita consciência do risco que isso comporta), José Gil encontra numa subjectividade característica durante o salazarismo os traços do que Sandor Ferenczi designou como introjecção. De uma forma algo simplificada, pode dizer‑se que esta consiste num processo de diluição de responsabilidades através de um ego inchado, omnipresente, que engoliu o mundo e permite, assim, que os seus afectos flutuem aí livremente. No caso português, «o sujeito ‘vive‑se’ como um zero social e pessoal, um falhado, e queixa‑se de tudo e de todos –– queixa‑se do ‘país’, nunca de si próprio» (p. 15). Se é certo que o fim do fascismo impôs a construção de novas subjectividades, não é menos exacto que a força dos padrões interiorizados não se desvanece de repente. Para o filósofo, decorre daí «a nossa dificuldade em nos desviarmos de uma via única, a nossa tendência a não ver senão a norma, a criar constantemente zonas claustrofóbicas, a viver a democracia como, paradoxalmente, uma imensa cobertura‑véu colectiva, desde os média ao tipo de governação, passando pelo medo da crítica e da liberdade» (p. 18). Podemos ver aqui o mecanismo que levou à concepção de um cartaz como aquele que o PS apresentou recentemente, afirmando que eles combatem a crise enquanto os outros combatem o PS. Subjacente a esta frase propagandística está a ideia do caminho único, da despolitização, segundo a qual há apenas uma boa solução e tudo o resto é uma perda de tempo. O objectivo é a recusa da argumentação, é a negação do confronto democrático, é a tentativa de intimidação através da exclusão: aqueles que não aceitam o que os senhores do cartaz propõem desinscrevem‑se do espaço público (como diria José Gil), porque a única possibilidade de inscrição consiste em aceitar o tal caminho único. Por isso, o líder do Partido Socialista pôde dizer, após a derrota nas eleições europeias, que não se vai desviar do rumo traçado, como outrora a ministra da educação já dissera que a manifestação de 120 000 professores em Lisboa (apenas a 20 000 da totalidade da classe profissional) não era relevante.
A esse propósito, aliás, José Gil escreveu que se tratava de uma fuga à contenda, através da qual «o poder torna a realidade ausente e pendura o adversário num limbo irreal». Ao deixar «intactos os meios da contestação mas fazendo desaparecer o seu alvo, desinscreve‑os do real». Trata‑se, portanto, de «uma não‑acção, uma acção não‑performativa», que pretende impor «a interiorização da obediência». É «um processo de domesticação da sociedade», o que representa mais do que meros traços psicóticos: na verdade, relativamente ao comportamento do primeiro‑ministro e da sua ministra da educação, deve falar‑se, como faz José Gil, da «não‑inscrição elevada ao estatuto sofisticado de uma técnica política» (pp. 55-56).»
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O DIABO VESTE PRADA
Nem queria acreditar, quando, ontem, ouvi certas declarações de Vitalino Canas e de Ana Gomes: "o Partido Socialista vai tentar mudar de estilo, sem mudar de rumo"; "o PS tem de ser mais dialogante, ouvir mais as pessoas". Enfim! Troquemos isto por miúdos.
Ainda com o peso dos tais “resultados eleitorais decepcionantes”, e com o descalabro à vista, a “nomenklatura” do partido está, desesperadamente, a tentar mudar de visual, tornar a imagem do partido mais simpática aos olhos do eleitorado. É agora muito frequente o uso da palavra “humildade” e de todo o seu parentesco. O aparelho do partido quer mudar a forma — captatio benevolentiae— e, com o seu novo brilho, ofuscar os cidadãos, para não verem o conteúdo, o mesmíssimo conteúdo, ou seja, o PS vai pôr muito pó-de-rosa na face sisuda e descarada. Esta gente não aprende nada? Esta gente continua a menosprezar a inteligência do povo?Pago para ver certos rostos, depois deste peeling político de emergência! Como ficará José Sócrates? Vai parecer-se mais com Guterres? Será que Maria de Lurdes Rodrigues vai ficar parecida com a Madre Teresa? E Valter Lemos, vai parecer menos eduquês? Ficará o Pedreira mais macieira? Resposta: VÃO FICAR “DIARROGANTES”
Luís Costa (Fonte: DardoMeu)
http://odardomeu.blogspot.com/
Nota: Não podia deixar de postar este texto. Para prevenir os "desprevenidos"ou os ingénuos...do que aí vem!!
terça-feira, 16 de junho de 2009
O Maior Fracasso da Democracia Portuguesa
Novopress.info Portugal - http://pt.novopress.info
Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.
A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante uma longa carreira politica.
A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo de Paris.
A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma “brilhante” que se viu o processo de descolonização.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.
A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiència governativa.A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.
A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os “dossiers”.
A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.
A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.
A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com “testas de ferro” no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.
A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda campanha presidencial.
A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume ao caso Emaudio e ao caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.
A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, “Contos Proibidos”, que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse mesmo livro, depoisde esgotado, jamais voltar a ser publicado.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume as “ligações perigosas” com Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse carregado de diamantes, no dizer do Ministro da Comunicação Social de Angola).
A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países (”record” absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França - 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).
A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de grande importância estratégica para Portugal.
A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.
A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.
A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado, que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.
A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade dalicença de obras.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente num incêndio dos Paços do Concelho.
A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a um milhão de contos.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de quinhentos mil contos, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na… Fundação Mário Soares.
A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.
A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era… João Soares.
A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do “Público”, José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.A lucidez que lhe permitiu considerar Jose Sócrates “o pior do guterrismo” e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais uma última vez.
A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.
A lucidez que lhe permitiu ler os artigos “O Polvo” de Joaquim Vieira na “Grande Reportagem”, baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo aseguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai. Vai… e não volta mais.
Nota: Pois é!! E nós que até tinhamos alguma consideração por ele!! Pelo menos a nossa vivência democrática ensinava-nos que ele era o "pai da Democracia Portuguesa"!!
Infeliz utilização da palavra Pai!!
sábado, 13 de junho de 2009
Chocolate e sardinha assada
Aliás, em termos de comida, do que é que eu não gosto? De vísceras em geral e particularmente de bofe. Iack!
Bom, vamos lá ao que importa que este poste não é para falar dos meus gostos gastronómicos. Antes sim para partilhar convosco estes bombons, achados aí pela rede.
Já estão devidamente linkados ali no canteiro dos cruzamentos, à esquerda, os dois sítios que gostei de descobrir: A REVOLTA DAS FRASES e a DENEGRO (Oficina de Chocolates) - ambos ligados a Maria Almira Soares, figura sobejamente conhecida para quem é da área do Português, a disciplina entenda-se.
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sexta-feira, 12 de junho de 2009
O TRABALHO DOS PROFESSORES
Acontece que, sob a máscara destes grandes desígnios nacionais para a educação, o que se pôs em marcha foi um ataque à Escola e seus agentes, numa ardilosa estratégia de 3 em 1: transformar as escolas em burocráticos veículos de transmissão do poder; submeter os docentes (através do cercear de direitos, da competição desenfreada e do medo); anulá-los enquanto massa crítica.
A principal arma usada no ataque foi transformar os professores no único bode expiatório da má qualidade do ensino público, formatando as opiniões do "povão": eles trabalham pouco e ganham muito, eles faltam que se fartam, eles têm muitas férias, eles são uns incapazes, eles nunca foram avaliados, eles são manipulados pelos sindicatos, eles são medrosos que nem ratos, eles são chantagistas e (ó primor dos primores!) eles são hooligans!
Hoje, os reais e inconfessáveis objectivos da sua política educativa estão cada vez mais à vista: uma vez submetidos, os professores encarregar-se-iam de limpar as estatísticas; reservada a escola pública para quem, de todo, não pode aceder às excelências do ensino privado, diminuiria drasticamente o gasto com a educação.
Volto agora a um dos temas do primeiro poste de ontem: a presidente do Conselho Nacional de Educação e as suas recentes declarações sobre as escolas e os professores, sim porque dos alunos, dos pais, das políticas ministeriais, dos pedagogos e do resto... pouco ou nada.
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Ora, apetece dizer: Onde é que eu já ouvi isto?
Como nestas coisas da escrita, há quem o faça bem melhor que eu, passo a citar o texto de Helena Damião publicado no De Rerum Natura, a 7 de Junho.
Aproveitei e trouxe a imagem e a nota, ambas elucidativas.
Os professores não devem trabalhar mais
- “Hoje em dia, temos mais capacidade para resolver problemas, mas para isso, os professores têm que trabalhar mais. Não podem ser só as famílias, embora estas sejam importantes.”
- “… os professores compreendam as dificuldades dos alunos, insistam e trabalhem muito. Isto é muito importante, para poder resolver, porque se não, os professores dão sempre mais do mesmo.”
- “O que proponho não é facilitismo, mas mais trabalho para os professores.”
- “O professor tem que ensinar mais e de outras maneiras.”
- “É preciso encontrar outra solução que é trabalhar mais e ir mudando os percursos.”
As considerações que, de seguida, faço são baseadas no conhecimento directo que tenho do trabalho de muitos professores com quem, por razões profissionais, contactei ao longo do ano lectivo que está a terminar. Tal conhecimento não é, portanto, científico, no sentido de poder apresentar dados fiáveis sobre o mesmo; é do foro da opinião e, portanto, vale o que vale.
1. Para quem não sabe, o horário dos professores é composto pelas componentes lectiva e não lectiva (desdobrando-se esta em duas componentes: não lectiva de trabalho a nível de estabelecimento e não lectiva de trabalho individual), remetendo, cada uma delas para inúmeras tarefas que todos os professores, sem excepção, têm de desempenhar. A senhora presidente do Conselho Nacional da Educação terá em mente que os professores trabalhem mais nas duas componentes ou só numa delas e, se for este o caso, em qual delas?
2. Neste momento, esses professores que conheço dizem-me, e eu acredito, que não podem trabalhar mais, que lhes é humanamente impossível acrescentar mais tempo e mais tarefas ao que já fazem.
3. Acresce que esses professores, por se importarem com as aprendizagens e com os seus alunos, denotam uma fadiga extrema e um desapontamento enorme por sentirem que, apesar de todos os seus esforços, não conseguiram, durante o ano, fazer o que acham que deviam ter feito: ensinar bem.
4. Esses professores também me manifestam perplexidade, porque, à semelhança da senhora presidente do Conselho Nacional da Educação, toda a gente lhes diz que têm de ensinar “de outras maneiras”, de “ir mudando os percursos”, como se se soubesse, obviamente, quais são eles. Porém, a verdade é que ninguém, por mais especialista que se apresente, se atreve a dizer quais são essas “outras maneiras”, esses “percursos” que se insinua resolverem os problemas com que os professores se confrontam no dia-a-dia.
Não, os professores não “têm que trabalhar mais”: os professores têm, sobretudo, de desempenhar menos tarefas burocráticas. E as tarefas que lhe são atribuídas têm de ser menos dispersas, e convergir para a função de ensino. Isto para que os professores possam trabalhar melhor.
Nota: O leitor que tenha curiosidade em conhecer melhor as funções que estão atribuídas aos professores, deve consultar o Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro (Estatuto da Carreira Docente) e o Despacho n.º 19117/2008 de 17 de Julho (que orienta a elaboração dos horários dos docentes). Estes documentos, apenas darão uma pequena visão das totalidade de tarefas que os professores efectivamente desempenham.
Já agora leia também:
As duas vestais do sagrado altar do eduquês
que eles não desarmam tão facilmente...
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Últimas... ou Primeiras
- Já que anda tudo na reivindicação dos 12, e já que o Director de Turma faz disso mesmo, de pai e mãe, de família, de assistente social, de mediador familiar, de confidente, de orientador escolar, de escriturário, e o mais que agora não me ocorre, eu propunha que o número de horas fosse flexível até ao limite das 12 horas, de acordo com a complexidade da turma.
Como isso seria pedir a lua, fico-me pela subscrição deste:
Por melhores condições para o exercício do cargo de Director de Turma
[...] Consagrar na componente lectiva do horário de trabalho do docente director de turma três tempos de 45 minutos destinados ao exercício desta função. [...]
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- Hoje: Nova ronda negocial entre o ME e a Plataforma Sindical
Ponto comum, nas duas reuniões, será o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), estando explicitado para a reunião de dia 12, o final do processo de nova regulamentação da prova de ingresso na profissão. Já para a reunião de dia 16, surge, inesperadamente, a alteração do regime jurídico da formação contínua, aguardando-se que o ME envie à FENPROF as suas propostas sobre esta matéria.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
O PODER e o /do EXEMPLO
O exemplo educa mais que mil palavras. - quem foi que disse? não sei, mas é do senso comum.
O Luís Silva Rosa, nosso precioso colaborador não-professor, ainda ontem o reivindicou, na entrada O (PRE)TEXTO, aqui mais abaixo.
Comemorações do 10 de Junho
António Barreto exorta o poder a dar “o exemplo”
Perante o Presidente da República, o primeiro-ministro, membros do Governo e altas patentes militares, António Barreto — que substituiu o falecido João Bénard da Costa na comissão das comemorações — elogiou, por outro lado, a consolidação do regime democrático — ainda que “recheado de defeitos” —, a evolução da situação das mulheres, a pluralidade da sociedade portuguesa e a filosofia do Estado de protecção social.
O sociólogo defendeu que os portugueses precisam do "exemplo" dos seus heróis — como o que hoje se comemora, Luís de Camões — "mas também dos seus dirigentes". “Porque o exemplo tem efeitos mais duráveis do que qualquer ensino voluntarista”, justificou.
E apelou ao exemplo pela justiça e pela tolerância, pela “honestidade e contra a corrupção”, pela eficácia, pontualidade, atendimento público e civilidade de costumes, contra a decadência moral e cívica, pela recompensa ao mérito e a punição do favoritismo.
Vale a pena ler to do discurso aqui.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Uns e os outros
Associo-me ao coro blogosférico, porque vale a pena ler e porque a derrota também se deve a eles.
Ao longo destes últimos quatro anos, os professores têm sido a voz mais forte e mais ousada na contestação ao Governo. E são-no porque têm sido eles a experimentar, mais do que em qualquer outro sector, o que significa a "empresarialização" dos serviços públicos.
Alguém pensou: "temos que alcançar os níveis europeus em matéria de resultados escolares, mas sem fazer o esforço de investimento que fizeram os outros países europeus". A solução do Governo PS: indicar um culpado, os professores; pressionar os resultados; e juntar a propaganda.
Quatro anos do triunvirato Mª Lurdes Rodrigues - Valter Lemos - Jorge Pedreira, resumem-se a isso. Resume-se a duas ideias centrais: primeiro, uma escola organizada como uma cadeia de comando capaz de produzir, rapidamente, resultados "politicamente" simpáticos para quem governa; e segundo, uma classe docente domesticada pelo medo e pela concorrência interpares, que cumpra ordens sem pinga de crítica, e saia baratinha na factura salarial do Ministério da Educação (ME). Toda a arquitectura legislativa, toda a orientação política do ME seguiu neste sentido. Modelo de avaliação, modelo de gestão, estatuto do aluno, e o Magalhães para ajudar à festa...
Quando se provou que os professores não se iriam deixar humilhar e enxovalhar pelo Governo, e que estavam dispostos a lutar, veio a chantagem e as ameaças do ME - ameaça de processos disciplinares, de não progressão na carreira, o afastamento e a intimidação de Conselhos Executivos que não vergavam.
Mesmo assim, uma, e outra, e outra vez, os professores saíram à rua. Porque sabem o que está em causa. Sabem que hoje a escola pública enfrenta uma crise, mas que não pode perder a confiança da opinião pública. Sabem que a multiplicação burocrática não trouxe rigor nem exigência às práticas escolares, apenas aumentou o espaço de manobras dos burocratas políticos de serviço. Sabem que se criaram e inventaram novos problemas, sem nunca resolver os velhos e determinantes problemas do sistema educativo português - o abandono e o insucesso escolar. Sabem que hoje as escolas enfrentam todos os desafios - a herança da iliteracia e a globalização mediática - ; sabem que à escola se pede todas as funções, da educação clássica, às novas competências, e ao apoio social às famílias e aos excluídos; e sabem que lhes faltam todos os instrumentos para fazer esse combate, e essa tarefa.
Quem saiu à rua sabe exactamente o que quer - pacificar as escolas, esquecer Maria de Lurdes Rodrigues, investir no sistema educativo e nos profissionais que fazem a escola pública. Em Setembro ou Outubro, os professores sairão de novo à rua. De outra maneira voltarão a dizer ao PS que não aceitam ser humilhados e perseguidos. Tenho a sensação que dessa vez o PS vai ouvir com muito mais atenção.
Ana Drago, deputada do BE, in Esquerda.Net, 02 de Junho de 2009
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A cabeça perdida da Educação
.O Ministério da Educação está de cabeça perdida, de facto. A ira, o ataque desmedido, o sentimento anti-Escola, anti-professores e "anti-tudo-o-que-não-seja-do-meu-querido-PS", toldou a capacidade de raciocínio à própria Ministra que escolhe agora o insulto como arma política, à falta de argumento e de bom-senso. O estilo trauliteiro, quase arruaceiro, que presidiu a esta última audição do Ministério da Educação na Comissão de Educação e Ciência demonstrou bem a natureza anti-democrática de uma Ministra que impôs uma política de subversão, à margem da Lei de Bases do Sistema Educativo e da Constituição da República Portuguesa.
A Ministra adoptou uma postura de uma arrogância tal que só vem reforçar, ainda que já de forma ridícula, a sua obstinação contra os professores, o seu ódio visceral pela escola pública e a sua concepção de Estado enquanto propriedade do Governo. Concebe, pois a Escola, não como uma construção dos portugueses, dos professores, auxiliares de acção educativa e de outros homens e mulheres que entregaram um generoso contributo para a edificação de uma Escola Pública que, em pouco mais de trinta anos, cresceu permitindo a massificação do Ensino; mas como uma propriedade sujeita aos caprichos e ditames, à ditadura tecnocrata dos gabinetes da ministra em funções.
Exactamente porque a razão não sustenta a sua acção, a Ministra ostenta a sua irracional paixão que se traduz numa total perda da lucidez política para lidar com o Sistema Educativo. Mas mais do que tudo: a Ministra não gosta da Lei. Não gosta da Lei de Bases, não gosta da Constituição e por isso mesmo, actua na marginalidade: à margem da lei, fazendo por ignorar que a lei existe e abusando da sua posição de poder para a contornar sempre que a lei não satisfaz os seus caprichos.
A estratégia está clara. A agudização do comportamento agressivo e autoritário da Ministra reflecte uma cabeça perdida que tenta agora captar os votos de todos quantos não conhecem as escolas, o seu dia-a-dia, tenta ainda seduzir os pais responsabilizando os professores pelas falhas das escolas que sentem, tenta captar a fidelidade de um punhado de eleitores que se revêem na política de direita autoritária e que concebe a escola como uma fábrica, os professores como operários e os estudantes como produtos. Tenta fidelizar os votos desses miseráveis espectros políticos porque sabe que não conta com os votos dos professores, dos democratas e de todos os que defendem uma Escola Pública de qualidade, e sabe que não contaria com esses votos, nem que viesse agora chorar falsos arrependimentos.
Ao menos assim, sabemos todos com o que contar no dia das eleições.
Agradeço as pistas à Pérola da Cultura e à Educação do Meu Umbigo
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Cruzes? Credo!
Desculpas, há-as para todos os gostos: ou porque acham que a Europa fica longe e não lhes diz nada; ou porque estão desencantados com os políticos; ou porque o tempo convida ao relax e a consciência cívica não é por aí além.
O direito de voto custou a ganhar pelo que dói vê-lo assim desperdiçado.
E não saber em quem votar não é álibi para a abstenção.
Mas cuidado com com as não-cruzes.
Nas deambulações pela rede, passo com alguma frequência pelo blogue da Setora, que recomendo. Hoje encontrei lá um poste que considero sábio e de grande utilidade.
Aqui o deixo com os votos de que faça bom proveito.
O voto
Desde jovem aprendi que só devemos votar branco se tal escolha estiver contemplada no boletim. Se no boletim, para além do registo de todos os partidos concorrentes, estiver mencionado o BRANCO, então podemos assinalar essa opção.
Tal não existe, pelo menos por enquanto, nos boletins de voto em Portugal. A democracia por cá é assim. Até teria sentido os votos em branco darem lugares na Assembleia da República. Lugares vazios de acordo com o método de contagem. Seria interessante.
Deixar o boletim sem qualquer marcação é abrir caminho ao aparecimento de canetas voadoras que por nós votam neste, naquele ou no outro. Há prestidigitadores que, em menos de um fósforo, votam por mim. Embora aprecie a ligeireza dos dedos desses artistas, prefiro que não me usem para demonstrar as suas habilidades.
Para votar branco só manuscrevendo no boletim BRANCO, desenhando à frente o quadradito e inserindo então a cruz marcadora. Vão anular o voto? Paciência. Não delego em ninguém.
Já vi tanta coisa!
O Medo de Existir
Numa das últimas edições do Câmara Clara, na RTP2, falava-se da obra Portugal Hoje - O Medo de Existir, do filósofo José Gil, publicada há 4 anos. O que ouvi, para além de completamente actual, deixou-me muito curiosa.
Fiz uma pesquisa, breve e intermitente (que o tempo é escasso) e fui encontrando basta informação que só aumentou o apetite pela leitura.
Deixei a ideia a marinar em rascunho e hoje decidi-me a acabar este poste.
O livro, esse tem que ficar para mais tarde porque está a começar um período de intenso trabalho na escola. Ao contrário do que se pensa não vamos entrar de férias.
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“Portugal, Hoje" propõe-se denunciar, à laia de manifesto, os traços que explicarão o nosso atraso endémico. Escrito num tom vivo e acutilante este livro é de leitura fácil. Cada capítulo, curto e bem sintetizado, dedica-se a um dos factores que Gil considera contribuírem para o mal nacional. Assim, teremos entre outros a televisão, a não-inscrição, o medo, a inveja e o queixume. [...]
“Portugal, Hoje” pecará por alguma superficialidade nas explicações avançadas e cede demasiado à tentação de psicologizar. Falta uma certa visão histórica. No entanto, não deixa de ser uma leitura importante quanto mais não seja porque nos faz pensar e pensar é o primeiro passo para nos fazer agir e mudar. Creio que a maior virtude do livro, e do seu estilo desencantado e pessimista, é a de agitar as consciências e num estilo acessível a todos.
José Gil começa por apontar o dedo à televisão que cria um clima de entorpecimento e de não-real, de não-acontecimento. A mediatização é apontada como sendo uma das responsáveis pelo nevoeiro que envolve a sociedade portuguesa não permitindo que se discirnam com clareza os factos.
A não-inscrição é outro traço dominante na psicologia nacional. As coisas passam mas não mexem verdadeiramente com as pessoas, não se inscrevem, resultando daí uma inacção, uma falta de afirmação e também de responsabilização.
A não-inscrição explicará também a falta de debate no espaço público ou até de verdadeiras críticas de arte, a livros, a espectáculos. As discussões são muito pobres, nunca se vai ao âmago das coisas e dos problemas, fica-se sempre pela superfície. “Os portugueses não sabem falar uns com os outros, nem dialogar, nem debater, nem conversar. Duas razões concorrem para que tal aconteça: o movimento saltitante com que passam de um assunto a outro e a incapacidade de ouvir”.
Também o medo, fruto dos anos de ditadura, impede que se assuma a liberdade plena, que se diga o que se pensa. Um certo culto do “sôtor” e a reverencia a quem tem poder são ainda peias que tolhem o pensamento e a acção livres. Por outro lado, pensamos que nunca estamos à altura, que não somos suficientemente bons, anulando-se assim todas as potencialidades criativas. É a famosa falta de auto-estima a que a tão badalada teoria da inveja promove. Ou seja, numa sociedade em que o imobilismo grassa quem quer fazer é, inevitavelmente, mal-visto, alvo de intriga e de maledicência. Quem se destaca será, portanto, excluído do grupo.
Gil continua a dissecar os males pátrios desenvolvendo a sua teoria da não-inscrição. Daí derivará também o “pensar pequeno” português, de que os abundantes “inhos” e “itos” e diminutivos da linguagem são ilustrativos. “O ‘pequeno’ representa o tamanho perfeito, adequado ao seu investimento afectivo (...). O português revê-se no pequeno, vive no pequeno, abriga-se e reconforta-se no pequeno: pequenos prazeres, pequenos amores, pequenas viagens, pequenas ideias...”.

