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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

11/11/11 – O FIM DO ENSINO

Em tempos passou um sábio por um reino, deixando todos maravilhados com a sua sabedoria. De tal modo sábio, mas também ousado, propôs ao rei ensinar o seu burro a falar no espaço de um mês, a troco duma quantia acordada. O rei, como gostava de possuir aquilo que mais ninguém tinha, aceitou a proposta. O sábio, passado o mês, vai ao palácio real entregar o burro, uma vez que havia já cumprido o seu trabalho. No dia seguinte, o rei mandou que trouxessem o homem à sua presença, indignado por este não ter ensinado o burro a falar e reclamando o seu dinheiro de volta. Então, com uma atitude humilde, o sábio disse que não devolveria o dinheiro porque tinha, de facto, e ao contrário do que o rei afirmava, ensinado o burro a falar. “Como, se ele não fala?”, perguntou o rei, furioso. Então o sábio respondeu, seguro de si: “Isso não é problema meu. Eu ensinei, ele é que não aprendeu.” O rei era um homem sensato, apesar das suas manias, pelo que deixou o homem ir em paz.

Esta parábola antiga evidencia aquilo que é fundamental para que a aprendizagem aconteça: um lado a ensinar e outro a aprender. Quem não quiser, ou não tiver condições à partida para fazer uma determinada aprendizagem, não a fará. E nesse caso não se podem apontar culpas a quem ensina. Ora, este é o grande drama do ensino na atualidade. Os alunos não são burros, mas se a sua atitude não for a adequada face à aprendizagem, também não aprenderão, e isso não quer dizer que o professor não esteja a cumprir o seu papel. Por vezes ouve-se de alguns alunos e de alguns pais (e não só) que os professores não ensinam. Seria importante que tivessem esta parábola em mente.

Quem teima em atribuir culpas aos professores tem de olhar para esta realidade, uma vez que o comportamento dos alunos é o grande responsável pelo seu insucesso. Então pode questionar-se… A quem compete mudar este estado de coisas? E resposta é simples… É a quem permite que isto aconteça. Não são os professores que ensinam os comportamentos incorretos aos alunos, nem são eles que produziram a legislação que empecilha todo e qualquer trabalho sério no sentido de os disciplinar.

Nas situações mais complicadas manda-se para a rua. (Muitos professores não mandam por causa daquilo que está escrito neste parágrafo.) Para mandar para a rua é preciso preencher papéis. Depois os pais contestam os papéis, às vezes com mais papéis. Para fazer um conselho disciplinar é preciso que haja muitos papéis desses, de preferência acompanhados por outros papéis, acrescentados por quem instaurar o processo, se for caso disso. O conselho de turma propõe uma pena que poderá não agradar ao diretor da escola, nem aos membros do conselho pedagógico. Quer dizer, lá no fundo concordam, mas não decidem de acordo com a sua consciência com receio de que venham outros papéis: dos pais, da sua associação, da psicóloga, da direção regional ou do ministério… que façam tudo voltar atrás. Isso obrigaria a analisar de novo os antigos papéis e a apreciar os novos papéis, a equacionar anteriores receios e os novos receios. No fim, os diretores e os conselhos pedagógicos acabarão, em regra, por decidir aquilo que mais agradar aos pais, que é uma simples repreensão escrita ou o arquivar do processo. Escusado seria dizer que o professor poderá muito bem vir a ser apontado, pelo aluno e pelos pais, como o culpado por tudo isto.

Mas as questões disciplinares são muito mais complexas do que aquilo que se restringe a uma sala de aula. Nas muitas escolas onde os problemas disciplinares não têm o desfecho que deviam ter, os alunos passam de boca em ouvido a mensagem “aqui podemos fazer o que quisermos porque não nos acontece nada”. Isso inclui estragar equipamentos, agredir colegas, insultar professores e funcionários. Obviamente, assim já se percebeu que não se vai lá e que ambos perdem: os professores, porque se desgastam e desmotivam; os alunos, porque não aproveitam como poderiam as aprendizagens que os professores lhes tentam passar.

Não cumprindo o seu papel, o ensino chegou ao fim. Já não é ensino porque deixou de haver educação. O ensino não sobrevive à ausência de educação. Daqui a uns tempos não se chame ensino a “isto”, porque “isto” já não o será. Utilize-se ou invente-se outra palavra. Porque gostamos de números curiosos, podemos propor como data simbólica para o fim do ensino o dia 11/11/11, onde cada 1 existe a par com outro 1. Facílimo de recordar, por muito tempo que passe.

Paz à sua alma.

António Galrinho

Professor





Nota: Voltei....com este texto que acabei de receber....

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ex-primeiro-ministro islandês julgado por negligência governativa

Um processo judicial contra o ex-primeiro-ministro islandês Geeir Haarde, acusado de negligência grave durante o seu mandato governativo, começa esta terça-feira num tribunal especial.

Em Setembro de 2010, o parlamento islandês decidiu processar por "negligência" o antigo chefe do Governo, que liderava o país na altura em que o sistema financeiro islandês entrou em colapso, em Outubro de 2008.

Para julgar Haarde, foi criado um tribunal especial, o Tribunal Superior de Justiça (Landsdomur).

O tribunal deverá confirmar a acusação, esta terça-feira, mas segundo a comunicação social islandesa o início do julgamento só deverá ocorrer depois do verão, uma vez que a instância judicial irá atribuir um prazo ao antigo governante para apresentar objecções.

Haarde demitiu-se em Janeiro de 2009, anunciando sofrer de um cancro.

Jornal de Notícias


Nota: Olha, olha!! Tal e qual como cá!!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O robô e a máquina de propaganda

30 de Maio, 2011

por José António Saraiva


A máquina do Governo dispõe de uma redacção que ataca os artigos e os colunistas considerados hostis.
Muitas vezes fala-se da ‘máquina de propaganda’ do Governo socialista. Mas nunca houve uma tentativa séria de investigar como funciona, que métodos utiliza, quantas pessoas envolve, quem a dirige, etc.

Vou dizer o que sei.

Essa máquina desdobra-se por várias frentes. Tem uma espécie de redacção central, que funciona como a redacção de um jornal, cuja missão é fazer constantemente contra-propaganda. Dispõe de um blogue chamado Câmara Corporativa (http://corporacoes.blogspot.com) e está permanentemente atenta a tudo o que se publica, desmentindo as notícias consideradas negativas para o Governo.

Além disso, critica artigos de opinião publicados nos jornais, rebatendo os argumentos e, por vezes, ridicularizando ou desacreditando os seus autores.

Mobiliza pessoas para intervir nos fóruns tipo TSF que hoje existem em todas as estações de rádio e TV.

Selecciona na imprensa internacional notícias, artigos ou entrevistas favoráveis ao Governo português e põe-nos a circular entre jornalistas e colunistas ‘amigos’.

É por esta última razão que vemos às vezes opiniões publicadas em obscuros órgãos de comunicação estrangeiros citadas em Portugal por diversas pessoas como importantes argumentos.

Outra vertente são as relações com jornalistas. Há uma rede de jornalistas ‘amigos’ e a coisa funciona assim: um assessor fala com um jornalista amigo e dá-lhe determinada informação. Chama-se a isto ‘plantar uma notícia’ – e todos os Governos o fazem. Só que, uma vez a notícia publicada, às vezes com pouco destaque, os assessores telefonam a outros jornalistas e sopram-lhes: «Viste aquela notícia no sítio tal? Olha que é verdade! E é importante!». E assim a notícia é amplificada, conseguindo-se um efeito de confirmação.

Umas vezes as notícias plantadas são verdadeiras, outras vezes são falsas. O Expresso, por exemplo, chegou a publicar em semanas consecutivas uma coisa e o seu contrário. Significativamente, o que estava em causa era Teixeira dos Santos, que o PS queria queimar.

E constata-se que as notícias desagradáveis para a oposição têm mais eco do que outras. Veja-se a repercussão que teve uma carta de António Capucho publicada no SOL, que era um documento interessante mas não tinha a relevância que acabou por ter. A máquina de propaganda amplifica as notícias que interessam ao Governo.

Em seguida, os comentadores colocados pelo PS nos vários programas de debate que hoje enxameiam as televisões repetem os argumentos convenientes. José Lello, Sérgio Sousa Pinto, Emídio Rangel, Francisco Assis, etc., repetem à saciedade, às vezes como papagaios, as mesmas ideias. E mesmo António Costa, na Quadratura do Círculo, um programa de características diferentes, não foge à regra: nunca o vi fazer uma crítica directa a Sócrates. Mas vi-o fazer uma crítica brutal a Teixeira dos Santos, na tal altura em que começou a cair em desgraça.

As únicas situações em que as coisas fugiram do controlo da máquina socrática foram os casos Freeport e Face Oculta. Só que aí era impossível abafá-los. E para os combater foram lançadas contra-campanhas, como expliquei noutros artigos. E houve pessoas que pagaram por isso.

A par das relações com os jornalistas, que se processam diariamente, há outro aspecto decisivo que passa pelo controlo dos principais meios.

A tentativa de comprar a TVI falhou, mas José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes foram afastados e a orientação editorial da estação mudou. José Manuel Fernandes foi afastado do Público, e a orientação do jornal também mudou. Medina Carreira foi afastado da SIC. O SOL foi alvo de uma tentativa de asfixia. E estes são apenas os casos mais conhecidos.

Por outro lado, o Governo soube cultivar boas relações com os patrões dos grandes grupos de media – a Controlinvest, a Cofina e a Impresa –, também como consequência das crises financeiras em que estes se viram mergulhados.

Podemos assim constatar que, das três estações de TV generalistas, nenhuma hoje é hostil ao Governo. A RTP é do Estado, a TVI – que era muito crítica – foi apaziguada, a SIC tem--se vindo a aproximar do Executivo. Ora isto é anormal na Europa. Em quase todos os países há estações próximas da esquerda, há estações próximas da direita, há estações próximas do Governo, há estações próximas da oposição. Em Portugal é diferente.

Ainda no plano da contra-propaganda, já falei noutras alturas da técnica do boomerang. Como funciona? Quando alguém da oposição (regra geral, o líder do PSD) diz qualquer coisa passível de exploração negativa, toda a máquina se põe a mexer para usar essa ideia como arma de arremesso contra quem a proferiu.

Passos Coelho diz que quer mudar certas regras na Saúde – e logo Francisco Assis, Silva Pereira, Vieira da Silva, Jorge Lacão ou Santos Silva, os gendarmes de serviço, vêm gritar: «O PSD quer acabar com o Serviço Nacional de Saúde!». Passos Coelho diz qualquer coisa sobre as escolas públicas e as privadas – e lá vêm os mesmos dizer: «O PSD quer acabar com o ensino público gratuito!». Passos Coelho diz que quer certificar as ‘Novas Oportunidades’ – e os mesmos repetem: «O PSD ofendeu 500 mil portugueses!». E, no final, todos dizem em coro: «O PSD quer acabar com o Estado Social!».

Passos Coelho não soube lidar com isto de início. E, perante estes ataques, acabou muitas vezes por bater em retirada. Propôs uma revisão constitucional e recuou. Outras vezes explicou-se em demasia. E com isso deu uma ideia de impreparação e falta de convicção, que só recentemente conseguiu corrigir.

Mas a máquina não fica por aqui. Tem muitas outras frentes de combate. Os assessores do primeiro-ministro organizam dossiês para cada ministro, dizendo-lhes como devem reagir perante o que diariamente é publicado na imprensa. Assim, bem cedo pela manhã, um assessor telefona a um ministro, faz-lhe uma resenha da imprensa e diz-lhe o que ele deve responder a esta e àquela pergunta.

Claro que há ministros que não aceitam este paternalismo. Que querem ter liberdade para responder pela sua cabeça. Mas esses ficam logo marcados. Admito que Luís Amado não aceite recados, estou certo de que Campos e Cunha não os aceitou, Freitas do Amaral também não. Mas a maioria dos outros aceitou-os ou aceita-os, até para tranquilidade própria: assim têm a certeza de não cometer gaffes e não desagradar ao primeiro-ministro.

E já não falo nos boys colocados em todos os Ministérios e em todas as administrações das empresas públicas e que funcionam como correias de transmissão da opinião do Governo. Rui Pedro Soares é o caso mais conhecido. Mas obviamente não é o único. Eles estão por toda a parte. Muitas vezes nem têm posições de grande relevo. Mas o facto de se saber que são os porta-vozes do poder confere-lhes importância acrescida, porque as pessoas receiam-nos.

Como resultado de tudo isto, muita gente, mesmo dentro do PS, tem medo. Evita falar. No congresso socialista, que mais parecia um encontro da IURD, vimos pessoas respeitáveis participar alegremente na farsa sem um gesto de distanciação. Chegou a meter dó ver António Costa, António Vitorino, o próprio Almeida Santos, envolvidos naquela encenação patética.

Que foi produzida como uma super-produção, com sofisticados meios audiovisuais. Quando Sócrates começou a proferir a primeira das três últimas frases do seu último discurso, uma música ‘heróica’ começou a ouvir-se baixinho. E foi subindo, subindo de tom – e quando Sócrates acabou de falar a música estoirou, as luzes brilharam, não sei se houve fogo preso mas podia ter havido, choveram flores, foi a apoteose.

Quem dirigirá esta poderosa e bem oleada máquina de propaganda e contra-propaganda?

Haverá certamente um núcleo duro, ao qual não serão alheios aqueles que dão a cara nos momentos difíceis: Francisco Assis, Jorge Lacão e os três Silvas: Vieira da Silva, Augusto Santos Silva e Pedro Silva Pereira.

Há quem fale numa personagem misteriosa, sibilina, que não gosta dos holofotes e que dá pelo nome de Luís Bernardo. Actualmente é assessor de Sócrates, antes foi assessor de Carrilho na Cultura. Pedro Norton, actual número 2 da Impresa e seu amigo, diz que ele é «o homem mais inteligente que conhece».

Acontece que uma máquina política pode ser muito boa, pode estar muito bem oleada, pode funcionar na perfeição, mas tem sempre um ponto fraco: depende em última análise da performance de um homem.

Durante anos essa performance foi quase perfeita – por isso chamei a Sócrates um ‘robô político’. Ora esse robô, agora, começou a falhar. E a derrota televisiva perante Passos Coelho pode ter posto em causa toda a engrenagem. O robô engasgou-se, exaltou-se, esteve à beira de colapsar.

E quando isso acontece não há máquina de propaganda que valha.

http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=20467

domingo, 29 de maio de 2011

PIG - POVO IDIOTA E GRUNHO

Digam lá o que disserem dela - da Manuela Moura Guedes - esta é que é a verdade!!

domingo, 8 de maio de 2011

Santana Castilho: confirmo a minha participação no programa eleitoral do PSD

08 Maio, 2011 Posted by prof ramiro marques

A propósito da publicação do livro O Ensino Passado a Limpo (Porto Editora), prefaciado por Pedro Passos Coelho, o ProfBlog quis ouvir Santana Castilho sobre as medidas para melhorar a qualidade do serviço educativo.

ProfBlog - A assinatura do prefácio ao livro por Pedro Passos Coelho pode ser interpretada como um apoio do líder do PSD às propostas nele incluídas?

Santana Castilho - Pode. Mas é melhor ler o prefácio.

ProfBlog - Pode indicar quais são as cinco medidas prioritárias que propõe no livro?


Santana Castilho - (1) Assumir a definitiva e total autonomia das escolas. O paradigma tradicional de gestão do sistema está esgotado. O poder tem que confiar nos professores e entregar-lhes a responsabilidade efectiva de gestão das suas escolas. Como corolário óbvio, serão extintas as direcções regionais de educação e proceder-se-á à adequação consequente da estrutura orgânica do Ministério da Educação. As valências centrais limitar-se-ão à definição das políticas de natureza nacional, à supervisão, ao controlo da qualidade e aos instrumentos de avaliação e relativização dos resultados. Deste enunciado genérico emana a imperiosa necessidade de despolitizar todos os serviços técnicos. Há que ganhar uma estabilidade de funções, que persista para lá das mudanças dos políticos, protegendo a administração superior da volatilidade política.


(2) Reformar a legislação vigente depois de a reduzir ao essencial e republicá-la livre do carácter prolixo e indecifrável que a caracteriza. Em Portugal legisla-se muito e mal. Mas o expoente máximo do dilúvio legislativo reside nos normativos que regulam a administração da Educação. Não se trata de prosseguir na mesma via. Trata-se de extrair o necessário do que se encontra publicado e de o ordenar em códigos temáticos que possam ser usados e facilmente entendidos por todos. E trata-se, depois, de mudar a cultura organizacional, pondo cobro à demência legislativa e tornando a estabilidade norma.

(3) Conceber um modelo de avaliação do desempenho docente que obedeça aos seguintes princípios: o quadro legal que venha a ser definido tratará autonomamente a avaliação do desempenho e a classificação do desempenho; o modelo de avaliação e classificação do desempenho será desenvolvido com a colaboração estreita dos actores a quem se destina, substituindo a lógica da imposição pela lógica da aceitação; o modelo de avaliação e classificação do desempenho das escolas e dos professores será sujeito a um sério escrutínio técnico, de natureza pedagógica e científica, por parte das associações representativas da comunidade educativa, de modo a garantir-lhe credibilidade e exequibilidade; o modelo de avaliação e de classificação do desempenho não será universal, isto é, não será o mesmo para contextos científicos e pedagógicos diferentes; a avaliação do desempenho privilegiará o desempenho da Escola, enquanto somatório do desempenho dos seus actores; a avaliação do desempenho dos docentes far-se-á tendo como referencial obrigatório o quadro de desenvolvimento da escola a que o docente pertence e não uma multiplicidade de percursos e objectivos individuais dos docentes que a integram; a avaliação do desempenho visará a gestão do desempenho, isto é, terá como resultado prioritário a determinação dos obstáculos ao sucesso do ensino e a sua remoção, numa lógica formativa; a classificação do desempenho referir-se-á a ciclos temporais bem mais dilatados que o anual, manifestamente insuficiente para gerar alterações observáveis relevantes e de forma a não supor cargas incomportáveis de procedimentos administrativos, sendo que, no que toca a consequências na progressão na carreira dos docentes, tais ciclos temporais serão os da duração de cada escalão profissional; a classificação do desempenho revestirá uma lógica externa preponderante, removendo definitivamente da cultura organizacional das escolas os malefícios da classificação inter-pares; a avaliação e a classificação do desempenho serão consequentes, num quadro de correspondência bem definida entre autonomia e responsabilidade; a avaliação e a classificação do desempenho passarão a constituir referenciais dominantes da acção de supervisão formativa da Inspecção-Geral da Educação e instrumentos axiais de uma política de garantia da qualidade do ensino.

(4) Alterar o modelo de gestão das escolas, compatibilizando-o com o novo paradigma de autonomia, devolvendo-lhe a democraticidade perdida, adequando a natureza dos órgãos às realidades sociais existentes e abandonando a lógica concentradora do poder num só órgão.

(5) Auditar do ponto de vista financeiro, pedagógico e científico o programa Novas Oportunidades. Reapreciar e reformar os programas EFA E CEF.

ProfBlog - Confirma a sua participação na elaboração do programa eleitoral do PSD para a Educação?

Santana Castilho - Confirmo

ProfBlog - O seu livro coloca a nu a fragilidade das políticas educativas dos últimos seis anos. Pode indicar quais foram as três medidas mais gravosas?

Santana Castilho - A imposição do modelo de avaliação do desempenho, a alteração do regime de gestão das escolas e toda a política de rede escolar, conducente à criação dos mega agrupamentos.

ProfBlog - Quais as três primeiras medidas educativas que o próximo governo deve tomar?

Santana Castilho - As 3 primeiras das 5 anteriormente citadas.

Para saber mais
Excerto do Prefácio de Pedro Passos Coelho

Nota: Gostei muiiiito de ler isto. Muito bem!!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Texto excelente de Santana Castilho

Nota: Ora aqui está um excelente resumo da personalidade, do "currículo" e da "obra" do nosso maestro...

Fui buscá-lo à Anabela

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Trilogia sobre um Modelo de Avaliação Doente

Acto Final, finalmente!

Agora a sério.
Faz amanhã uma semana que a dita foi revogada na AR.
Desde essa data que ando aqui a salvar rascunhos do último poste desta trilogia dedicada à sua morte (ainda não promulgada, nem...).
Pensei, várias vezes, em adiá-lo para o momento em que a notícia fosse definitiva.
Também pensei publicar apenas a frase da substância: Eu quero ser avaliada!

Porém parecia-me pouco. Parecia-me provocatório e não é essa a minha intenção.

Ao longo deste loooongo processo de resistência ao modelo de avaliação imposto pelos governos do PS, os professores foram/são alvo de descrédito, de calúnias, de ofensas, muitas vezes por quem fala sem saber do que fala, e outras, muitas outras, por quem sabe bem o que está a fazer.

As nossas vozes ou não foram ouvidas ou, pior, foram distorcidas. Por isso, me parecia que este era o tempo de (re)afirmar claramente os nossos propósitos, pelo menos os  meus.
Com a falta de tempo e as palavras desgastadas só me restou mesmo escrever, apagar, guardar e adiar.

Hoje encontrei aqui o que queria dizer, mas escrito por quem o faz bem melhor do que eu. Subscrevo cada palavra.



José Matias Alves

Desde há 3 anos que a avaliação do desempenho dos docentes tem estado sempre no centro da agenda e da turbulência educativa. Porque era impossível (como tive oportunidade de dizer e demonstrar), porque era burocrática e monstruosa (também por responsabilidade das próprias escolas), porque era um instrumento de persecução de autoridades que o não sabiam ser, porque minava os modos de ser professor, porque requeria um excessivo tempo (que era roubado ao essencial da profissão – ensinar-fazer aprender-avaliar – porque não tinha condições de realização por falta de conhecimentos e de preparação, porque o campo profissional estava minado por uma vasta desconfiança mútua.

Por razões de oportunidade (leia-se de oportunismo político), o PSD e toda a oposição parlamentar deliberou suspender a avaliação em curso. Há razões objetivas (e demonstráveis) que tornam evidente que este sistema de avaliação estava longe de concorrer para elevar as qualidades de ensino e das aprendizagens. Há evidências que permitem sustentar (de um geral e sem se poder generalizar) que os prejuízos estavam a ser maiores que os benefícios. E por isso, o discurso da indignação soa a uma manifesta falsidade.

Mas deve também dizer-se que esta suspensão se pode virar contra os professores. Porque se cria a ideia de que os professores, definitivamente, não querem ser avaliados. E são uma espécie de classe profissional pária. E isto pode ter muito nefastas consequências na imagem pública e, posteriormente, na ação política (cerceando e limitando ainda mais os direitos profissionais).

Por isso, temos de reivindicar uma avaliação com significado e sentido. Uma avaliação que aposte claramente na dimensão interna, formativa, colaborativa. Na construção de uma cultura profissional que se resgate da clausura, da solidão e do sofrimento profissional. Uma avaliação que esteja nas mãos dos professores. E que se distinga dos mecanismos de progressão na carreira (embora esteja necessariamente conectada). Mais do que celebrar o fim, temos de ousar um início. Antes que seja tarde demais.

* José Matias Alves é professor do Ensino Secundário, mestre em Administração Escolar pela Universidade do Minho, doutor em Educação pela Universidade Católica Portuguesa e professor convidado desta instituição.

domingo, 27 de março de 2011

É favor Votarem no Inquérito

Apesar da errada formulação da pergunta. O inquérito encontra-se na página inicial do JN online, à esquerda. Votem e espalhem o inquérito pelas caixas de correio electrónico, pela blogosfera e pelo Face. Obrigada à Anabela Magalhães, sempre atenta.

sábado, 26 de março de 2011

Mas este dia nunca mais termina?


Depois de sentir uma alegria, amarga e doce, por ver finalmente suspensa a borracheira que foi/é um modelo de Avaliação de Desempenho Docente, que tinha como objetivos poupar uns tostões, limpar a estatística e domar os profissionais a quem se entregam as cabeças dos portugueses do futuro...

Depois de ouvir a declaração do voto contra a suspensão da ADD dada por JPP à imprensa... Precisado de regressar à escola... até já diz  "obteram"...

Depois de chorar, de rir, com a indignação da senhora dona escritora ministra por causa da interrupção de um processo, quando o ministério que tutela é mestre na mudança das regras a meio dos jogos. Olha aquela do estatuto do aluno publicada em Janeiro com efeitos retroativos a Setembro...

Depois de saber que este figurão, colega do inginheiro, em vez de ser castigado recebeu  822.192 euros do BCP em 2010...

Depois de ler a arrogante irritação do demissionário com elementos da imprensa estrangeira, que lhe perguntavam se Portugal precisava de ajuda...

Depois de ver a senhora alemã, que manda no país dela e arredores, ter agradecido ao menino das birras, por sinal muito impaciente por voltar e meter a pátria na ordem...

Depois de desejar  o que António Barreto preconiza ali abaixo: uma auditoria das contas públicas, para que o povão saiba, com clareza, o tamanho do nosso buraco e o destino do nosso dinheiro...

Só me faltava confirmar que aqueles que se dizem socialistas continuam cegos, surdos e submissos...


Só me faltava saber, preto no branco, que estão interessados é em varrer os números para baixo do tapete:

tudo farinha do mesmo saco: a senhora das salsichas, o cherne que nadou para a UE, o de bolirei, o inginheiro, o coelho...

Do umbigo, sempre atualizado.

Não há alegria que aguente...
Estamos fritos e bem-passados!

O Acto III da trilogia fica para amanhã, que não há quem aguente tanta trapalhada.

domingo, 13 de março de 2011

Os Lírios estiveram no Campo Pequeno

À chegada,

Encontrando a nossa grande amiga bloguista!! Que prazer poder trocar abraços!!

Comunicando com quem nos pode ( e deve ) ajudar a lutar....

A emoção do Campo Pequeno ao rubro!!

Na rua...marcando forte presença
Nota: Mais uma vez alguns Lírios (os mesmos de sempre!) estiveram na luta por: uma escola digna; um ensino verdadeiro; um País decente; uma avaliação honesta; horas disponíveis para preparar aulas; RESPEITO;etc,etc,etc............................................

A Escola tem vindo a perder a dignidade...MAS NÓS NÃO!!

Alguns professores perderam a coragem....MAS NÓS NÃO!!

Outros deixaram-se vencer pelo cansaço...MAS NÓS NÃO!!

sábado, 12 de março de 2011

Apontamentos de Reportgem



Fui ao Expresso buscar informação. Muita informação sobre a Geração à Rasca. Nada sobre professores. Nas televisões, RTPn e SIC Notícias, grande destaque para os à Rasca. Do Campo Pequeno, chegou pouco (que eu tenha visto), mas viu-se o início do discurso (pouco inspirado, digo eu) de Mário Nogueira. Passo ao copy paste do Expresso. (Ah, muitas fotos no Umbigo, mas dos à Rasca). Os títulos são meus:

Cá estão os destaques do “Espesso” on-line:

Últimas Geração à Rasca
• Megafone dos Homens da Luta deu voz aos manifestantes (fotogaleria)
18:37 Sábado, 12 de Março de 2011, 2


• Manifestação "Geração à Rasca" chega ao Rossio com mais de 200 mil pessoas (fotos e vídeo)
18:20 Sábado, 12 de Março de 2011, 13


• Manifestantes em Coimbra esperavam mais adesão
17:13 Sábado, 12 de Março de 2011,

• 50 mil pessoas na rua
17:10 Sábado, 12 de Março de 2011, 9


• Manifestação preencheu apenas metade da praça do Município do Funchal
16:59 Sábado, 12 de Março de 2011,

• País precário saiu do armário
16:13 Sábado, 12 de Março de 2011,

• Deolinda não estarão na manifestação
16:13 Sábado, 12 de Março de 2011, 3


• "Geração à rasca" só saiu à rua em Lisboa, para já
15:37 Sábado, 12 de Março de 2011, 2


• Milhares no arranque da manifestação da "Geração à Rasca" (fotos)
15:01 Sábado, 12 de Março de 2011, 2


• Envie-nos fotos ou vídeos do protesto da geração à rasca
10:00 Sábado, 12 de Março de 2011, 18



E agora para algo completamente diferente: os comentários (cuidadosamente seleccionados por mim. De assinalar: poucos erros de ortografia!)

COMENTÁRIO TIPO: ATÉ ‘TOU ARREPIADO

coelhobravo (seguir utilizador), 1 ponto , hoje às 15:30

«...mas não vamos baixar os braços!!!
VAMOS INICIAR A MUDANÇA !!!»

COMENTÁRIO TIPO: ‘TÁ BEM ABELHA

moncarapacho (seguir utilizador), 1 ponto , hoje às 17:18

«Neste momento Sócrates e sus muchachos estão agradecidos à geração rasca, pela sua manifestação. Com a cobertura mediática, digna de visita papal, está a passar despercebida a tragédia resultante do PAC 2012. Congelar pensões de 300 euros por 3 anos é enviar para os caixotes do lixo dos supermercados (à procura de comida) mais uns milhares de velhotes (alguns começaram a trabalhar aos 11 anos). Para completar o ramalhete,só vai ao médico quer tiver dinheiro, medicamentos idem, arroz, massa,pão e frango de 6% para 23%, uma verdadeira operação de limpeza.
Tudo isto passou a segundo plano pela manifestação dos deolindos. Sócrates agradece.»

COMENTÁRIO TIPO: A MIM NÃO ME COMEM AS PAPAS NA CABEÇA

Cruzadas (seguir utilizador), 1 ponto , hoje às 18:47

«Estive lá como curioso. Era gente a perder de vista. Mas estava tudo muito animado, com cara de quem só estava ali a divertir-se até se fazerem horas para ir para o Bairro Alto. Pelas pessoas que lá se encontravam, hoje, uma manifestação menos pacífica teria fortes condições para derrubar o governo.
A pesar de tudo, foi uma festa interessante de se ver. Sim, porque aquilo foi somente uma festa. Música, dança, alegria...parecia um corso de carnaval.»

COMENTÁRIO TIPO: NÃO É SÓ A ADÉLIA QUE SABE COBRIR A MANIFESTAÇÃO

Joaquim Marques Cruz (seguir utilizador), 1 ponto , hoje às 18:36

«300 mil no Rossio. 80 mil nos Aliados.
Falta informação sobre o resto do país.
Deficiente e sectária a cobertura pelos repórteres da SIC.
TVI e RTPN mais isentos, com mais meios e melhor reportagem.»

Colegas, lírios, aqui fica um testemunho, um resumo, para que não vos falte nada, quando chegardes (irra!) a casa e, bebendo um chá, passardes os olhos pelo nosso/nossa Campos.

Mais um sábado de luta

.

sexta-feira, 11 de março de 2011

12 de Março

Amanhã, lá estaremos.


quarta-feira, 9 de março de 2011

O xuxalismo da rolha

Enquanto o fantoche com um esgar cínico fazia o "convite" para o jantar, temperado pelo pregão hipócrita de um ps tolerante, os capangas tratavam de esmagar os que, tendo pago o jantar, não queriam apenas comer e calar...


Agora que já passou o Carnaval e que, no entender das matrafonas politiqueiras, os protestos já podem ser levados a sério, aqui está mais um exemplo da democracia, da pluralidade, da liberdade e da tolerância desta gente que nos desgoverna :

Coordenador da DREC demitido por assinar documento contra a avaliação de professores


Ernesto Paiva, que desde 1996 coordenava a Equipa de Apoio às Escolas de Coimbra, foi chamado na quinta-feira pela directora regional de Educação do Centro, que, diz, lhe anunciou que estava demitido daquele cargo.

Motivo: ter subscrito um abaixo-assinado crítico do actual modelo de avaliação de professores, na qualidade de docente da Escola Secundária Infanta D. Maria. O afastamento e a razão invocada pela DREC estão a provocar a indignação de vários directores de escolas, que admitem tomar uma posição pública sobre o assunto.

Ler o resto no Público

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O mesmo dia, a mesma luta

 Não deixes que te roubem o FUTURO






"Que-esta-situação-d­ura-há-tempo-de-mais!"

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Petição pela Substituição do Modelo de ADD

Petição Substituição do actual modelo de Avaliação dos Professores por um modelo justo, credível e que não constitua um entrave para o trabalho com os alunos

Iniciativa dos
Professores da Escola Secundária c/ 3º ciclo de Henrique Medina, Esposende

Assinar aqui. Eu sou o 290.

Será pouco, mas muitos poucos fazem muitos. 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A Farsa da Avaliação de Professores, segundo ANTÓNIO BARRETO

o texto, que a seguir transcrevo, aterrou-me no e-mail e eu penso que ele merece divulgação. Claro que ninguém liga àqueles que têm por profissão pensar, esclarecer, questionar. António Barreto não é da área do eduquês, logo... não interessa nada!

«Na impossibilidade humana de "gerir" milhares de escolas e centenas de milhares de professores, os esclarecidos especialistas construíram uma teoria "científica" e um método "objectivo" com a finalidade de medir desempenhos e apurar a qualidade dos profissionais. Daí os patéticos esquemas, gráficos e grelhas com os quais se pretende humilhar, controlar, medir, poupar recursos, ocupar os professores e tornar a vida de toda a gente num inferno.
(...)
O sistema de avaliação é a dissolução da autoridade e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa e ao diálogo entre profissionais. É um programa de desumanização da escola e da profissão docente. Este sistema burocrático é incapaz de avaliar a qualidade das pessoas e de perceber o que os professores realmente fazem. É uma cortina de fumo atrás da qual se escondem burocratas e covardes, incapazes de criticar e elogiar cara a cara um profissional. Este sistema, copiado de outros países e recriado nas alfurjas do ministério, é mais um sinal de crise da educação.»

Acrescento: O objectivo é diminuir gastos com a educação? DIMINUAM-NOS SIMPLESMENTE O ORDENADO!!!! Voltem àquele método que obrigava os professores a fazer um trabalho de pesquisa e a defendê-lo perante professores universitários! Pelo menos estes não são nossos colegas, não estão connosco diariamente. Eu juro que me faz uma confusão medonha que colegas que sempre trabalharam comigo lado a lado, que conhecem as minhas fraquezas e os meus pontos fortes e eu o deles/delas, venham agora avaliar-me, numa situação de formalidade informal ou informalidade formal, ou eu a eles/elas. É uma palhaçada!! Sabem o que é que me faz lembrar? Aquelas estratégias da formação de professores, em que nos dão um papelinho com tópicos e nos pedem que nos viremos para os colegas portugueses e comecemos a falar com eles em inglês. E nós ficamos ali numa situação artificialíssima, feitos basbaques, a palrar, a fazer uma figura triste e constrangedora. Só dá vontade de rir! Pronto. Vou corrigir mais uma história de vida de 87 páginas.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mega aqui, Mega acolá

 «Eles Já Andarem Por Aí…
… a preparar os megas. Há reuniões meio descentralizadas, por aqui e por ali, com metodologias e apresentações diversas. Aqui prometem que não há, ali que só há se estiverem de acordo, que era bom um mega nos concelhos mais pequenitotes, em outros casos garante-se que escapam… não dá para perceber o quadro geral. Para a imprensa estas reuniões quase passam despercebidas. Mas a coisa merece atenção até porque nesta segunda vaga, a coisa vai avançar de mansinho e, quando dermos por isso, temos uma rede escolar do género huge is beatiful.»

poste descaradamente furtado ao Paulo Guinote

Imagem daqui

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Prós e Contras....Uma Aventura a não perder!!

Uma Aventura na Escola e....na TV...hoje!!

Pergunta : Como é que se vai resolver o problema da educação?
Resposta de IA:....Em conjunto com os professores e as escolas e as famílias...incentivando os nossos jovens e crianças a estudar!!! Ahhhh...tão lindo!! Que "kida"!!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

VAMOS "CUMPRIMENTAR" A MINISTRA AMANHÃ?

OLÁ LÍRIOS "ADORMECIDOS"(onde eu própria me incluo)!!
AINDA TÊM FORÇA PARA IR "CUMPRIMENTAR" A MINISTRA, AMANHÃ (28-01-11)?!
Às 16.00 na Escola Quinta das Palmeiras.
DEIXEM NUM COMENTÁRIO A VOSSA DISPONIBILIDADE.
VAMOS REFLORIR ESTE JARDIM E REAVIVAR A LUTA?

Vamos dar um berr0? (Ou dois ou três....os que forem precisos!!)


Embora a situação actual não seja para rir...não podemos perder o sentido de humor!!